Pescarias e suas variações #2 – Desembarcadas!

Hoje falaremos sobre, senão a mais popular, a mais praticada, a de barranco em água doce!

Por: Mauro Yoshiaki Novalo

A figura do pescador com roupa surrada e chapéu de palha, caminhando na estrada de terra, com um balde numa mão e a varinha de pesca na outra, é singular e representativa, é o que retorna no inconsciente das pessoas que digamos, um pouco mais experientes.
Trata-se da mais democrática e popular, onde se vê desde iniciantes até os mais experientes pescadores. Pela facilidade de acesso e quantidade de rios, lagoas, lagos e represas em todo o país, além é claro de todo o extenso litoral brasileiro (sobre as pescarias desembarcadas em água salgada falaremos em outra edição). Esta é a modalidade destacada a partir de agora.
É comum de se ver nas cidades mais afastadas das grandes capitais, os famosos “ranchos de pesca” reservados para pescarias em feriados ou finais de semana. Nestes, ainda é de praxe ajustar as datas quando vão se realizar as pescarias, para o “caseiro” preparar as cevas antecipadamente, e quando estas acontecerem, os pontos estarem “a ferver” de peixes.
Muitos ainda usam a linhada de mão como equipamento, e claro as tradicionais varas caipiras lisas (de bambu ou as telescópicas). Como é grande a quantidade de conjuntos de varas e molinetes ou carretilhas que abastecem as lojas de pesca, também é comum ver tudo isso depois com os pescadores na beira d’água.

Barranco
Esta modalidade, com exceção dos pesque pagues, talvez seja a que mais tenha sido afetada pelas variantes do progresso. É cada vez mais raro ver ao redor das grandes cidades, lagos e rios próximos onde seja possível praticar a pesca, seja por causa da poluição ou por não ser seguro (estar sujeito a roubos e etc.).
Como o principal motivo é ter um dia sem preocupações, precisar ficar sempre atento e observar o que acontece ao redor, procurando antecipar contratempos que não estejam ligados a pescaria, não é, digamos, o que o pescador idealiza.

Já nas cidades, principalmente do interior, ainda é comum articular uma pescaria nas beiras de rios e lagos, atrás dos lambaris, piabas e em alguns casos de traíras ou “lobós”, e não precisar se preocupar com mais nada além dos lanches, bebidas e o que irá usar como isca.
Simples no conceito, isto se aplica no equipamento, seja uma varinha de bambu colhida no próprio local, ou aquela especial, reservada e cuidada para esta finalidade. Locais com rios de maior porte, pedem um conjunto de vara e molinete/carretilha mais aprimorado com um pouco mais de linha (pelo menos 100m) para alcançar pontos mais distantes, e poder brigar com o troféu que pode aparecer de uma hora para outra.
Quem pensa que é fácil a modalidade, pode se enganar e passar o dia só molhando a isca. Desde capturar os valentes lambaris – conhecidos por serem ladrões de iscas – a ter uma tilápia brigando na ponta da linha numa represa, pode se precisar de muitas de alguns “macetes” para a história ter final feliz.

As iscas podem ser as mais variadas possíveis, desde as tradicionais minhocas “cavocadas” no chão ao redor das margens até sagu, macarrãozinho e arroz cozido, pedacinhos de queijo, mortadela e tudo que a mente achar que atrai o peixe. Ficar de olho no que está próximo a água vai dar uma dica do que o peixe está acostumado a comer, esta é a razão de tilapeiros usarem folhas de capim delicadamente enroladas como engodo.

Iscas naturais como pequenos insetos, bichinhos de pão ou laranja, grilos e aranhas fazem a diferença em determinadas ocasiões. Ideal serem iscados de forma a se manterem vivos o maior tempo possível e terem algum movimento, pois esta vibração é atrativo chave a ser considerado.
Também parecem irresistíveis petiscos para os peixes, quando se tem cupinzeiros a disposição para fornecerem iscas. “Curimbas” pedem a simplicidade e delicadeza da massinha de farinha com água, enrolado em volta do anzol com o palito de churrasco.
Se preferir as iscas artificiais, vai ter um leque de opções desde: colheres; plugs; jigs e imitações de pequenos peixes ou animais; e insetos como grilos, rãs e etc.

Equipamento
Cadeira e suporte para as varas proporcionam o conforto para estar atento na batida do peixe para quem vai de isca natural. Acessórios como chumbadas, anzóis e linha de reserva, canivete, alicates de corte e um tipo boga devem fazer parte da caixa ou bolsa do pescador. Roupas leves e confortáveis, boné ou chapéu, e óculos polarizados (para enxergar melhor onde os peixes estão) completam a lista de material. Como se percebe, algumas alterações se fizeram necessárias desde as pescarias que fazíamos em outros tempos.
Mesmo no outono, a ação do sol é forte durante o dia, portanto ter um bom protetor solar é relevante. Alimentos leves ou lanches, frutas e muito líquido para hidratar o corpo é sempre importante.
Para os que preferem a segurança dos pesque-pagues, falaremos sobre o tema em edições futuras.
Quando possível, ótimas pescarias!!!


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