VISITA DO EMBAIXADOR: Na Associação Comercial de São Paulo, embaixador estreita diálogo com empresários paulistas

Fukuhara, Marcio, cônsul, Alfredo, embaixador, Ordine, Walter Ihoshi, Ikesaki e Márcio Gomes (Aldo Shiguti)

No último dia 13, o embaixador do Japão, Akira Yamada, encerrou sua visita à capital paulista – que teve início com uma reunião no Nikkei Palace Hotel, que contou com a presença do presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Hirofumi Ikesaki; prosseguiu com uma visita ao Centro Médico Liberdade da Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo) e às redações dos jornais Nikkey Shimbun e Nippak – na Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil.
Antes, ele almoçou na sede da Associação Comercial de São Paulo, na Rua Boa Vista, no centro de São Paulo. Acompanhado pelo cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, o embaixador foi recebido pelo presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto; pelos vice-presidentes, Roberto Mateus Ordine e Márcio Shimomoto; pelo conselheiro e presidente da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), Walter Ihoshi e pelo assessor especial da Presidência, Carlos Kendi Fukuhara, além do jornalista e âncora da CNN, Márcio Gomes, que morou cinco anos em Tóquio. O presidente da Acal, Hirofumi Ikesaki, também esteve presente.
Foi a segunda visita de uma autoridade japonesa à ACSP em menos de um mês. No dia 19 de julho quem esteve lá foi o cônsul geral Ryosuke Kuwana. O embaixador destacou a importância da associação. “Sempre achei a associação uma entidade “muito importante para as relações econômicas entre os dois países”. Akira Yamada explicou que, “estamos no meio de uma situação muito difícil” e que isso acaba refletindo nas relações econômicas entre os dois países.
“Digo sempre que as relações entre o Brasil e o Japão são excelentes mas que sempre temos espaços para intensificar essas relações em muitos campos. E o campo econômico é um dos mais importantes para o fortalecimento dessas relações”, explicou o embaixador, acrescentando que o setor privado ocupa um papel muito importante neste cenário.

Valores compartilhados – Segundo Akira Yamada, o Brasil conta hoje com cerca de 700 empresas japonesas, número que tem se mantido estável nos últimos anos. O mesmo não acontece com os investimentos japoneses no país que, “lamentavelmente” estão caindo desde 2014.
O embaixador afirmou que está seguro na recuperação da economia brasileira e, consequentemente, na relação comercial entre os dois países. “”O Japão eu Brasil são amigos de longa data e compartilham valores básicos como a democracia, a liberdade de expressão e os direitos humanos. Por isso podemos fazer muitas coisas, como aumentar o intercâmbio no setor de comércio e investimentos”, disse Yamada.
Garantido ser “otimista”, o embaixador disse que “talvez ainda haja bastante desafios a serem enfrentados”. E citou a política como exemplo. Apesar disso, Akira Yamada diz confiar no sistema democrático do Brasil, “ainda que tenha muitos problemas”.
Além de tentar melhorar a imagem do país lá fora, Akira Yamada aponta como outros obstáculos, a Reforma Tributária, que está sendo tema de debates nesta semana no Senado.
Alfredo Cotait, que mostrou uma foto sua ao lado do então príncipe herdeiro e hoje imperador do Japão, Naruhito, quando esteve naquele país em 2008 por ocasião das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil quando era secretário de Relações Internacionais, afirmou que também confia “muito” nas instituições do país que, segundo ele, “são bastante sólidas”.
Alfredo Cotait disse ainda que o Brasil ainda tem muito que aprender com os japoneses e aproveitou para parabenizar o governo japonês pela realização dos Jogos Olímpicos, que considerou “uma organização perfeita”.

Em Campinas – O embaixador Akira Yamada chegou a São Paulo na quarta-feira (11) e no mesmo dia visitou a Japan House São Paulo e esteve na Folha de São Paulo. Na quinta-feira, ele visitou o Hospital de Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde participou de uma cerimônia de entrega de equipamentos para enfrentamento da covid-19 por intermédio do programa da Jica, a Agência de Cooperação Internacional do Japão (leia box). A agenda em Campinas incluiu ainda visitas ao Instituto Cultural Nipo-Brasileiro; ao Cnpem – Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. – e à sede da Prefeitura.
No Nipo de Campinas, Akira Yamada e o cônsul geral Ryosuke Kuwana foram recebidos pela Diretoria da entidade. Ao Jornal Nippak, o presidente Tadayoshi Hanada disse que a ideia era preparar uma recepção “digna das duas maiores autoridades japonesas no Brasil”, mas por conta da pandemia acabou restringindo o convite para 10 pessoas.
“Foi uma grande honra para todos nós da comunidade japonesa de Campinas recepcionar a comitiva. Tive o privilégio de conversar particularmente com eles e em seguida tivemos uma reunião com mais pessoas, onde cada um teve oportunidade de falar”, disse Hanada, explicando que, depois do almoço no Nipo, as autoridades visitaram as instalações do clube e as Praças Cerejeiras de Gifu e a Hideyo Noguchi.
À tarde, o embaixador esteve no Cnpem, onde foi recebido pelo diretor-geral Antonio José Roque, que falou sobre as atividades do centro e apresentou o Sirius, o acelerador síncrotron brasileiro. De lá, o embaixador e o cônsul fizeram uma visita de cortesia ao prefeito Dário Saadi.

Akira Yamada e Ryosuke Kuwana com o prefeito de Campinas (Eduardo Lopes/PMC)

Na Prefeitura, Dário disse que o município está de “portas abertas e muito felizes com a visita”. “Grandes empresas japonesas, como a Toyota e a Honda, estão instaladas na nossa região metropolitana, e nos sentimos muito honrados com isso”, afirmou o prefeito, que colocou a Prefeitura à disposição do Consulado “em especial para o intercâmbio comercial e científico”.
Na quinta-feira à noite, Akira Yamada participou de um jantar na Residência Oficial do Cônsul, na zona Sul de São Paulo, com representantes da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, entre eles o atual presidente, Leandro Hattori, e o presidente da gestão 2020-2021, Tério Uehara, além do precursor da bolsa, o ex-desembargador Kazuo Watanabe.

Akira Yamada e o cônsul Ryosuke Kuwana no jantar com kenshuseis na Residência do Cônsul (Facebook/Embaixada do Japão)

Retomando as viagens – Akira Yamada disse ao Jornal Nippak que a intenção era ter visitado São Paulo em março deste ano, quando ele esteve no Rio de Janeiro. “Mas a situação da pandemia piorou e tive que cancelar a viagem”, disse ele, lembrando que começou a retomar as viagens este mês. “No início de agosto estive em Florianópolis, em Santa Catarina e no fim deste mês estarei em Goiânia [para participar do Festival de Bon Odori da Associação Nipo-Brasileira de Goiás]. Na primeira semana de setembro irei a Campo Grande e depois ao Amazonas. Estou recuperando um pouco [o tempo perdido]”, explicou o embaixador, afirmando que antes da pandemia costumava viajar pelo menos uma vez por mês.

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