Produtor de eventos e artistas nikkeis esperam ‘ansiosos’ pela retomada dos matsuris

O grupo Wadan Taiko Ensemble, que realizou sua primeira apresentação ao ar livre este ano (divulgação)

Realizado no último sábado, 24, no jardim do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, no Brás, o evento + Japão contou com uma programação híbrida, com atividades presenciais e virtuais. Com curadoria do produtor de eventos e diretor executivo da Tasa Eventos, Sergio Takao Sato, e apoio da Fundação Japão, o evento contou com apresentações artísticas, oficinas culinária e palestras.
Mais que uma oportunidade de aprender um pouco mais sobre a cultura do país nipônico, a diretora executiva da instituição, Alessandra Almeida, lembrou que o evento, que teve apresentação de Kendi Yamai, aconteceu na mesma semana da abertura dos Jogos Olímpicos da Tóquio 2020, “quando os olhos do mundo inteiro se voltam para o Japão”. Para ela, trata-se de um momento oportuno para descobrir um pouco mais sobre as tradições e os costumes deste país tão peculiar.
Ela destacou que o evento surgiu “por conta da história e da relação estreita entre o Museu da Imigração e o Japão”. “Esses laços são muitos distantes. Começaram lá no início do século com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil, quando eles foram acolhidos na antiga Hospedaria dos Imigrantes do Brás, hoje a sede do Museu da Imigração”, disse Alessandra.

Lugar especial – Para o diretor geral da Fundação Japão, Masaru Susaki, o Museu da Imigração é um “lugar especial” para ele. Além da cafeteria, que considera um espaço “adorável”, Susaki explica que o ambiente do museu é muito tranquilo. “Entre um passeio entre a arquitetura e os jardins, contemplando as impressionantes exposições é, possível imaginar os dramas e sofrimentos dos imigrantes japoneses bem como de todos os outros países do mundo”, disse.
Já o cônsul geral do Japão em São Paulo disse que ficou muito feliz com a iniciativa do museu, “que tem uma relação muito estreita com o Japão”. Ele manifestou seu respeito a todos os artistas e profissionais envolvidos no evento e também aos imigrantes “que trabalharam duro em terras brasileiras, preservando a cultura e os valores japoneses ao longo de diversas gerações”.
Ele agradeceu também ao “povo do Estado de São Paulo e de todo o Brasil pela generosidade em acolher os imigrantes japoneses e em valorizar e ajudar a divulgar a cultura japonesa”. “Me sinto muito orgulhoso em saber que a cultura japonesa está contribuindo para criar um novo dinamismo, enriquecendo ainda mais a diversidade cultural do Brasil, um dos países mais multiculturais do mundo”, destacou Ryosuke Kuwana.

Conexão – O evento + Japão foi também uma oportunidade para artistas como a cantora Karen Ito e o grupo de taiko Wadan Ensemble se apresentarem ao ao livre diante de plateia depois de um longo período de reclusão po conta da pandemia.
Uma das principais cantoras da comunidade nipo-brasileira e presença obrigatória em praticamente todos os matsuris, Karen Ito disse que foi a primeira gravação externa que participou desde março do ano passado. “Por ter pessoas na família que fazem parte do grupo de risco, fiquei praticamente o tempo todo em casa”, disse ela, lembrando que as poucas lives que participou foram internas.
“E assim mesmo, fazia uma e esperava 15 dias para poder participar de outra”, afirma ela, que não escondeu sua emoção de poder cantar em público novamente.. “Estou muito ansiosa e feliz de poder me apresentar. Não vejo a hora de todo mundo estar vacinado para gente poder se reencontrar logo”, comentou a cantora, que trajava um quimono azul estampado.
Quem também estava ansiosa era Akina Aoyama, líder do grupo de Taiko Wadan, que também se apresentou ao vivo no jardim do museu. “Por enquanto nós estamos fazendo tudo online, inclusive os shows com a criançada. Esta é a nossa segunda apresentação ao ar livre durante a pandemia. A sensação é muito diferente. É uma emoção sentir a conexão com as pessoas e saber que tem pessoas te olhando”, disse Akina, explicando que o grupo tem vários shows agendados. “Mas tudo vai depender de como estiver o cenário daqui para frente. Por enquanto ainda está oscilando muito”, afirmou.

Expectativa – Para o produtor de eventos Takao Sato, os matsuris devem ser retomados até o primeiro trimestre de 2022. Responsável por eventos como o Festival Nipo-Brasileiro da Acema (Associação Cultural e Esportiva de Maringá), o Geek & Matsuri Sesi Osasco, o Costão Matsuri – que este ano vai acontecer de forma presencial entre os dias 15 e 19 de agosto, em Florianópolis (SC) – o Jungle Matsuri de Manaus, o Indaiatuba Matsuri e o Rio Matsuri, Takao conta que está atento aos protocolos que estão sendo criados na Europa e Estados Unidos.
“Para participar de um evento é preciso que a pessoa comprove que está imunizada. De acordo com o Plano Nacional de Imunizações, até setembro todos os adultos com mais de 18 anos já devem ter tomado pelo menos a primeira dose. Isso significa que até dezembro todos terão tomado a segunda dose. Daí a tranquilidade de acreditar que vai acontecer o tradicional Réveillon em Copacabana, bem como o carnaval e os nossos matsuris”, disse Takao, lembrando que os últimos eventos presenciais que organizou foi o Rio Matsuri, em janeiro de 2020, no Riocentro, em parceria com a GL events, e o Geek & Matsuri Sesi Osasco.,

O que vem por aí – “Desde aquela época, isto é, de março de 2020 até hoje, nós estamos totalmente parados, sem realizar nenhum evento presencial. Mas isso não é só em relação aos matsuris. Todos estão na mesma situação”, conforma-se o produtor, que também organiza feira e congressos.
Para ele, quando os eventos forem retomados, haverá uma “sobreposição” de eventos. “O meu primeiro evento será o Rio Matsuri, que tradicionalmente acontece em janeiro, mas por conta da pandemia decidimos realizar na primeira semana de abril de 2022. Mas posso garantir que teremos muitas novidades. “Estamos em negociação com importantes cidades brasileiras, nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país. Mais matsuris significam mais shows para os artistas da comunidade nipo-brasileira, mais oportunidades de negócios para os expositores mas, principalmente, maior divulgação da cultura japonesa no Brasil”, disse Takao Sato.

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