NIPPAK RURAL: Mulheres em campo

Como a atividade agrícola desenvolvida por mulheres ajudou a revitalizar uma pequena
comunidade japonesa e pode fazer o mesmo no Brasil

O evento fez parte do Projeto de Intercâmbio e Cooperação dos Agricultores Nikkeis da América do Sul realizado em São Paulo (Mariuza Rodrigues)

A Sra. Kyoko Tsujimoto, uma dona de casa japonesa anos que acompanhava sempre o marido em todas as suas decisões. Com a falência do pequeno negócio da família, ela disse ao marido que era vez “dele ouvi-la e apoiar a sua iniciativa”. Eles se mudaram para a província de Ehime, na região de Yusukawa, numa comunidade em declínio de cerca de 300 habitantes localizada na região serrana da cidade de Seiyo formada em sua maioria por mulheres volta de 70 anos, como a própria Sra. Tsujimoto, hoje com 77 anos. No local predominava a plantação de tomates da espécie momotaro e como nada sabousse sobre tomates, aprendeu com as vizinhas a desenvolver a sua própria plantação.
Diante da constatação da qualidade do tomate local, produzidos sem agrotóxicos, teve a ideia de sugerir a produção de produtos a base dos tomates fora do padrão para comercialização, mas bons para o consumo, o que levou a produção de variedades de molhos. Para isso, o grupo liderado pela Dra. Tsujimoto buscou apoio e financiamento do Ministério da Agricultura, Silvicultura e e Pesca do Japão, obtendo todo o apoio necessário.

Kyoko Tsujimoto contou sua experiência durante o Seminário (Mariuza Rodrigues)

Seminário – A iniciativa deu tão certo que hoje os produtos são exportados por meio da empresa Yusukawa The Lycopins e tem mercado certo na Europa e Inglaterra devido a sua alta qualidade. Mais do que isso. A atividade econômica ajudou a revitalizar a comunidade e hoje serve de exemplo para outras regiões do país que enfrentam a baixa taxa de natalidade e o esvaziamento dos vilarejos indicando que, por meio de uma atividade agrícola, é possível gerar renda e trabalho, independente do sexo e idade dos produtores. Segundo a Sra. Kyoko Tsujimoto, “além do impacto financeiro, o mais importante foi recuperar o ânimo e a auto-estima dos moradores da pequena comunidade, hoje orgulhosos e satisfeitos de seu papel para a economia japonesa”.
Foi essa experiência que a Sra. Kyoko Tsujimoto trouxe para o Brasil, durante o Seminário de Revitalização de Regiões Pelas Mulheres, promovido pela CKC – Chuo Kaihatsu Corporation juntamente com o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, realizado entre 29 e 31 de janeiro, no Miyagui Kenjinkai do Brasil, no bairro da Liberdade. O evento é parte do Projeto de Intercâmbio e Cooperação dos Agricultores Nikkeis da América do Sul, com o tema “Reunião de Fortalecimento da Agricultura Nikkei.
Esse evento já é realizado há sete anos no Brasil e acontece ao menos duas vezes, em janeiro e em julho, reunindo representantes do setor agrícola nikkei de outros cinco países do continente, como Argentina, Bolívia, Paraguai, Brasil e Peru. Segundo a coordenadora Izumi Honda, a ideia é “promover a troca de experiências entre produtores sul-americanos e japoneses e incentivar a geração de novos negócios entre eles”.

Evento já é realizado há sete anos no Brasil e acontece ao menos duas vezes, em janeiro e julho (Mariuza Rodrigues)

Empoderamento – O empoderamento feminino foi a marca principal deste ano, marcado pela presença da Sra. Kyoko Tsujimoto. Durante o Seminário de Revitalização de região pelas mulheres foram apresentadas as atividades e os resultados das oficinas realizadas pela especialista nas cidades de Pilar do Sul, Vargem Grande Paulista, Caucaia do Alto, Capão Bonito e Registo, todas em São Paulo que reuniu grupos de mulheres da Cooperativa Agroindustrial APPC de Pilar do Sul e de cinco regionais da Associação Cultural das Senhoras Cooperativas, formado pelas remanescentes do departamento feminino que integrava a Cooperativa Agrícola de Cotia. Diversas intercambistas do Brasil e dos demais países da América do Sul que já participaram do programa no Japão estavam presentes no seminário – foram elas que ao conhecerem o trabalho da Sra. Tsujimoto, pediram ao programa a vinda da especialista. “O objetivo geral é a formação do grupo de mulheres da América do Sul para dar continuidade ao programa”, destaca Izumi Honda.
Dentre questões levantadas pelas líderes Kiyomi Morioka (Pilar do Sul, APPC); Lourdes Gocho ( Pilar do Sul – Adesc), Miriam Iida (Vargem Grande Paulista- Adesc), Cecilia Yamazaki (Caucaia do Alto – Adesc), Maria de Lourdes Mariotto (Capão Bonito – Adesc), Akemi Hijioka (Registro – Adesc) em seus grupos de atuação destacam-se problemas como melhoria e padronização dos produtos, necessidade de industrialização dos processos, melhorias e modernização de embalagens, atração e engajamento de jovens para a preservação das atividades e da cultura do grupo.
Durante as atividades, a Sra. Tsujimoto fez questão de destacar sua felicidade em conhecer o Brasil, visitar diversas comunidades e grupos de mulheres e sentir de perto a energia e a diversidade agrícola brasileira. Por meio das oficinas, ela conheceu alguns dos produtos brasileiros produzidos pelas produtoras e também realizou oficinas de culinária para mostrar como é possível aproveitar melhor os alimentos fora do padrão, destacando o restaurante criado por ela em sua comunidade.
A mensagem do Sr. Tatsuro Yokawa, da CKC, foi de que as participantes “mantivessem o foco, o planejamento e a busca de soluções levantadas por meio das oficinas, para que elas não se percam no caminho, e ao final do plano, possam comemorar os resultados”. Já a Sra. Kyoko Tsujimoto ressaltou que “nada é fácil”. “Antes tinha 300 pessoas na minha comunidade. Hoje são menos pessoas. Mas não podemos nos acomodar. Continuamos firmes em nosso propósito de ajudar a revitalizar essa e outras comunidades no Japão. E acredito que esse exemplo pode também servir e ser adotado no Brasil”, encerro.

Mariuza Rodrigues. E-mail: mariuzarodrigues2020@outlook.com.br

EHIMEHondajapãojaponesaliberdadeNikkeiNippakpilar
Comments (0)
Add Comment