Tenkara e suas particularidades!

Conferindo mais alguns detalhes da modalidade.

Por: Mauro Yoshiaki Novalo

Continuando o assunto da semana passada, saiba mais algumas características e veja a simplicidade deste conceito de pesca.

VARAS
São varas telescópicas projetadas e dimensionadas para a técnica de casteio, variando em comprimento de 6’0″ (1,80m) até 13’5″ (mais ou menos 4,00m). Podem apresentar cabo longo em cortiça ou mistos com EVA, com as seguintes ações:
5:5 – Varas lentas, vergando mais ou menos 50%
6:4 – Varas moderadas, vergando + ou – 40%
7:3 – Varas rápidas, vergam + ou – 30%
8:2 – Varas extra-rápidas, vergam + ou – 20%

Podem suportar de 6 a 8 lb, o que indica brigas com peixes de até 2,5 a 3,0 kg, porém aí o pescador vai ter que trabalhar muito, pois além de estar no limite, tem somente alguns metros de linha para aguentar as corridas e pulos do peixe (vai usar o trabalho da envergadura da vara). Fora a experiência, vai precisar de muita habilidade.

Uma boa indicação de ação talvez seja a 7:3 por ser adequada à pesca no Brasil, onde, ás vezes, entram peixes maiores e precisará de boa capacidade de tração da vara.

Qualquer vara telescópica pode ser ou transformar-se em tenkara?

A resposta é não. Algumas servem, outras não. Melhor adquirir o produto já finalizado, do que partir para experiências que podem sair mais caras. Pois além do investimento $$$ e do tempo para pesquisar, conferir e confeccionar, será desanimador caso o modelo escolhido não funcione corretamente, pois precisam de detalhes muito específicos, que só podem ser mensurados por um rod builder ou pescador experiente da modalidade.

LINHAS

A tenkara é livre quando se fala sobre técnica e linhas, então sobre a montagem das mesmas, cada um monta e trabalha do seu jeito e a sua preferência. Normalmente, são utilizadas linhas torcidas do tamanho da vara ou pouco mais, com pré-tippet de + ou – 50cm e como tippet, monofilamento de no máximo 1,50m, embora isto seja muito particular, pois cada um usa como e de forma a se adaptar melhor.

Para unir pré-tippet ao tippet, a sugestão é um simples “loop to loop”. Assim mantém-se o comprimento do primeiro, não precisando cortá-lo, cada vez que tiver que trocar o tippet.

Tradicionalmente as tenkaras usam linhas torcidas cônicas similares a líderes de fly, começando grossas e terminando finas onde recebem um pré-tippet de nylon monofilamento de bitola ao redor de 0,35mm, de no máximo dois palmos e depois um tippet de 1 a 1,5m. Variando, dependendo da vara e do peixe a ser pescado de 3 a 6X (nomenclatura de fly), trocando em miúdos, nylon monofilamento de 0,16 a 0,22mm, que funciona como um fusível para rebentar, se entrar um peixe grande além da capacidade da vara.
No Brasil alguns denominaram esta linha tradicional de tenkara como PB, cuja característica é fazer uma apresentação suave da mosca, no caso “kebari”.

Outro modelo criado é a linha trançada ou enrolada com peso maior localizado a frente (similar a uma WF de fly) que casteia melhor em situações de vento, e ainda com boa apresentação da mosca, modelo hoje copiado nos EUA, denominado de PF (peso frontal ou peso a frente).

Além destas, podem eventualmente ser usadas outras linhas:
-running line de fly
-fluorocarbono, variando em bitolas de 0,35 a 0,45mm
-shock leader de nylon, variando de 0,45 a 0,60mm

Disponível no mercado internacional, você tem a disposição, linhas de titânio, exclusivas para alguns tipos de pescarias com tenkara.

No país, a modalidade encontra-se em fase inicial de crescimento, com poucos e raros estudos com os nossos peixes. Mas vira e mexe ouvimos relatos sobre brasileiros pescando na patagônia argentina com tenkaras tupiniquins, aliás as primeiras narrativas oficiais de pesca da modalidade por lá.

Não pensem que é uma técnica exclusiva para trutas, apesar de ser muito efetiva com elas, temos também escutado sobre pescarias de lambaris, saicangas, tilápias, apaiarís, pequenos tucunarés, piraputangas, pequenos dourados, pirapitingas do sul em Goiás, robalos, baby tarpons etc.

Cuidados
Montar a vara, puxando devagar um a um, os segmentos, sem pressa. EVITAR montar através de um único movimento de cima para baixo ou de lado, que embora muito mais prático e rápido, essa ação pode provocar travamento de alguma seção, impedindo fechar completamente para guardar depois.
Sempre manusear no menor tempo possível, o peixe fora d’água, pois depois de uma boa briga certamente estará exausto. De preferência liberá-lo sem retirar d’água. Se for fotografar é deixar tudo já preparado previamente.
Ótimas pescarias!!!


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