Pescaria desembarcada #4 – água salgada

Continuando no tema, hoje é pesca na praia!

Por: Mauro Yoshiaki Novalo

“Pé na areia”
Esta modalidade é muito praticada, pela extensa área litorânea que caracteriza nosso país, complementado pelas temperaturas agradáveis durante a maior parte do ano, embora isto não seja motivo de restrição para o pescador, a não ser quando se tem chuvas com raios, que podem causar acidentes sérios pelo fato das longas varas funcionarem como para-raios. Na alta temporada (verão), com a grande presença de banhistas (exceção durante este período de pandemia), se tem necessidade de limitação de horário, e normalmente vai ver pescadores na parte da manhã e logo depois do sol cair. No estado paulista, pela luminosidade normal das avenidas a beira mar, é comum ter grupos de pescaria noturna em locais considerados seguros. No inverno ou dias frios, sómente moradores locais se animam para tentar a sorte.
Seja nas praias de tombo, onde a profundidade aumenta rapidamente, ou nas rasas onde isto se processa mais devagar, é preciso localizar os canais. Dispostas paralelamente a praia, são percebidas da seguinte forma: localizar uma onda se formando lá na arrebentação e acompanhar até se desmanchar, nesta marola está o canal. Podem-se ter 3 ou mais, e ás vezes o primeiro pode estar dependendo da maré , bem próximo da areia seca. É no canal onde onde os peixes circulam, caçam, ficam na espreita ou a espera de alimentos.
Outra forma de verificar é entrar na água, caminhar até perceber um desnível no fundo, com água mais fria e a pressão de uma correnteza. Localizou o primeiro ou segundo canal.
A técnica é guardar na mente onde estão e fazer o lançamento cair além deles. Descansar a vara no apoiador, recolher a linha para eliminar a “barriga” (folga) e parar quando sentir uma leve vibração, como se a chumbada pesasse mais (indicação que a mesma está no canal). Agora é esperar o peixe bater na isca. Nas primeiras pescarias, isto pode ser um pouco mais difícil de perceber comparando quando se está em água doce. A ação das ondas, provoca movimento constante da ponta da vara. Varas mais longas minimizam a situação e melhoram a visualização para o momento da batida. Se não estiver numa condição de ondas fortes, movimentos significativos na ponta de vara serão facilmente percebidos e aí é fisgar e aproveitar a adrenalina.
O ideal é estar com 2 conjuntos, um denominado marisqueira e outro mais pesado que vai ficar no apoiador, destinado a captura dos peixes maiores e mais ao longe, para arremessos mais longos. Para não precisar todo momento recolher para colocar isca nova, usar chicotes com 2 até 3 pernadas, o que aumenta as chances de capturar mais de uma unidade. Enquanto aguarda a batida dos peixes neste equipamento mais robusto, utilizar o primeiro para se divertir com os peixes menores na “espuminha”.
Os peixes vem atrás das iscas que são remexidas no fundo com os movimentos da maré, então não se espante se capturar um exemplar de bom tamanho.
A dica é ter o “elastricot” ou linha bem fina para fixar a isca no anzol, de forma que fique exposta, mas firme para aguentar o tranco dos longos arremessos e não sair facilmente pelas ações dos ladrões de iscas.
Quem gosta de varas telescópicas ou lisas é entrar n’água e pescar na espuminha, normalmente com água na barriga, jogando sua isca no primeiro canal. Linha monofilamento de 0.25 ou 0.30mm. Neste caso, usa-se apenas um anzol e um chumbo bem leve, de formato oliva, solto na linha. Ter um porta iscas na cintura e uma sacola de nylon para armazenar pequenos peixes, ajuda bastante para não ficar indo e voltando para areia seca.

Conjuntos com varas de 2,50 a 5,00 metros, linha monofilamento fina entre 0,25 à 0,35mm, para que não seja tão arrastada pelo ação das ondas e consiga maiores distâncias nos arremessos. Um líder ou arranque com diâmetro de 0,40 a 0,45mm, o comprimento deve ser no mínimo 2x o da vara, suficiente para estar no carretel com a ponta da vara levantada e a chumbada no chão. É para aguentar o tranco no arremesso, e depois na briga final com o peixe. Os anzóis deverão corresponder ao tamanho do peixe pretendido, lembrar que anzol pequeno pega o pequeno e o grande, o importante é que estejam bem afiados e sejam fortes o suficiente para os peixes alvos.
Chumbadas vão ser de formatos conforme o fundo do local, pirâmides se encaixam bem nos fundos de areia. Quem precisa de longos arremessos pode optar pelas aerodinâmicas equipados com travas, que são montadas com um ligeiro tranco, assim que estejam na área desejada.
A ponta fina da vara fornece a impressão na batida de ser um grande peixe, intensificado pela ação das ondas durante a briga e o recolhimento. A paciência vai te dar a experiência para esperar o peixe chegar na parte mais rasa, aí é aproveitar uma onda, para recolher e encalhar o espécime na areia.

O ideal é arremessar quando as ondas se recolhem, para aproveitar o máximo em distância e explorar os canais. Deixar a fricção do molinete ou carretilha, regulada para liberar linha com pouca tração. Isto evitará que a vara seja arrancada do suporte, após a fisgada do peixe. Na maioria das vezes os peixes de praia se fisgam sozinhos, sendo necessária apenas a confirmação.
Outra estrutura boa para se pescar é o retorno, mas MUITA ATENÇÃO pois é local perigoso para se entrar, normalmente tem placas sinalizando. A identificação visual é uma área no meio da arrebentação que chega a areia seca, praticamente lisa, sem ondas, indicando uma correnteza no local fluindo para o mar.
A melhor isca sempre é a que você encontra no local. Outras que podem ser utilizadas: camarões inteiros ou descascados em pedaços: lulas inteiras ou em pedaços; pedaços de peixes; sardinha inteira, em pedaços ou filés; minhocas de praia; tatuís; sarnambis; corruptos e etc. Corruptos são facilmente capturados com bombas montadas para esta finalidade, encontrados a venda nas lojas de pesca.
Quando a maré está enchendo, costuma ser a condição mais produtiva, pois os organismos se movimentam e os peixes vem atrás. Então é determinar no seu local quando isso ocorre para se preparar. Grandes chances capturar betaras (pernas de moças), pampos, xaréus, xereletes, bagres, corvinas e outros peixes locais ou os que migram de um lugar para outro.
Molinete ou carretilha é gosto pessoal então é juntar suas e a tralha e se preparar para as fotos. Beber muito líquido, comida leve, roupas confortáveis, óculos escuros (de preferência polarizados), boné ou chapéu e bastante protetor solar. Cadeira de praia e um guarda sol nunca vão ser demais. Uma mesinha com porta trecos para ter a mão os acessórios que mais utiliza durante a pescaria vai ser de enorme ajuda.
Quando possível, ótimas pescarias!


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