ENFRENTAMENTO À COVID-19: ‘Kansha Live’ do Ikoi esclarece aspectos da Covid-19 e contribui para o enfrentamento da pandemia

Participantes da Kansha Live destacaram a importância das vacinas no combate à Covid-19 (Aldo Shiguti)

Realizado nos dias 27 e 28 de novembro pela Assistência Social Dom José Gaspar Ikoi-no-Sono no Nikkey Palace Hotel, no bairro da Liberdade, em São Paulo, a Kansha Live (Minna issho ni, Corona ni sonaenagara, genki yoku ikimashou!!!) reuniu um time de especialistas com o intuito de esclarecer e elucidar aspectos da Covid-19 contribuindo para o enfrentamento da pandemia. O evento contou com subsídios do Mofa – Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão – como parte do Programa de Fortalecimento da Infraestrutura de Negócios dos Japoneses Residentes no Exterior e dos Nikkeis e apoio do Consulado Geral do Japão em São Paulo e Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social. Além das palestras, a live reuniu uma série de atrações envolvendo show artístico e Praça de Alimentação com pratos típicos de cinco kenjinkais – Aichi, Hokkaido, Oita, Tóquio e Saitama – dentro do programa sobre a construção de ambiente de negócios aos japoneses residentes e as comunidades nikkeis com dificuldades em realizarem atividades rotineiras devido devido à expansão da Covid-19.
Com apresentação e mediação do jornalista Márcio Gomes, o seminário contou com os palestrantes Dr. Renato Kfouri, membro do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde do Brasil; Dra. Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia para o biênio 2023-2024, e Personalidade do Ano 2020 pelo Prêmio Faz a Diferença, do Jornal O Globo; Dr. Marco Aurélio Sáfadi, representante da Sociedade Latino-Americana de Infectologia Pediátrica no Comitê de Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria; Dr. Marcelo Otsuka, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia; e Dr. Akira Homma, pesquisador da Fiocruz e considerado um dos 50 homens mais influentes do mundo em vacina.
Participaram ainda o “personal trainer on intelectual fitness”, Luciano Pires e o cirurgião dentista e ex-professor de periodontia da USP, Koto Nakae, que abordou aspectos da prevenção à Covid-19 nas infecções gengivais e higiene bucal.

Instituição longeva – Estiveram presentes no estúdio montado em uma das salas do Nikkey Palace – o programa teve tradução simultânea para o japonês – o presidente do Ikoi-no-Sono, Reimei Yoshioka; o cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwawa; o representante chefe do Escritório da Jica em São Paulo (Japan International Cooperation Agency), Masayuki Eguchi; o vice-presidente do Bunkyo, Jorge Yamashita (na ocasião representando o presidente da entidade, Renato Ishikawa); o vereador George Hato, e o anfitrião e presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Hirofumi Ikesaki, além de funcionários e voluntários do Ikoi, entre outros

Reimei Yoshioka (Aldo Shiguti)

Abrindo a série de discursos, Reimei Yoshioka lembrou que o Ikoi-no-Sono é uma instituição “bastante longeva na capital paulista e hoje, em consequência da pandemia, estamos abrigando 50 idosos cuja idade média é de 88-89 anos”. Segundo ele, “graças às providências tomadas inicialmente, não tivemos nenhuma baixa entre nossos residentes”. Para Yoshioka, essa pandemia, “que atingiu o mundo inteiro”, pode ser considerada “o mal do século”. “Talvez tão trágica quanto à gripe espanhola”, disse, salientando que, “graças a todos os senhores médicos, cientistas, pesquisadores e autoridades nós estamos conseguindo ter uma regressão, apesar de termos mais de 600 mil vítimas fatais”. Ele, no entanto, lamentou que muitas dessas perdas poderiam ter sido evitadas “se a vacina tivesse chegado um pouco mais cedo”.

Reflexão – Já o vice-presidente do Bunkyo parabenizou a iniciativa “tão importante para podermos enfrentar este momento em que a humanidade passa por uma profunda reflexão”. Na opinião de Jorge Yamashita, “todas as vezes que a humanidade enfrentou uma tragédia, passando pelos acidentes naturais e acidentes provocados pelo homem, mas que teve uma repercussão mundial, serviram para refletirmos sobre a nossa própria existência”.
O cônsul Ryosuke Kuwana explicou que, para o Ministério dos Negócios Estrangeiros “que eu represento em São Paulo, é uma grande honra contribuir com um evento para informar sobre medidas de contenção e prevenção da pandemia de coronavírus”. “Acredito ser muito oportuno o formato híbrido deste seminário pois permite compartilhar informações importantes com muita gente interessada de todo o Brasil”, disse o cônsul, acrescentando que, “felizmente, os impactos do coronavírus vem se abrandando tanto no Brasil quanto no Japão”.

Cônsul Ryosuke Kuwana (Aldo Shiguti)

Ômicron – Ele, porém, disse que “os dados globais mais recentes nos lembram que a pandemia ainda não chegou ao fim”. “Também é bastante preocupante o surto da nova variante Ômicron. Precisamos continuar seguindo as medidas de prevenção de contágio”, concluiu o cônsul.

Questão de honra – Ao abrir a live, o coordenador Izumu Honda destacou a atitude do governo japonês em subsidiar, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, eventos como essa live que trata sobre à prevenção à covid, além de fomentar os negócios das entidades nikkeis afetados pela pandemia.
Ele agradeceu também o canal Nikkeijin Help Desk “que era o canal de contato que nós tínhamos para o esclarecimento de dúvidas – e confesso que não foram poucas – e a todas as pessoas envolvidas. “Falar de Covid parece uma coisa já ultrapassada, mas nós acreditamos que não. Acreditamos que a Covid ainda inspira muitos cuidados”, disse Izumu, lembrando que a aprovação do projeto “virou uma questão de honra” para ele.
“O projeto era para ser entregue no dia 30 de junho e foi postergado para 30 de setembro, dia que meu pai morreu de Covid. Não me conformei, pois ele já tinha tomado as duas doses da vacina e perguntou se podia sair de casa depois de um ano e meio trancado. Disse sim, o pior já passou. Ledo engano. Com 90 anos e ainda com uma saúde forte a Covid o levou. Ou seja, a Covid ainda é muito perigosa. Gostaria que essa informação chegasse a todo mundo”, destacou Izumu Honda.

O jornalista Márcio Gomes (Aldo Shiguti)

Encerrado os discursos das autoridades, Márcio Gomes deu início ao seminário. No primeiro bloco, os participantes responderam as questões levantadas pelo mediador. A pesquisadora Margareth Dalcolmo falou sobre tratamento com medicamentos já existentes e as perspectivas para novos tratamentos, além das vacinas. Disse que costuma “sumarizar” o assunto em “o que foi descoberto, o que foi redescoberto e o que decepcionou em relação à terapêutica e tratamentos para Covid 19”

Tratamentos precoces – “Muitos tratamentos foram testados. Tratamentos numa modalidade que nós chamamos reposicionamento de fármacos e nós nos decepcionamos com todos eles. Quando nós ouvíamos a utilização de termos muito inadequadamente usados, sobretudo no Brasil, como tratamentos precoces atribuídos com méritos que, na verdade, nunca foram provados com medicamentos do tipo cloroquina, nitazoxanida e invermectina, nós entregamos um documento oficial no ano passado mostrando que isso não funcionava antes mesmo de termos os resultados da fase 3, que depois só fizeram comprovar que não funcionavam.”
Para ela, “hoje nós estamos num momento muito interessante em que, finalmente depois de 22 meses de epidemia entre nós, de pandemia no mundo todo, parece haver uma luz no fim do túnel no sentido terapêutico. Há antivirais novos sendo testados em estudos de fase 3 que já foram realizados deixando, sem dúvida nenhuma. não uma esperança mas uma possibilidade muito objetiva de podermos tratar os casos precocemente”.

Novidades – Segundo Margareth, esses antivirais já estão sendo testados “inclusive no Brasil”, e que podem ser administrados no quarto dia de sintomas. “Com isso nós resolveríamos, de certa maneira, os 80% de casos leves e moderados da Covid-19. Para casos mais graves, aqueles 20% que vão demandar ou um tratamento, digamos, mais pesado mesmo ambulatorialmente ou hospitalizado, nós temos duas modalidades de medicamentos, que são os anti-inflamatórios e medicamentos chamados imunomoduladores, já aprovados pela Anvisa e que são uma alternativa segura muito interessante”, explicou a pesquisadora, afirmando que, “ao contrário daquilo que foi tão propalado no Brasil e que iludiu tantas pessoas com tratamentos que não funcionavam, hoje nós todos. do ponto de vista médico, temos o dever de participar dos estudos multicêntricos internacionais e de provar, inclusive na população brasileira, que esses medicamentos são não só uma esperança, mas algo muito palpável e que entra naquele grupo que chamo das descobertas, e não das redescobertas nem das decepções”.

Estrada pavimentada – Falando sobre a agilidade com que as vacinas contra a Covid-19 foram descobertas, Marco Aurélio Sáfadi disse que é importante que se reconheça que houve nesse século dois outros coronavirus zoonóticos – o SARS 1 e o MERS – e eles motivaram muitas indústrias o início do desenvolvimento de vacinas.
“É como eu digo sempre: a estrada estava de certa forma, pavimentada. Quando surgiu o SARS COV 2, e eu acho que isso é muito importante para as pessoas compreenderem, não é que iniciaram ai as iniciativas de vacinação, elas já tinham um conhecimento adquirido e isso facilitou muito com que nós pudéssemos desenvolver vacinas realmente num prazo recorde”, lembrou Sáfadi, afirmando que “ao cabo desse praticamente um ano de uso dessas vacinas, “a despeito do surgimento de diversas variantes, como a Ômicron, que surge como a quinta variante classificada e que nesse momento suscita preocupação, o que nós observamos é que para as formas graves da doença, que é muito baseada no que nós chamamos de memória imune celular, essa resposta imune é pouca afetada pelas variantes”.
“Portanto, o que nós temos visto é que a proteção contra as formas graves, desde que você esteja adequadamente vacinado, é que ela tem se mantido bastante consistente. Isso cria uma expectativa de um cenário positivo frente a essas variantes. Em resumo, não há vacina 100% eficaz e a gente tem que se valer de todo conhecimento para buscar nas vacinas e a melhor maneira de utilizá-las é colocando no seu braço no momento mais oportuno”.

Sonoko Yoshiyasu entrega placa a Akira Homma (Aldo Shiguti)

Dependência – Respondendo a uma questão sobre dependência, o pesquisador da Fiocruz, Akira Homma, esclareceu que dependência foi uma palavra muito utilizada nessa pandemia “porque nós dependemos não só da importação de vacinas como também de instrumentos médicos e de coisas simples, inclusive máscaras”.
“O país, na verdade, depende de muitas coisas e a base desta dependência está na falta de investimentos na ciência e na tecnologia”, disse ele, afirmando que o Brasil seguiu na contramão de países desenvolvidos, que investiram maciçamente na descoberta das vacinas. “Ao contrário desses países desenvolvidos, o Brasil diminuiu e vem diminuindo cada vez mais os recursos para a ciência e tecnologia. Enquanto nós não tivermos uma ciência básica como política de estado brasileiro, vai ser muito difícil reverter essa questão da dependência”, destacou Akira Homma.

Parte da Kansha Live, Festival Gastronômico beneficiou 5 associações (Aldo Shiguti)

Máscaras – Quanto a flexibilização do uso de máscaras, Marcelo Otsuka observou que “nós ainda não estamos livres da pandemia”. “Ou seja, todos os cuidados que nós possamos ter para evitar a transmissão e a contaminação, eles ainda devem ser feitos”.
Já Renato Kfouri comentou sobre a distribuição e a vacinação em crianças. Segundo ele, “não só o Brasil como o mundo percebeu que as crianças não faziam parte do grupo de risco, eram menos acometidas pelas formas graves da doença”. “Aqui no Brasil, por exemplo, respondem por 0,34 0,36% do total de óbitos e cerca de 2% total das hospitalizações. Isso pode parecer pouco num primeiro momento, mas quando a gente olha para 0,4 de 600 mil mortes estamos falando de mais de 2 mil crianças e adolescentes que perderam a vida para a Covid-19. Se nós somarmos as doenças todas do calendário infantil, as mortes por sarampo, por gripe, por diarreia, meningite, febre amarela e por coqueluche, juntas elas não somam as mortes que a covid traz na população pediátrica. Isso por si só já justificaria a vacinação dessa população”, disse Kfouri, afirmando que “nós teríamos que incluir ai as crianças e adolescentes uma vez que esse grupo de adultos já foi vacinado, sem falar na questão de hospitalização, na questão da covid longa, das complicações como a síndrome inflamatória já descrita na pediatria. “Temos motivos de sobra para justificar a vacinação na população pediátrica”, reforçou Kfouri.

Proteção coletiva – E recomendou: “Quando tivermos vacinas licenciadas aqui no Brasil, confirmem porque é preciso vacinar as crianças sim, levem seus filhos para se vacinarem porque farão parte não para a proteção deles, mas para a proteção da comunidade, para proteção coletiva”, afirmou o pediatra, garantindo que “nós só estaremos protegidos quando todos estiverem protegidos”. “Nós temos uma distribuição muito desigual no mundo precisamos atacar esse problema com a mesma intensidade que nós estamos enfrentando a Covid dentro do nosso pais”, ponderou.

Avaliação – Nos blocos seguintes, os especialistas responderam perguntas formuladas pelo público. Na avaliação de Izumu Honda, a live superou todas as expectativas, “beneficiando um número muito superior ao planejado”.

Para assistir a live completa, acesse:
Link da Live na Bio do Instagram @ikoinosono
Link em português https://youtu.be/TNJrF854SVY
Link em japonês https://youtu.be/cpWkoNWOAF4

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