FUKUSHIMA: Província atrai turistas com inúmeros festivais e belezas naturais

Considerada a terceira maior província do Japão, a província de Fukushima se localiza ao sul da região Tohoku, sendo banhada pelo Oceano Pacífico e apresentando diversas montanhas capazes de surpreender qualquer visitante e morador local. Apesar disso, sua história ainda é marcada pela tragédia de 2011 que provocou grande devastação e contaminação por radiação.
Devido às curiosas cidades fantasmas, aos centros históricos e às incontáveis belezas naturais proporcionadas pelas florestas, montes e estações bem definidas, o turismo era um ponto chave da economia, mas, não bastando, essa é sustentada também por outras múltiplas atividades, tais como: pesca, agricultura — ganhando fama em seus pêssegos e pepinos —, geração de energia elétrica e nuclear, e produção de softwares e dispositivos eletrônicos.
Com seu histórico de guerra, estados de superação e natureza sem igual, a província de Fukushima tem impressionado a todos e ensinado o quanto a determinação é importante para a revitalização de um lugar que há anos não era chamado de lar.

Curiosidades sobre a província de Fukushima
A província de Fukushima é uma das áreas que mais sofreu ataques e alterações, no decorrer de sua história, sendo palco de diversos momentos históricos comparados às cenas de filmes, compostas por muita luta, coragem, desespero e superação dos medos e dos problemas. Assim começa o trajeto para o conhecimento sobre a província que esconde cicatrizes por trás de suas belezas, culturas, tradições e festivais.

História da província de Fukushima

A Fukushima de hoje é um reflexo distante do que era há anos (divulgação)

A Fukushima conhecida atualmente, é um reflexo distante do que era há anos, quando ainda fazia parte da província de Mutsu. Tanto que ainda no século V, barreiras como Shirakawa e Nakoso foram construídas com o intuito de separar a tribo Emishi do “Japão da população do Norte, considerada bárbara, era contra a ideia de se aliar às tropas japonesas, provocando preconceito e guerras que duraram até o início do Período Heian (794 — 1185), momento em que a tribo foi derrotada e os muros deixaram de fazer sentido.
Entre os séculos IX e XII, houve o grande crescimento do número de centros budistas, fazendo com que a área se tornasse um importante ponto religioso, embora não tenha durado por muito tempo, já que a partir de 1868 o lugar foi palco da Guerra Boshin, último embate de samurais que deu início à construção do Japão moderno e evoluído dos dias atuais.
Com o fim da batalha, a reconstrução pacífica do país foi uma decisão simples e certeira, contudo, durante toda a disputa, ocorreu uma das tragédias mais marcantes relacionada ao grupo Byakkotai, chamado também de Tropa do Tigre Branco, composto por jovens guerreiros despreparados com idades entre 16 e 17 anos que buscaram refúgio em uma das montanhas próximas ao campo de luta. A fatalidade aconteceu, então, quando os garotos observaram fumaça vindo da direção do Castelo, os fazendo acreditar que o exército de Fukushima havia sido derrotado, o que consequentemente causou o suicídio de todos do refúgio que logo preferiram morrer a se entregar aos inimigos, algo que jamais aconteceria já que seus aliados saíram vitoriosos.
A partir da Restauração Meiji (1868 — 1900), Fukushima passou a ser uma província e sua economia sofreu uma enorme ampliação, se mantendo marcar pela história e pelas tradições, enquanto segue se desenvolvendo e investindo em tecnologia de ponta.

Aizu Matsuri e Soma Noma Oi

Festival Soma Noma Oi surgiu há mais de mil anos (divulgação)

Aizu Matsuri e Soma Noma Oi possuem origens em tempos diferentes, porém apresentam comemorações semelhantes, estando associados aos exércitos samurais e seus manejos com espadas.
O Soma Noma Oi surgiu há mil anos, como forma de representar os treinos das diversas tropas de samurais e a captura de cavalos selvagens, prática comum à uma região popular pela criação de equinos. Esse festival dura cerca de três dias e tem como atrações: as competições pega a bandeira, corridas e desfiles de trajes, atividades admiradas anualmente por um período muito curto, mas que possui uma história permanente no Museu da Cidade de Minamisoma.
Enquanto isso, Aizu Matsuri é um evento que apareceu apenas após a Guerra Boshin, se mostrando uma homenagem a todos os guerreiros, em especial à Tropa dos Tigres Brancos que tiveram suas vidas perdidas devido à coragem e lealdade ao Estado. Assim, caso possa presenciar essa festividade, se prepare para muitas emoções provocadas pelas apresentações de trajes, cenas da batalha, demonstração de uso da espada e conto da trajetória dos Byakkotai, serão momentos inesquecíveis.

Belezas naturais mais admiradas de Fukushima

Fukushima exibe paisagens repletas de flores de cerejeiras (divulgação)

A província de Fukushima exala belezas que vão além das obras humanas, exibindo paisagens e experiências divinas, repletas de montanhas, flores de cerejeiras, folhas avermelhadas de outono, vulcões e aves esplêndidas, tais como os cisnes. O encanto dessa província é algo sem fim, que varia de acordo com as estações e o local em que o viajante se encontra.
Algumas dicas para o itinerário do explorador que passa por essa região são: a cerejeira de mil anos Takizakura, localizada em Miharu, sendo símbolo de resiliência, superação e adaptação aos males, uma vez que sobreviveu até mesmo ao terremoto de 2011; e os lagos de Bandai, próximos à Urubandai e ao Parque Nacional de Oze, popular pelos cisnes imigrantes, paisagem montanhosa e diversas gramíneas em tons de outono. Além disso, aproveite para esquiar, realizar outras inúmeras caminhadas e quem sabe visitar algum onsen, em meio ao inverno gélido do local.

Cidades fantasmas

O terremoto de 2011 transformou algumas cidades em desertos (divulgação)

O terremoto seguido de tsunami que acometeu grande parte do Japão, trouxe à província de Fukushima uma série de dificuldades que foi capaz de transformar algumas cidades em completos desertos, compostos apenas por animais de fazenda espalhados pelas ruas e cães sem rumo. Isso porque, não bastando toda a devastação natural, ainda houve a contaminação do ar gerada pela destruição de usinas nucleares, o que fez com que muitos japoneses deixassem suas casas.
Alguns anos depois, as áreas isoladas foram consideradas seguras, após o processo de descontaminação, contudo muitas pessoas ainda temem por suas saúdes, evitando voltar às suas antigas residências, apesar dos imóveis barateados e dos incentivos financeiros do Estado.

Gastronomia e suas especiarias

(Divulgação)

A gastronomia de Fukushima é famosa por seus ensopados feitos a partir de suas matérias-primas: os legumes, os peixes e os frutos do mar, tendo como pratos populares o kozuyu e o kitakata ramen que podem ser acompanhados pelos tão desejados saquês locais que já chegaram a ser premiados quatro vezes consecutivas pelo Annual Japan Sake Awards (Prêmios Anuais de Saquê do Japão).
Ao provar essas delícias peculiares e explorar diversas paisagens, a visita à província de Fukushima garante aquecer o coração e a alma dos viajantes, ao mesmo tempo em que enche seus olhares de extrema apreciação de ambientes naturais e a mente de qualquer curioso com imagens e histórias jamais vistas e imaginadas.
(Mariana Kisaki)

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