Variedade de anzóis!

Diante do aumento do número de adeptos do pesque-solte, anzóis sem farpa já são encontradas com mais facilidade, nas lojas de pesca.

Por Mauro Yoshiaki Novalo

Até bem pouco tempo, utilizar anzol sem farpa seria inadmissível, e caso amassasse as farpas das garatéias da isca artificial, era tachado de inconsequente, isto para não citar outros adjetivos.
Com os peixes diminuindo tanto em quantidade como em tamanho, enquanto a pesca comercial considera a criação em cativeiro como uma das propostas, a pesca amadora abraça o pesque e solte. O pescador amador, acatando opiniões de especialistas, tenta de alguma maneira abater menos ou nenhum peixe, em comparação ao que acontecia anos atrás. Não deixam de comer peixe, pescam e liberam os espécimes capturados, preocupando-se em propiciar maiores chances de sobrevivência possíveis, imaginando desta forma poder continuar a praticar a atividade no futuro.
Para facilitar a empreitada, o anzol é um dos itens importantes para o processo, suas farpas se amassadas, possibilitam maiores chances de subsistência ao peixe, ao ofertar mais agilidade na soltura, pois sem as mesmas, a retirada do anzol é facilitada e rápida. Realizado com manuseio correto, a liberação da espécie segue em frente com grandes chances de sucesso.
E por que os anzóis já não vem sem farpa? A resposta esbarra no grande número de pessoas que literalmente ainda vivem do que pescam; da pesca comercial; e também porque embora muitos apreciem a idéia da liberação, associam “sem farpa = perder peixe durante a briga”.
De olho nesta fatia de mercado, fabricantes já os tem, ainda em pequeno número de modelos, nos seus respectivos catálogos, oferecendo ao consumidor para algumas modalidades de pesca.
Junto, com a aceitação gradual do uso de iscas artificiais em substituição a algumas naturais, cresce também o uso destes artefatos. Óbvio que se pode praticar o pesque e solte com iscas naturais, que são eficientes e eficazes tanto em água salgada como em água doce, isto não se discute!
Anzóis que antes tinham farpas até na haste, hoje apresentam modelos onde não se vê nenhuma fisga, com a intenção clara e lógica de soltar o peixe!

PROCEDIMENTOS

O anzol tem por finalidade espetar a boca do peixe e ser o elo de ligação com a linha mesmo que este lute e pule. Se a linha ficar tensionada, sem afrouxar, o anzol continuará cravado. Na teoria é tranquilo, mas na prática isto apresenta certas dificuldades. Em cima de um barco, um pouco mais de complicações, pois o pescador além de equilibrar-se, terá de acompanhar os movimentos do peixe.
O ideal para quem usar destes anzóis é manter a vara com a ponta apontada para cima, sempre de frente para os saltos do peixe, recolhendo a linha sem permitir a formação de muita barriga até o momento final do salto, depois é bom deixar um pouco solto e ter sobra, pois se o peixe cair sobre a linha, fatalmente se romperá se estiver esticado. Portanto caso sejam peixes saltadores, tanto de mar como água doce é muita atenção, quem já teve exemplares desses na ponta da linha, sabe como é. Adrenalina pura!!!
Na pescaria do black bass percebe que é comum o guia utilizar de um anzol com a farpa inteirinha, não para prender minhoca artificial e sim, para não deixar o anzol se soltar da boca do peixe nos saltos. Os anzóis utilizados nestas iscas são resistentes mas flexíveis, assim a chance do peixe escapar na briga é grande devido a própria elasticidade do artefato, que pode sair facilmente se não tiver a fisga.
O que fazer para substituir? É tentar acertar, ajustando proporcionalmente o tamanho do anzol com a boca do espécime, e ter muita atenção durante a briga. Outra maneira, é utilizar de modelos compatíveis com a isca plástica mas de constituição mais rígida.
Outro exemplo onde farpas são comuns, é na pescaria de robalos com camarão vivo, utilizando os anzóis wide gap – que como o utilizado para basses também são finos, resistentes e flexíveis. Se amassar a farpa, a adrenalina vai ser muito maior pois as chances do peixe escapar aumentam consideravelmente. Pela sua boca frágil, recomenda-se tamanho suficiente para perfurar e encaixar sem muita folga. Aqui também a experiência vai fazer muita diferença, requisito extremamente importante para definir o vencedor no final.

Para iscar

Isca natural mole e frágil (fácil de escapar do anzol), um pedaço de elastricot, linha de costura fina e em alguns casos um elástico (desses de dinheiro), resolvem o problema.
Isto evita também que caiam durante os arremessos, ou se desprendam facilmente com a mordida de pequenos peixes.

Pescaria de espera
O ideal é utilizar anzóis circulares – desenvolvidos para a pesca comercial – pois mesmo que sejam engolidos, não se prendem em áreas internas críticas. Trabalhados de maneira correta, cravam no “canivete (canto da boca). Não é necessário dar o famoso tranco, isto é, não executar o ato de fisgar. Ao perceber a linha esticando, travar o equipamento e empunhar firme a vara, para que o peixe tensione a linha. Com isto, o anzol se desloca e crava no ponto certo.

Corrico
Com isca natural e viva, a solução é aumentar o comprimento do empate para proteção contra os dentes. No caso de iscas mortas, usar os anzóis de haste longa.
Traíras, dourados, matrinxãs e outros com dentição afiada
Sejam eles de água doce ou salgada, é estimar o tamanho dos exemplares e adotar o modelo adequado para a pescaria. Para os citados, o Maruseigo é uma boa escolha. Redondos (pacus, tambaquis), sargos de beiço etc., é usar modelo shinu, que além da haste curta, são reforçados o suficiente para aguentar a forte mordedura destes espécimes.

Iscas artificiais
As nacionais já vem com as garatéias dimensionadas para os tamanhos dos nossos peixes, e estas se estiverem sem farpas, no duelo com peixes saltadores, a chance de serem lançadas fora da boca é grande. Dependendo da espécie, a simples troca por um anzol simples, resultará em mais capturas se comparadas com as garatéias.
Já para as que trabalham no fundo, sejam pescarias de água doce ou salgada, garatéias são fáceis de enroscar, no caso de existirem pedras e galhadas submersas. Com anzóis simples, montados com “assist hook” ou “suport hook”, estes obstáculos podem ser contornados.

Assist hook
Trocam-se as garatéias originalmente fornecidas com as iscas, por um ou 2 conjuntos de anzóis colocados na argola dianteira. Sem gancho na extremidade final e com anzóis voltados para o corpo da isca, a chance de enrosco diminui nos trabalhos rente ao fundo.
Peixes de grande porte, se o anzol:
– cravar em áreas difíceis de serem alcançados. Manter o peixe dentro d’água, e cortar a linha com folga, de modo que não possa entrar pela boca (funcionar como agulha) e perfurar partes internas do peixe.
– na pescaria em água salgada, for feito de material altamente propício a oxidação, é liberar com o mesmo cravado na boca, pois em poucos dias o peixe se verá livre do mesmo.

Dicas
Dimensionar o equipamento a utilizar, pois se for pesado demais, resultará em pouca emoção. Caso seja muito leve, apesar da alta adrenalina, poderá cansar demais o espécime durante a briga e ocasionar a sua morte.
Molhar as mãos para manusear o peixe; segurar o peixe posicionando na horizontal quando for fotografar e mantê-lo fora d’água no menor tempo possível. Para retirar a isca artificial ou anzol, melhor fazer isso sem retirá-lo da água.
Se não achar o anzol pretendido na versão sem farpa, amassar com alicate a fisga do que usa, o efeito é o mesmo.
Considerar que se o anzol cravar em alguém ou em você mesmo, será muito mais fácil, rápido e menos dolorido de retirar, se não tiver a farpa.
Ótimas pescarias!!!


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