CULTURA JAPONESA: Após novo adiamento, 23º Festival do Japão deve acontecer em 2022 com ‘novos conceitos’

A Kenren anunciou as novas datas do 23º Festival do Japão, que será realizado em 2022 (arquivo/Aldo Shiguti)

A Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren), entidade responsável pela realização do Festival do Japão, soltou um comunicado esta semana informando que a 23ª edição do evento, prevista inicialmente para os dias 09, 10 e 11 de julho de 2021, será adiada pela segunda vez, para os dias 15, 16 e 17 de julho de 2022, no mesmo local (São Paulo Expo Exhibition & Convention Center). A notícia, embora triste para os fãs e apreciadores da cultura e gastronomia japonesas, já era esperado em função do momento da grave crise sanitária que assola não só o Brasil como o mundo todo por conta da pandemia do novo coronavírus. A Kenren alega ainda que, para este ano, não haveria tempo hábil para conseguir o Alvará de Funcionamento Temporário, obrigatório para a realização do evento.
“A diretoria da Kenren decidiu priorizar o bem-estar coletivo, a nossa responsabilidade e a saúde dos nossos visitantes, patrocinadores, voluntários e colaboradores e tivemos a colaboração e o apoio decisivo do São Paulo Expo nessa decisão. Todas as ações que estavam em andamento para a realização do 23º FJ 2021 foram paralisadas e estamos iniciando o planejamento e as ações para o 23º FJ 2022, com um sentimento de esperança, mas sempre atuando de forma realista, comprometida e responsável”, resume o presidente da Kenren, Toshio Ichikawa, explicando que, com o adiamento do evento presencial, a Kenren estuda outras atividades para este ano.
Já o presidente da Comissão Executiva do 23º Festival do Japão, José Taniguti, compara a atual situação com a travessia de um rio. “Precisamos chegar na outra margem e para isso, precisamos de muita confiança e tenho certeza de que vamos atingir a meta juntos. Afinal, não podemos seguir nessa situação indefinida por mais tempo, o público também está ansioso em voltar à normalidade dos eventos”, constata.

Negociações – Apesar de aguardada, Tochio Ichikawa admite que a decisão de adiar mais uma vez o evento não foi fácil. Segundo ele, foram necessárias algumas reuniões com representantes da GL events, grupo francês que administra o São Paulo Expo, para que o martelo fosse finalmente batido sem prejuízos para nenhuma das partes.
A negociação incluiu um acordo que possibilitasse a criação de um capital de giro para a Kenren e a redução da área a ser ocupada em 2022. Na prática, explica Ichikawa, houve a redução de um pavilhão em relação a 2019, ano do último festival presencial, quando o evento ocupou os pavilhões 4, 5, 6 e 7. “Em 2022 utilizaremos os pavilhões 5, 6 e 7, ou seja, uma área equivalente a que foi utilizada em 2017”, lembra Ichikawa. Com o novo acordo, a Kenren conseguiu uma redução no valor da locação do espaço, que era de R$ 1.275.000 em 2020 para R$ 1.160.000,00 em 2022.

Força maior – Um novo aditivo deve ser assinado nos próximos dias já com a inclusão de dois novos itens detalhando situações que se enquadram em “casos fortuitos” e “força maior” – argumento usado pela Kenren para solicitar o adiamento para 2022 – e também com um prazo menor para a montagem e desmontagem do festival – o que representará uma redução de custo para a Kenren.

Novos conceitos – Com a medida, fica praticamente impossível um novo adiamento por parte da Kenren. Com isso, a diretoria da entidade e a Comissão Executiva do Festival do Japão começam a trabalhar o festival sob vários cenários diferentes. Um deles projeta que, até janeiro e fevereiro do próximo ano a vacinação já tenha atingido cerca de 70% da população brasileira.
“Assim mesmo e com a redução de espaço, vamos seguir todas as determinações sanitárias”, revela Ichikawa, que prevê um Festival do Japão “com novos conceitos”. “A gastronomia e a praça de alimentação, bem como as atrações de palco e os bazaristas vão continuar. A maneira de planejar é que deve mudar bastante”, antecipa Ichikawa, que espera também uma queda de receita.
Segundo ele, antes, o Festival do Japão era projetado sem levar em conta os gastos para a sua realização. “Certamente, esse processo será invertido. Mas o desafio continuará sendo fazer um Festival do Japão que agrade os visitantes, que sempre nos prestigiaram. Isso é fundamental para nós”, destaca Ichikawa.

Comissão – Para a 23ª edição, foi formada uma nova equipe na Comissão Executiva, com destaque para Alfredo Ohmachi (presidente da Associação Cultural Recreativa Akita Kenjin Brasil), Neuza Shirata Isso (presidente da Associação Cultural Gunma Kenjin do Brasil) e Roberto Sadao Yoshihiro (presidente do Centro Cultural Hiroshima do Brasil – Hiroshima Kenjinkai), diretores que assumiram cargos na nova gestão da Kenren, em abril de 2020.
Também fazem parte da comissão Ritsutada Takara (presidente da Associação Okinawa Kenjin do Brasil), Luiz Koji Yamashita (presidente da Associação Fukui Kenjinkai), Gilberto Suzuki (presidente da Associação Cultural e Recreativa Nara Kenjinkai do Brasil), Mitsuyoshi Nagaya (presidente da Gifu Kenjinkai do Brasil) e Helena Kawasaki (presidente da Associação dos Shizuoka Kenjin do Brasil).
“É uma ótima equipe, bastante entrosada, que está se reunindo e implementando uma nova mentalidade no modo de organizarmos o Festival. É muito importante contarmos com essa renovação. Aproveitamos para agradecer aos nossos patrocinadores, apoiadores, expositores e voluntários pelo apoio, colaboração e incentivo, em especial nesse período tão difícil para todos, e que todos continuem se cuidando e possam participar do Festival no ano que vem”, completa Taniguti.

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