WINDOWOLOGY: JHSP recebe exposição inédita sobre o papel das janelas na arquitetura japonesa

Eric Klug, presidente da JHSP: “Hoje as pessoas veem o mundo através das janelas” (Aldo Shiguti)

Já parou para pensar sobre a importância das janelas nas nossas vidas? Seja ela aquela “abertura ou vão na parede externa de uma edificação ou no corpo de um veículo, que se destina a proporcionar iluminação e ventilação ao seu interior” – como define o Google – ou aquelas virtuais, dos computadores, elas ganharam um significado todo especial no mundo pandêmico que vivemos. São através delas que as pessoas veem o tempo passar e deixam a ventilação entrar. É claro que esse não é o propósito da exposição aberta nesta terça-feira na Japan House São Paulo – e que ficará em cartaz até 22 de agosto –, Windowology: Estudo de janelas no Japão”. Afinal, ela foi curada numa época pré-pandemia. Mas poderia ser.
Para Igarashi Taro, curador da mostra, além de seu valor histórico e arquitetônico, as janelas desempenham papel sem igual durante uma crise, por permitirem que as pessoas possam compartilhar esperança e gratidão de forma única. “As janelas sempre evocaram comportamentos específicos em pessoas de diferentes regiões e culturas – e essa diversidade pode ser reconhecida ainda hoje, em meio à pandemia”, afirma.
Doutor em engenharia, historiador, crítico de arquitetura, professor na Universidade de Tohoku, em Sendai, no Japão, e curador do Pavilhão japonês na Bienal de Veneza, em 2008, Taro dá exemplos como “Ir até a varanda cantar ópera para os vizinhos, mandar mensagens de agradecimento aos profissionais de saúde e passar objetos pela janela para garantir o distanciamento social”, diz o curador, que também atuou como diretor artístico da Trienal de Aichi, em 2013.

Em primeira mão – Ou como explica o presidente da JHSP, Eric Klug: “Hoje a gente vê o mundo através das nossas janelas, sejam elas as janelas virtuais do nosso computador ou as janelas das nossas casas, dos nossos escritórios. A gente tem um certo distanciamento, uma certa moldura em volta do mundo. Hoje a gente troca impressões através das janelas”, conta Eric, acrescentando que cabe sim uma releitura.
“A gente tinha não só no Japão como na Europa, aquelas senhoras que veem a vida passar pela janela. Um pouco da nossa vida hoje passa pela janela. A exposição não foi prevista para falar sobre esse tema [pandemia], mas atualmente ela fala sobre isso também”, observa, lembrando que os paulistanos têm a oportunidade de ver a mostra em primeira mão.
Concebida pelo Window Research Institute, instituição japonesa que realiza pesquisas em torno deste elemento, Windowology já esteve nas unidades da Japan House de Londres e Los Angeles, mas não foram abertas para visitação pública. Em Londres, ela chegou quase ao mesmo tempo da pandemia e de lá seguiu para Los Angeles, onde foi apresentada virtualmente. Depois de São Paulo, ela volta novamente para ser apresentada em Londres.

Outro olhar – Por meio de nove categorias, a exposição propõe diversas leituras sobre a representação da janela nos processos artesanais, em produções audiovisuais, na construção das casas de chás, na arquitetura contemporânea, nos mangás, nas suas diferentes aplicações nos diversos ambientes japoneses e seus múltiplos formatos, que foram se refinando e se adaptando às necessidades das diferentes culturas ao longo da história.
Para Eric Klug, a expectativa é que os visitantes saiam da exposição com um outro olhar sobre o assunto.
“Acho incrível que muitos dos projetos que nós temos aqui são aparentemente simples e pequenos. São casas residenciais, mas o cuidados que se tem com a circulação de ar, com a luminosidade e com o calor são extremos. Espero que as pessoas olhem com cuidado por esses fluxos – fluxos de vida, fluxos de tempo, fluxo de luz, fluxo de calor e fluxo de vento – e e que isso fique um pouco na cabeça de todo mundo que passar por essa exposição, que possam repensar suas janelas de uma maneira mais profunda e, quem sabe, fazer um laço com o Japão”, convida o presidente da JHSP.

Casa residencial no Japão que prioriza a luminosidade (Aldo Shiguti)

Penumbra – Windowology explora a janela por meio de desenhos técnicos, maquetes, fotos, vídeos, mangás e obras literárias, que buscam mostrar aos visitantes as janelas como um dos componentes mais fascinantes da arquitetura e do dia a dia de todos.
Para isso, apresenta seus diferentes tipos e movimentos, sua posição de destaque em ambientes e histórias, assim como revela sua potência, capaz de conectar o externo e o interno, permitir entrada de luz e ar nos ambientes, proteger do frio e da chuva e fazer com que seja possível observar o outro, a natureza e o movimento das cidades e das pessoas.
Para Eric Klug, outro aspecto a ser considerado nessa exposição é que “a gente tem no Brasil e em outros países ocidentais, essa separação muito clara desta coisa de claro e escuro”. “No Japão, nos espaços internos – nos externos também,, mas mais nos internos, você tem uma zona de penumbra. Tem um grande livro japonês, que é um dos livros fundadores da estética japonesa, que se chama Em Louvor da Sombra – de Junichiro Tanizaki, – que explica muito bem essa questão de como a cultura japonesa lida com essa questão, de você não fechar uma porta e acender uma luz fortíssima; você deixar o sol entrar pelos buracos e persianas. Essa zona de de penumbra entre o claro e o escuro é uma coisa muito japonesa”, destaca Erik. “E aqui na Japan House é possível ver um pouco dessa estética diferente. E isso desde a arquitetura até os pratos, essa valorização de uma graduação entre o claro e o escuro, que é muito mais delicado e sutil e muito importante”, diz.

A relação das janelas com o mangá (Aldo Shiguti)

Casa de chá – No contexto japonês as janelas são, em sua maioria, feitas em madeira e compostas por colunas e vigas. Os vãos possuem características peculiares: quando se move um tategu (portas e janelas), o espaço transforma-se em um ambiente inteiramente ventilado.
Um exemplo que reflete esse uso são as salas de chá japonesas (chashitsu), um programa arquitetônico especial que reúne diferentes tipos de janelas num espaço pequeno, em especial, o Yōsuitei, denominado também de Jûsansōnoseki (sala de 13 janelas), casa de chá que possui o maior número de janelas e que, nesta mostra, é exibida como uma réplica em tamanho real (escala 1:1) feita de papel artesanal japonês (washi).
Outra perspectiva apresentada na exposição é a relação das janelas com os locais de trabalhos manuais no Japão. Nesses ambientes, elas possuem lugar de destaque, inserindo ou expulsando elementos como a luz, o vento, o calor, a fumaça e o vapor, por exemplo, que alteram características de materiais como argila, madeira, tecido e papel. “As janelas são repletas de simbologias e atribuições poéticas e valorizar algo que está ao nosso lado nem sempre é uma percepção imediata. Mas basta pensar nas consequências da sua ausência, especialmente em tempos de confinamento e isolamento, para entendermos o porquê de elas merecerem tanta deferência”, afirma Natasha Barzaghi Geenen, Diretora Cultural da Japan House São Paulo.

“WINDOWOLOGY: Estudo de janelas no Japão”
Período: até 22 de agosto – 2º andar
Entrada gratuita
Reserva online antecipada (opcional):
https://agendamento.japanhousesp.com.br/
Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52
Horário de funcionamento:
Terça-feira a domingo, das 11h às 16h
Entrada gratuita
※Devido ao coronavírus, estamos funcionando com capacidade reduzida. Para mais informações, acesse o site da Japan House São Paulo.

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