VISITA DO EMBAIXADOR: Para Akira Yamada, ‘superação’ foi o grande legado dos Jogos Olímpicos de Tóquio

Embaixador Akira Yamada durante visita ao jornal Nippak: “Torci para os atletas brasileiros e japoneses” (Aldo Shiguti)

No último dia 13, em sua passagem pelo bairro da Liberdade, tradicional reduto das comunidades asiáticas de São Paulo, o embaixador do Japão, Akira Yamada, disse que o grande legado dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 – evento realizado de 23 de julho a 8 de agosto – foi a “superação”. “Ainda que tivéssemos uma situação muito difícil [por conta da pandemia do coronavírus], mostramos ao mundo que, com esforços e com colaboração, podemos superar estes desafios”, destacou o embaixador, lembrando que, se os Jogos Olímpicos de Tóquio não foram aqueles que os japoneses sonharam em 2013 – quando o país foi anunciado sede da competição – o fato de sediar o maior evento esportivo do planeta, mesmo que somente com atletas, já valeu a pena.
“Os japoneses sonhavam em receber novamente atletas, jornalistas e turistas do mundo inteiro. Sonhavam em fazer intercâmbios pessoais e culturais e divulgar a tradicional cultura japonesa, além de sua paisagem e a culinária para o mundo. No fim, não pudemos realizar nada disso, somente os Jogos. Mas, poder receber somente os atletas acredito que nos deixou muito emocionados e ficamos muito felizes em ter organizado as Olimpíadas”, explicou o embaixador em visita à redação do Jornal Nippak.

Pela televisão – No Nippak, Yamada contou que acompanhou os Jogos Olímpicos pela televisão e ficou entusiasmado. Lamentou não ter conferido as modalidades em que os japoneses “tiveram muito sucesso”, como o beisebol e o softbol – em ambas os japoneses terminaram com a medalha de ouro após superarem os Estados Unidos nas duas finais e, curiosamente, pelo mesmo placar: 2 a 0.
O embaixador conta que, antes dos Jogos, a Embaixada do Japão e ele próprio se empenharam em ações com o intuito de promover o evento. “Participei de uma live realizada pelo Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) e que contou com a presença do técnico da seleção brasileira feminina de tênis de mesa, Hugo Hoyama, e da senadora Leila Barros [ex-jogadora de vôlei] e com o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley Teixeira. Até então eu sentia que os brasileiros tinham muito confiança e muita expectativa na realização dos Jogos. Mas também escutei muitas opiniões contrárias no Japão. Mas não era uma preocupação necessária. Eu sabia que muitos membros oficiais do Comitê Organizador e dos governos locais, além de muitos voluntários e também muitas pessoas envolvidas na organização estavam se empenhando. O ex-cônsul geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fuklushima, do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpico e muitas outras pessoas trabalhavam até às 3 horas da manhã. Estes Jogos estão sendo muitom especiais por conta da pandemia e todos nós temos que nos esforçar”, disse Akira Yamada, acrescentando que, “graças a estes esforços, “os Jogos foram realizados com muito êxito e sem incidentes graves”.

Paralimpíadas – “Depois dos Jogos Olímpicos , 65% da população aprovou a realização e achou que foi bom. Então, fico muito orgulhoso que os Jogos tenham sido realizados desta maneira. Ouço muitos elogios de atletas e jornalistas estrangeiros que o Japão fez muito bem em organizá-los, apesar desta situação muito difícil”, observa o embaixador, lembrando que no próximo dia 24 acontece a abertura dos Jogos Paralímpicos, “que para o Japão também têm muita importância”.
“O governo do Japão está trabalhando arduamente para realizar as Paralimpíadas do mesmo jeito que organizaram as Olimpíadas. “Imagino que existam muitas dificuldades para se organizar os Jogos Olímpicos e agora os Paralímpicos, mas creio que, graças aos esforços de cada um os Jogos Paralímpicos também serão um sucesso”, disse Yamada, destacando que, “por outro lado, a situação da Covid-19 no Japão aumentou desde meados de julho”.

5ª onda – “Não por causa das Olimpíadas, mas em função da 5ª onda que chegou e chegou de forma bastante intensa. Mas ainda que tenha aumentado o número de infectados, o número de óbitos continua bastante baixo”, disse Yamada, que também se mostrou muito preocupado com as fortes chuvas que causaram inundações e enchentes em Hiroshima e na ilha de Kiyushu. “Espero que não aconteça nada de mais sério”, disse ele.

Visto para yonseis – Durante a visita à redação do Nippak, o embaixador também falou sobre o visto de trabalho para yonseis – descendentes de japoneses da quarta geração. Ele explicou que o governo japonês “relaxou” uma das condições que dificultava e para muitos interessados yonseis impedia a obtenção do visto, que era a exigência do nível N4 para o N5, considerado “o mais básico.
“Sabemos que existem outras dificuldades e que, todavia, poderá ocorrer alguma reforma no futuro. Mas, de qualquer forma, durante esta pandemia, não podemos promover o intercâmbio de pessoas, ou receber estrangeiros. Então, por enquanto não podemos esperar nenhuma novidade. Vamos esperar para ver como funcionará esse relaxamento da língua japonesa”, ponderou Yamada, afirmando que o governo japonês também está preocupado em como recuperar o turismo.

Motegi – “O Japão ainda está lutando contra a covid-19 e por isso ainda é um pouco prematuro dizer o que vai ocorrer nessa área também. Mas, alguns intercâmbios, como o programa de bolsistas do Gaimusho, está sendo retomado gradativamente”, comentou o embaixador, lembrando que em janeiro deste ano o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Motegi, realizou visita oficial ao país.
Na ocasião, o chanceler japonês foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e se reuniu com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. No encontro, ambos concordaram em trabalhar por uma nova trajetória pós-pandemia e em conferir novo impulso ao comércio e aos investimentos entre os dois países.
Durante a visita, foram assinados 4 atos internacionais: Memorando de Cooperação no Campo de Tecnologias Relacionadas à Produção e ao Uso de Nióbio e Grafeno, Memorando de Cooperação de Tomé-Açu entre o Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão sobre Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia, Ajuste Complementar por Troca de Notas para Projeto de Desenvolvimento de Sensores e Plataforma de Agricultura de Precisão em Apoio à Agricultura Sustentável Brasileira e Ajuste Complementar por Troca de Notas para Projeto para o Aperfeiçoamento do Controle de Desmatamento Ilegal por Meio de Tecnologias Avançadas SAR e IA na Amazônia Brasileira.
“Foi a primeira visita oficial de um chanceler estrangeiro ao Brasil durante a pandemia”, disse ele, lembrando que Motegi também escreveu artigos para o Nikkey Shimbun e para o Jornal Nippak.

Vacinação – Segundo o embaixador, alguns projetos já deveriam ter sido implantados no ano passado, mas não foi possível por causa da pandemia. Ele citou, como exemplo, o projeto de monitoramento de desmatamento ilegal da floresta amazônica usando tecnologia de inteligência artificial via satélite e o projeto de redução de riscos naturais.
“Estamos avançando pouco a pouco, mas ainda temos que ter um pouco mais de paciência. A vacinação está avançando tanto no Brasil como no Japão e a tendência é que haja uma melhora da situação”, disse Akira Yamada. Antes de seguir para a Associação Comercial de São Paulo..

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