TRADIÇÃO: Ato solene na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo celebra o Dia do Samurai

Em comemoração à instituição do Dia do Samurai, agora em âmbito estadual, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) realizou, no último dia 15, no Auditório Paulo Kobayashi, Ato Solene promovido pelo deputado Coronel Nishikawa (PSL) e que contou com a presença de representantes do Instituto Niten e do presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Renato Ishikawa
O Projeto Lei número 1245/2019 foi sancionado pelo governador João Dória no dia 5 de março deste ano e publicado no Diário Oficial do Estado de SP no dia 6 de março sob a Lei número 17.328. Ao justificar o projeto, o Coronel Nishikawa disse que “a importância de nós comemoramos o Dia do Samurai é que é uma tradição”. “São heróis, considerados como heróis japoneses que conseguiram unificar o Japão. Nós respeitamos as tradições japonesas mesmo porque sou descendente de japoneses – meus pais são japoneses”, explicou o parlamentar, acrescentando que “estamos cumprindo a nossa missão conforme os meus preceitos”.
A data já é comemorado nos Estados do Amazonas, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro e nos municípios de Piracicaba, Ribeirão Preto e Campinas. Na capital paulista, o Dia do Samurai é comemorado desde 2005, quando foi instituído pelo então vereador William Woo.
A data é sempre no dia 24 de abril e refere-se ao aniversário do fundador do Instituto Niten, Jorge Kishikawa, que introduziu no Brasil o Kobudô, isto é, as tradições guerreiras dos samurais. Duas vezes pentacampeão brasileiro de kendô, Kishikawa não pode comparecer à cerimônia na Assembleia paulista devido a pandemia do coronavírus.
No início da solenidade, foi passado um vídeo, elaborado pela equipe do deputado Coronel Nishikawa, que mostrava informações sobre o Dia do Samurai e seu significado. “Eram pessoas que dedicavam suas vidas ao serviço com dignidade, honra e seriedade, guerreiros sempre prontos a defenderem seu país, sua vila e sua família”. Antes, o chefe do cerimonial, Carlos Takahashi, pediu um minuto de silêncio em homenagem aos familiares das vítimas da covid-19.

Reconhecimento – O deputado Coronel Nishikawa falou o motivo da realização do ato solene. “O Dia do Samurai, que criamos com muito prazer, para que houvesse na data de hoje, a outorga da comemoração da tradição samurai, desenvolvida através do Instituto Niten, em reconhecimento ao empenho em prol da difusão da tradição samurai no Estado de São Paulo e no Brasil, e esse evento significa uma grande conquista para nós bem como para o Instituto Niten”, disse, lembrando a contribuição do conselheiro e diretor da Abjica (Associação dos Ex-Bolsistas Jica-São Paulo), Massahaki Shimada, “que fez o intercâmbio com o Niten”.

Samurais modernos – Ao Jornal Nippak, Nishikawa destacou a importância da data explicando que “nos dias de hoje nós estamos deixando de lado valores como a honra, a ética e, principalmente, o espírito comunitário”. E justificou: “É importante resgatarmos essas tradições para que a cultura japonesa perdure para as próximas gerações. Essa é a grande importância de celebramos o Dia do Samurai”, comentou Nishikawa, acrescentando que os samurais modernos têm muito a nos transmitir nos dias atuais, “principalmente em termos de disciplina”.
Representando o Instituto Niten – que possui 56 unidades espalhadas por 5 países (incluindo o Egito), o coordenador Maurício Sakura falou sobre os valores da cultura japonesa. “O Sensei Jorge Kishikawa resgatou e ensinou valores do Japão e samurais, como a cultura da coragem, honra, lealdade e busca da sabedoria, valores estes que poderão ser úteis para a evolução do ser humano, auxiliando a enfrentar esse momento difícil em que vivemos. Essa homenagem não é somente para o Sensei Jorge Kishikawa e o Instituto Niten, é para toda a comunidade japonesa em nosso país”, disse.

Homenageados – Durante o ato solene, foram entregues 20 diplomas de honra alusivos ao Dia do Samurai. Entre os homenageados por preservar e difundir a tradição e valores dos samurais estavam o próprio presidente do Bunkyo (Renato Ishikawa); o assessor especial da presidência da Associação Comercial de São Paulo, Carlos Kendi Fukuhara; o presidente da Comissão Organizadora do Festival do Japão, José Taniguti; os professores Sunao Sato e Guenji Yamazoe; Kenji Kiyohara, da Associação Kumamoto Kenjin do Brasil; Shindi Yonamine, fundador e presidente da WUB (Worldwide Business Association Brasil) e Embaixador da Boa Vontade de Okinawa (Japão) desde 1990; Daniela Jaqueline Shimada; Jiro Kimura e Liyoiti Matsunaga.
Destaque ainda para as homenagens póstumas ao ex-professor de judô (9º Dan). Miguel Suganuma (falecido em agosto deste ano) e ao ex-deputado estadual Hatiro Shimomoto (que faleceu em junho deste ano). O diploma a Hatiro Shimomoto foi entregue à viúva do saudoso parlamentar, Dona Tieko Shimomoto, que estava acompanhada do filho, Márcio Shimomoto.
Vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Márcio Shimomoto disse que seu pai certamente deve ter ficado feliz. “Ele que sempre trabalhou em prol da cultura japonesa e fazia questão de divulgar os valores presentes do código de honra dos samurais, o Bushidô, também aos não descendentes de japoneses”, destacou Márcio.

Museu e Pavilhão – Em seguida, discursando em nome de todos os homenageados, Renato Ishikawa destacou que o Bunkyo tem como missão “divulgar aqui no Brasil a cultura japonesa e divulgar a cultura brasileira no Japão” e lembrou que chegou a praticar kendô “com sete ou oito anos de idade”. “O ensinamento que trago em toda minha vida é o bushido, que tem importantes características como lealdade, humildade e respeito”, disse o presidente do Bunkyo, que manifestou seu respeito “a todos que não tem sangue japonês mas amam a cultura japonesa”.
“São vocês que verdadeiramente dignificam e preservam a cultura japonesa”, comentou Ishikawa, que fez um convite para que todos visitem dois equipamentos administrados pelo Bunkyo: o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, localizado no Edifício Bunkyo, no bairro da Liberdade, onde é possível conhecer um pouco mais sobre a história da imigração japonesa no país, e o Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera, construído conjuntamente pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira e doado à cidade de São Paulo, em 1954, na comemoração do IV Centenário de sua fundação.

Importância – Símbolo da amizade entre os dois povos e da “reunificação da comunidade nipo-brasileira no pós-guerra”, a construção, lembrou Ishikawa, tem como uma de suas principais características o uso de técnicas tradicionais japonesas de encaixe de madeira utilizando como referência o Palácio Katsura, antiga residência de verão do Imperador em Kyoto. “Não à toa, destacou o presidente do Bunkyo, o Pavilhão, que recentemente foi todo reformado e recebeu obras de acessibilidade, é muito visitado por estudantes de arquitetura.
Encerrando a solenidade, o deputado Nishikawa falou que “muitos não dão valor, mas a cultura japonesa é importante, e nós vamos seguir difundindo, principalmente através de associações como o Bunkyo”.

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