Reunião em março entre o Kenren e a GL deve definir rumos da 23ª edição do Festival do Japão

Festival do Japão é considerado um dos principais eventos do Estado de São Paulo (arquivo/Aldo Shiguti)

Realizar ou não a 23ª edição do Festival do Japão. Eis aí uma questão bastante complicada. Que o diga o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), entidade responsável pelo maior evento de cultura japonesa do mundo que acontece anualmente no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na zona Sul de São Paulo.
Postergado de 2020 para este ano por conta da pandemia, a 23ª edição está confirmada, por enquanto, para os dias 9, 10 e 11 de julho. Pelo menos até meados de março, quando deve ocorrer uma reunião de reavaliação entre a GL events, grupo francês que administra o espaço, e o Kenren. Essa reunião de reavaliação já estava prevista desde o final do ano passado.
Isso porque, apesar de afirmar que o Festival do Japão continua programado para acontecer em julho deste ano, o presidente do Kenren, Toshio Ichikawa, admite que existe a possibilidade de um novo adiamento “tanto que devemos pensar seriamente na necessidade de viabilizar um Plano B”.
Para Ichikawa, a GL só deverá concordar em postergar novamente o evento “se tiver uma força maior”. “Da nossa parte, não gostaríamos de executar o projeto sem que tenhamos um horizonte confiável”, conta Ichikawa.
Entenda-se por confiável não só uma melhora nos números de óbitos e transmissões em São Paulo como também a retomada da economia. Por isso, Ichikawa afirma que ainda é prematuro falar sobre um novo adiamento, mas a preocupação é real, caso permaneça o cenário atual.
A preocupação é preservar um dos principais eventos da cidade de São Paulo e afastar riscos desnecessários, além de evitar um novo prejuízo como aconteceu em 2020, quando foram gastos cerca de R$ 400 mil somente em material de divulgação em um evento que acabou não acontecendo. “É um dinheiro que não tem retorno”, diz Ichikawa, explicando que outra preocupação é quanto a multas contratuais, já que foram pagos R$ 1.275.000,00 de forma antecipada pela locação do espaço.
Para o presidente da Comissão Executiva do Festival do Japão, José Taniguti, “se fizermos [o Festival], já sabemos do grande risco que corremos: o inevitável prejuízo”. “Então, seria prudente não arriscar”, aconselha, lembrando que, na última reunião realizada no dia 28 de janeiro com os representantes dos Kenjinkais (Daihyosha Kaigui), alguns representantes de associações já se posicionaram contrários ao evento presencial. A alegação é que a maioria dos associados pertencem ao grupo de risco e o receio é muito grande.

Reunião – Nesta mesma reunião, Toshio Ichikawa falou sobre o cenário 2020-2021 e fez uma longa exposição sobre o Plano Nacional de Imunização (PNI), as fases (vermelha, laranja, amarela, verde e azul) do Plano São Paulo, sobre o contrato com a GL e sobre a portaria 1.041 de 02 de outubro de 2020, que “autoriza, nos termos dos protocolos sanitários anexos, a retomada da presença de público nas atividades desenvolvidas pelos seguintes setores culturais: Cinemas; Teatros, casas de espetáculo e similares; Museus, galerias e similares; Bibliotecas; Eventos, exceto festas; e Equipamentos culturais multifuncionais”.
Ao Jornal Nippak, Toshio Ichikawa disse que detalhou o protocolo de reabertura do setor de Eventos, que inclui convenções, seminários, workshops, palestras, feiras de artesanato, gastronômicas, de negócios e similares. Em especial, citou o trecho que regula a presença de público. De acordo com o texto da portaria, “permanecem vedados eventos com mais de 2000 (duas mil) pessoas até que o município evolua no combate à covid-19”.
Taniguti disse que também enfatizou a questão da vacinação e a dificuldade de conseguir patrocinadores. Uma outra preocupação levantada por Toshio Ichikawa e por José Taniguti refere-se à eventual dificuldade em se conseguir, junto a órgãos da Prefeitura, o Alvará de Funcionamento Temporário, que deve ser concedido dias antes do evento. Caso o índice de vacinação continue abaixo do esperado e continuem valendo as determinações impostas pelas autoridades sanitárias para a realização de eventos, a expectativa – otimista – é solicitar autorização para 15 mil pessoas/dia – ou 50 mil pessoas nos três dias, bem inferior aos 192 mil visitantes em 2019.

Plano B – Mas, como explica Toshio Ichikawa, nada está decidido e até agora não existe um consenso. “São situações que não dependem do Kenren nem da GL”, disse Ichikawa, que negou a existência de um “Plano B” – ideia levantada pelo presidente da Comissão Executiva, José Taniguti – e divulgada pelo Jornal Nippak –, de fazer um evento com venda de comida nos Kenjinkais ou no próprio Festival do Japão.
Taniguti conta que essa ideia já foi apresentada para os kenjinkais, “que simplesmente ouviram a proposta mas não se manifestaram. “Foi falado ao final [da reunião] que aqueles que tiverem interesse em participar que dessem seus nomes na secretaria do Kenren”, disse Taniguti. Já Toshio Ichikawa afirmou que, caso seja apresentado um Plano B, “começaremos a planejar do zero”.
Para Ichikawa, de qualquer forma, seja neste ano ou em 2022, o Festival do Japão nos moldes que ficou conhecido não existirá mais. “Imagino um evento novo e totalmente diferente. Será necessário desenvolvermos um trabalho de retomada de confiança”, destaca, acrescentando que uma da ideia é a realização de pequenos eventos ao longo deste ano. “É uma maneira suave de fazer esta transição gradativa para gerar confiança até a retomada. Mas para isso, será importante também que o país retome a economia”, diz Ichikawa.

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