Reformado, Pavilhão Japonês reabre ao público neste sábado com mostra de bonsai

Cláudio Kurita e a curadora Ágata Takiya: ideia é fazer com que o Pavilhão dialogue com o parque (Aldo Shiguti)

Com a retomada gradativa das atividades presenciais no Estado de São Paulo, os paulistanos vão poder contar novamente com mais um espaço de lazer e cultura a partir deste sábado, 2. Trata-se do Pavilhão Japonês, localizado dentro do Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo), que reabrirá seus portões de cara nova depois de ficar praticamente um ano e meio fechado por conta da pandemia. Nesse período, o Pavilhão – construído pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira e doado à cidade de São Paulo, em 1954, na comemoração do IV Centenário de sua fundação – passou por uma grande reforma, incluindo obras de acessibilidade.
E a reabertura promete ser em grande estilo com a exposição “Bonsai – Forma e Tempo”, no jardim que circunda suas instalações. Segundo a arquiteta e curadora da exposição, Ágata Takiya, será a maior do gênero já realizada no Estado de São Paulo. No total, serão 40 espécies totalizando 100 peças. A última grande exposição de bonsai na cidade, com cerca de 80 peças, também foi realizada no Pavilhão Japonês. De acordo com Ágata, esta oitava edição reunirá exemplares da empresa especializada Bonsai Kai e ficará aberta ao público até 21 de novembro, de quinta a domingo, das 10 às 17 horas.
O horário de funcionamento, aliás, é uma das novidades da nova política da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, presidida por Cláudio Kurita. Antes da pandemia, o local era aberto ao público somente às quartas, sábados e domingos.
Além de ganhar um dia, às quintas a entrada será gratuita para o público em geral – nos outros dias, para ter acesso ao Pavilhão será necessário pagar R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia entrada).

Cafeteria – Por sinal, o ingresso também apresenta mudanças. A partir do dia 2, ele dará direito ao visitante acessar o local quantas vezes quiser, ou seja, ele poderá entrar e sair sem precisar pagar uma nova entrada. “Entendemos que o parque é um lugar que oferece um cardápio de atividades onde o visitante pode passar o dia inteiro usufruindo de todos os equipamentos”, explica Kurita, destacando que, quando for reaberto ao público, também já estarão em funcionamento a cafeteria – que contará com as guloseimas da Na Na Ya – e uma loja de souvenirs.

Mudanças – Para Kurita, a possibilidade de a pessoa ir e vir quantas vezes desejar com um único ingresso favorece o que ele chama de “democratização do espaço”, além de proporcionar mais visibilidade e acessibilidade ao próprio Pavilhão, que antes passava “despercebido” pelos frequentadores do parque.

Diálogo – Agora, segundo Ágata Takiya, a proposta é fazer com que o Pavilhão Japonês “dialogue” com o parque. Para isso, foi retirada a cerca que impedia a vista do Pavilhão de quem estava do lado de fora – e vice e versa – e colocados mobiliários – cortesia da Tintas Coral – nos arredores, permitindo aos visitantes uma visão mais contemplativa da área próxima ao lago.
A entrada também ganhou um novo projeto. Através de uma parceria com a Urbia, empresa responsável pela gestão do Parque Ibirapuera, foi construída uma calçada até o portão de entrada do Pavilhão e que continua até terminar em uma rampa, permitindo o acesso de portadores de necessidades especiais ao recinto.
E por falar em acessibilidade, o Pavilhão também ganhou um elevador que permite pessoas com necessidades especiais acessem o segundo andar, onde é possível alimentar as carpas – hoje em torno de 250. Além da calçada, rampa e do elevador, também foi construído um novo banheiro acessível e reformado outros dois que já existiam.
De acordo com Kurita, na próxima semana deve ser instalado também um piso podotátil, idêntico ao que é encontrado nas estações de metrô de São Paulo.
Ele explica que as obras foram possíveis graças à emenda destinada pelo vereador Rodrigo Hayashi Goulart (PSD), no valor de R$ 110 mil, e à “Campanha Amigo”, protagonizado pelo Pavilhão ao lado do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. Também foram firmadas parcerias que permitiram promover outras melhorias, como com a Sera, que doou um novo sistema de filtros alemão para o tanque das carpas. A Nutricon também está contribuindo com a doação de ração para alimentar as carpas pelos próximos meses.
Além dos mobiliários, a Coral também doou as tintas para o projeto da artista plástica nikkei Érica Mizutani, responsável pela pintura do painel do lago das carpas. A criação, que tem o navio Santos Maru como destaque, é uma homenagem ao avô e também a todos os imigrantes japoneses.

Experiências culturais – Ágata Takiya, que também é coordenadora das Premiações do Instituto Tomie Ohtake, explica que, futuramente, a ideia é promover, no último final de semana de cada mês, experiências culturais japonesas, como a cerimônia do chá, mostra de filmes, sessões de meditações e exposições – como de ikebana. A “estreia”, ainda este ano, deve ser com um workshop gastronômico.

Potencial – Kurita destaca que a proposta não é abrir o Pavilhão “somente por abrir”. “Queremos explorar o potencial de visitação do Parque do Ibirapuera, que, em apenas um domingo, costuma receber cerca de 90 mil visitantes”, diz ele, lembrando que, antes da pandemia, o Pavilhão Japonês recebia, em média, cerca de 100 visitantes por dia. “O Pavilhão tem que se abrir, literalmente, porque a acessibilidade passa também por fazer um trabalho de mostrar aos visitantes do parque que o Pavilhão existe”, diz Kurita.

Visitas ao Pavilhão Japonês e Exposição “Bonsai – Forma e Tempo”
Local: Parque do Ibirapuera – portão 10 (Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº – São Paulo – SP)
Funcionamento: quinta-feira, sexta-feira, sábado, domingo e feriados
Horário: das 10h às 17h.
Informações: (11) 3208-1755 ou pavilhao@bunkyo.org.br
Contribuição
Adulto: R$ 15,00
Meia Entrada: R$ 7,50 (estudante com carteirinha; Idosos a partir de 60 anos e crianças de 5 a 12 anos)
Crianças até 4 anos: isento
Quinta-feira – Entrada Franca
doadores da “Campanha Amigo” poderão utilizar seus ingressos

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