Renato Ishikawa deixa a presidência do Hospital Santa Cruz; Mário Sato assume e mira desafios

Renato Ishikawa, que ficou no cargo por três mandatos, e seu sucessor, Mário Sato (Aldo Shiguti)

Às vésperas de completar 82 anos de fundação – 29 de abril de 1939 –, o Hospital Santa Cruz elegeu, na noite desta segunda-feira, 15, em Assembleia Geral Ordinária realizada de forma online, sua nova Diretoria para o triênio 2021-2024. Depois de três mandatos – ou quase dez anos (de outubro de 2011 a março de 2021) – o empresário Renato Ishikawa deixa o cargo de presidente para assumir a presidência do Conselho Deliberativo da instituição. Em seu lugar tomou posse o economista Mario Sato, que ocupou o cargo de 1º vice-presidente na gestão passada.
E ele assume com dois desafios pela frente. O primeiro, é claro, suceder Renato Ishikawa, que teve uma passagem vitoriosa pelo hospital. “Substituir o Dr. Renato Ishikawa, que tem uma trajetória bem sucedida não só na carreira empresarial por onde passou mas também na área do voluntariado, será sempre um grande desafio. O que me tranquiliza é saber que poderemos contar com sua ajuda e ideias brilhantes sempre que precisarmos”, diz Sato, que também terá a missão de administrar o HSC no auge da pandemia.
“Sem dúvida que é um grande desafio, mas nesses momentos nós temos que ser positivos. Os problemas estão aí para serem solucionados”, explica ele, afirmando que as UTIs para pacientes com covid-19 estão lotadas.

Mário Sato: ”O Hospital Santa Cruz é diferenciado” (Aldo Shiguti)

Paranaense de Maringá, o sansei Mário Sato, de 65 anos, é formado em Economia com pós-graduação no Japão. Sua trajetória profissional teve início em um banco, mais especificamente no Banco América do Sul, ainda na sua cidade natal. Depois, foi transferido para a matriz, na capital paulista e posteriormente para Brasília onde atuou por 13 anos como representante do sistema financeiro do América do Sul e “informalmente” como representante da Câmara de Comércio Brasil-Japão. Trabalhou ainda como assessor especial do Incra durante três anos e em 2020 criou sua própria empresa de consultoria, que comanda até hoje.

Legado – Sua relação com o Hospital Santa Cruz teve inicio na gestão do economista Paulo Yokota, que presidiu a instituição de 2000 a 2003. Saiu e retornou no segundo mandato de Renato Ishikawa (2015-2018).
“Nesses seis acompanhando o Renato Ishikawa, que dá muita liberdade pra gente trabalhar e tomar iniciativas, tive oportunidade de assimilar muitos conhecimentos e, principalmente a sua postura positiva em relação a todos os problemas que vão surgindo. Apesar de seus 82 anos, ele é incansável e o que fica para mim é essa energia de enfrentar as situações sempre de forma positiva. E esse espírito é fundamental nesses trabalhos voluntários em que a gente não visa ganhos pessoais”, conta Mario Sato, acrescentando que essa convivência é o que o motiva levar adiante esse legado deixado pelo seu antecessor.
E olha que não é pouca coisa. Na realidade, Renato Ishikawa assumiu a presidência com a missão de resgatar a credibilidade do Hospital Santa Cruz, que enfrentava um período particularmente turbulento, com denúncias de má gestão e descontentamentos do corpo clínico, além de uma enorme dívida da instituição.
“Tive que acertar tudo isso. No início foi difícil”, lembra Ishikawa que, para apaziguar o ambiente teve que fazer muitas reuniões e promover mudanças na administração. Com transparência, logo conquistou a confiança de todos.

Poço artesiano e geradores – Outra questão que incomodava bastante era a saúde financeira do hospital. Renegociamos a dívida a juros mais baixos e por um tempo maior. Nesse período dobramos o faturamento”, conta Ishikawa, destacando que no ano passado o faturamento foi de 250 milhões. Aos poucos, foi conseguindo impor sua marca e que o tornou respeitado tanto na Ericsson como na Nec do Brasil e mais recentemente no comando da CNL Empreendimentos. e na Fazenda Aliança
“Uma das primeiras coisas que fiz foi colocar três geradores porque, quando faltava energia elétrica, o pessoal da manutenção saia correndo para puxar extensão para quem precisasse de respiração mecânica. Era uma loucura. Não tínhamos dinheiro mas não podíamos ficar naquela situação”, conta Ishikawa, explicando que os nobreaks estão lá até hoje.
“Fizemos depois o segundo poço artesiano para garantir o abastecimento de água e começamos também as reformas dos apartamentos, além de promovermos a eficiência das salas”, diz Renato, que cita, com orgulho, duas publicações – uma em português e outra em japonês – sobre a história do HSC   como um de seus principais legados.

Rio-2016 – “Cada pessoa contava um pouquinho sobre a história do Santa Cruz. A Yuli Fujimura pessoalmente tinha muita história. Além de trabalhar lá há muito tempo – era uma das funcionárias mais antigas – a irmã dela foi uma das primeiras enfermeiras do HSC. Então ela tinha muitas informações. O Paulo Yokota também tinha mais informações, assim como o Akihiro Ikeda e o Masato Ninomiya. Pensei, então, em transformar essas histórias em um livro. Primeiro saiu a edição em português e depois a japonesa, que foi enviada para o Japão”, destaca Renato, lembrando que outro motivo de orgulho foi a atuação do HSC nos Jogos Olímpicos Rio-2016, quando a instituição ofereceu suporte médico-hospitalar aos turistas japoneses e teve seu trabalho reconhecido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.
Renato Ishikawa destaca ainda outras conquistas que ajudaram o HSC a ser a referência que é hoje “São trabalhos que tinham que ser feitos”, como a obtenção do Cebas (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) e a regularização da documentação do prédio.

Renato Ishikawa, que assume agora a presidência do Conselho Deliberativo do Hospital Santa Cruz (divulgação)

Omotenashi – “Não podíamos expandir porque não tínhamos o habite-se. Conseguimos com a ajuda do vereador Aurélio Nomura. Nunca ninguém havia se preocupado em fazer isso, mas tinha que ser feito”, conta Renato Ishikawa, que também procurou focar sua administração no relacionamento humano, voltado para as pessoas.
“Acho que isso é o mais importante: o atendimento humanizado, como o ‘Jeito Santa Cruz de Atender’, que se baseia no omotenashi, expressão japonesa que pode ser traduzida como hospitalidade. O agradecimento e o reconhecimento de uma pessoa é o mais importante. É para isso que trabalhamos voluntariamente”, diz Ishikawa, que implantou também, em parceria com a Toyota, o TPS (Toyota Production System) com o objetivo de atender as necessidades dos pacientes dentro de um menor prazo possível.
Outro ponto alto de sua administração foi o intercâmbio cientifico com importantes instituições japonesas , com destaques para as Universidades de Keio, Osaka, Tsukuba e Kyushu, consolidando o Hospital Santa Cruz como uma das mais modernas instituições hospitalares do país na área de pesquisas.
A lamentar apenas o fato de não ter conseguido lançar a pedra fundamental do projeto de expansão do HSC. O projeto, explica, que deve ampliar a capacidade do hospital dos atuais 170 para 310 leitos e resolver de vez um dos “gargalos” da instituição, o estacionamento – que será triplicado – já está pronto. Assim como o moderno centro de oncologia, cujo projeto já foi aprovado pela Jica – em torno de R$ 15 milhões – e deve tornar o HSC em uma referência no setor.

Diferenciado – O que deixa Renato Ishikawa tranquilo é o fato de que os projetos, bem como o próprio Hospital Santa Cruz, vão continuar avançando e se adequando aos novos tempos, agora, com Mário Sato.
“Além de dar continuidade a todos os projetos, devemos lembrar sempre que o Hospital Santa Cruz é diferenciado. Ele foi inaugurado em 1939 com ajuda da Casa Imperial do Japão e da comunidade nipo-brasileira. Essa história tem que ser valorizada e ser uma marca do HSC. Devemos sempre lembrar nossa missão de devolver isso para os mais necessitados”, diz Mario Sato, afirmando que pretende também intensificar o relacionamento da instituição com outras entidades nipo-brasileiras, como o Kenren e o próprio Bunkyo.

Aos meus amigos do Hospital Santa Cruz

Ishikawa: “Ainda existe muito a fazer” (divulgação)

Agora sinto que os quase dez anos de outubro de 2011 até março de 2021, passaram muito rápido. Relembrando minha trajetória, vem a minha memória muitas coisas que foram feitas.
Foi uma fase, quase uma década, importante da minha vida, muitas alegrias de conhecer pessoas, fazer amigos, e momentos de grandes preocupações e tristezas que também fazem parte. Esta carta é de agradecimento, por cada um de vocês que me apoiaram durante toda esta jornada, três ciclos de mandatos como Presidente.
É verdade que muitas coisas foram feitas e olha que tem muito a fazer ainda. Obra da qual me orgulho muito é deixar um legado em forma de um livro, um na língua portuguesa e outro na língua japonesa a HISTÓRIA DO HSC.
Os investimentos estão todos aí, feitos na infraestrutura, nas obras do prédio e novos equipamentos. Tangíveis e visíveis portanto não precisam ser citados.
Na minha opinião o mais importante são os valores intangíveis, como: relacionamento com a comunidade, relações com o Governo Brasileiro e Japonês, parceria com as Universidades, criação de um ambiente de trabalho harmônico, melhora dos processos com 5´S, Kaizen, TPS – Toyota Production System, atendimento humanizado – “Jeito Santa Cruz de Atender”, refeição japonesa – washoku, são apenas algumas mudanças dentre tantas.
Ainda quero lembrar, o HSC como Entidade Filantrópica: obtenção do CEBAS, grandes economias com as isenções e ou imunidades tributárias, valores que chegam a dezenas de milhões de reais.
Outro ponto importante, a regularização perante a prefeitura, da construção do prédio do HSC, que após 80 anos, finalmente conseguimos regularizar visando a averbação na matrícula do terreno e a obtenção do “habite-se”, possibilitando o projeto de expansão.
Quanto a venda do Plasac foi uma decisão importante para a regularização de nossa condição perante a lei como Entidade Filantrópica sem fins lucrativos.
Enfim, como já disse, fizemos muito, mas ainda existe muito a fazer.
Quero terminar agradecendo muito a cada um de vocês pelo apoio e companheirismo durante a minha gestão.
Tive a sorte de ter grandes executivos ao meu lado na diretoria que não posso deixar de agradecer e peço desculpas por não citar os nomes destes líderes que me acompanharam me dando grande apoio nestes anos todos.
Fico feliz em compartilhar com vocês que continuaremos juntos, agora como Presidente do Conselho Deliberativo, e vamos trabalhar muito em prol do nosso Hospital Santa Cruz, desfrutando o que é mais importante: a amizade de cada um de vocês.
Expresso meu agradecimento primeiramente a DEUS por me privilegiar com saúde, me permitindo trabalhar muito apesar da minha idade avançada. Agradeço a minha esposa e família, pelo apoio e compreensão em minhas constantes ausências durante os trabalhos intensos e viagens.

Renato Ishikawa
Presidente do Conselho Deliberativo

DIRETORIA SANTA CRUZ

Diretor Presidente: Mário Sato
1º Diretor Vice-Presidente: Koshiro Nishikuni
2º Diretor Vice-Presidente: Herberto Macoto Yamamuro
1º Diretor Financeiro: Shinji Tsuchiya
2º Diretor Financeiro: João Yanase
1º Diretor Administrativo: Luís Masuo Maruta
2º Diretor Administrativo: Áurea Christine Tanaka
Diretor de Marketing: Wilson Mendes da Veiga
1º Diretor Suplente: Sandra Hiroko Watanabe
2º Diretor Suplente: Paolo Marcello Re
3º Diretor Suplente: Salvatore Sposato

Comentários
Loading...