Nova marca do Hospital Japonês Santa Cruz reforça ‘volta às origens’ e fortalece laços com o Japão

O atual presidente do HJSC, Mário Sato (E), com Renato Ishikawa, atual presidente do Conselho (Aldo Shiguti)

Os mais atentos já devem ter percebido: o Hospital Japonês Santa Cruz está com uma nova identidade visual. A nova marca, que já pode ser conferida nas redes sociais da instituição e que aos poucos está substituindo a antiga também nas instalações do hospital, na Zona Sul de São Paulo, remete à sakura, flor da tradicional árvore japonesa que simboliza o amor, a felicidade, a renovação e a esperança.
Histórias relatam que os imigrantes japoneses, ao chegarem ao Brasil, olhavam para o ipê e se lembravam, com carinho, da sakura que enfeitava o Japão, assim, recordavam-se de casa e do significado por detrás da flor. A coloração verde remete ao equilíbrio, harmonia, esperança, saúde e vitalidade.
O enlace, que também compõe o logotipo, representa os laços, tradição importante no Japão e traz a mensagem de que, ao amarrar um barbante em alguma coisa, podemos deixar uma alma nesse nó, uma vez que os laços conectam as almas, os desejos e as pessoas.
“O novo logotipo tem esse significado: conectamos nossos corações e fortalecemos os laços entre os países Brasil e Japão e entre o Hospital Japonês Santa Cruz e seus pacientes”, ressalta o diretor-presidente do Hospital Japonês Santa Cruz, Mario Sato.

Sequência natural – Segundo ele, a nova marca representa uma sequência natural das mudanças que o hospital vem atravessando visando resgatar as origens e fortalecer os laços com o Japão. Para isso, conta, foram necessários “muitos anos” até que o Hospital Santa Cruz pudesse, enfim, voltar a ser novamente um “hospital japonês”.
“Para chegarmos até aqui, naturalmente, tivemos outros presidentes que me antecederam desde a década de 90 e que trabalharam muito para que isso fosse possível. Trabalho esse que ganhou força nos últimos dez anos com o Dr. Renato Ishikawa, que fez todo esse trabalho na parte financeira, administrativa e de relacionamento com o corpo médico”, explica Mário Sato, que lembra também o “inestimável apoio de empresas e outras instituições que contribuíram muito para que o Santa Cruz chegasse com saúde até aqui”.

Harmonia – Para Mário Sato, que assumiu a presidência do Santa Cruz em março deste ano, os três mandatos de seu antecessor à frente da instituição foram fundamentais para manter a “harmonia” do Santa Cruz. “Esses últimos dez anos realmente trouxeram uma tranquilidade maior tanto financeira como administrativa. Isso pouco a pouco foi fortalecendo a base para que a gente chegasse agora em 2021 e mudasse o nome – ou melhor – para que voltássemos às nossas origens de Nihon Biyoin”, disse Mário Sato, referindo-se à mudança de nome de Hospital Santa Cruz para Hospital Japonês Santa Cruz.

Sonho antigo – Oficializado em 29 de abril – data de fundação do hospital – o novo nome foi apresentado no dia 13 de maio durante a Cerimônia Comemorativa do 82º aniversário da instituição. Como destaca Mário Sato, a mudança de nome já era um sonho antigo e exigiu um trabalho árduo de bastidores que se intensificou na gestão de Renato Ishikawa.

Paciência – “Estou há mais ou menos sete anos com o Dr. Renato e vi todo o trabalho que ele vem fazendo nesse tempo todo. A mudança de nome era um sonho antigo mas sempre apareciam algumas dificuldades porque ainda existia essa questão de não ser um hospital japonês na integridade. E o Dr Renato veio administrando essa questão um tanto quanto difícil com as pessoas que estavam aqui desde o período da intervenção”, disse ele, explicando que “foram necessárias muitas reuniões para poder chegar a esse termo”.
“Foi um trabalho de muita paciência, de muita perseverança e de muita persistência do Dr Renato Ishikawa. Acompanhei de perto essa transformação e por acaso hoje estou presidente”, lembra Mário Sato.

Confiança – Atual presidente do Conselho Deliberativo do HJSC, Renato Ishikawa explica que, por trás de uma “aparentemente simples troca de nome”, teve todo um trabalho de “convencimento” e de confiança conquistada ao logo dos anos. Segundo ele, “o mais importante é que todos perceberam que não estávamos trabalhando para favorecer um determinado lado, mas sim em prol do Hospital Santa Cruz”, disse Ishikawa, acrescentando que a inserção da palavra “Japonês” ao Hospital Santa Cruz tirou, definitivamente, qualquer dúvida que ainda pudesse existir se, de fato, o Santa Cruz pertencia mesmo à comunidade japonesa.

Cem por cento – “Essa dúvida, mesma que pequena, ocorria porque, de fato, ficava margens para isso pois o Conselho de Administração era paritário. Tivemos todo um trabalho legal a fazer, desde a mudança de estatuto até a dissolução do acordo do Conselho Deliberativo paritário, que não existe mais”, diz, destacando que, “outra prova material de que o Hospital Japonês Santa Cruz é cem por cento da comunidade é que o Instituto de Plástica, construído em 1990 e localizado próximo ao hospital, retornou ao controle da comunidade japonesa este ano.
Para Renato Ishikawa, a apresentação da nova identidade visual faz parte desse conjunto de resgate das origens do Santa Cruz e uma aproximação ainda maior com o governo do Japão, que resulta em uma série de apoios que contribuem para o aperfeiçoamento dos serviços prestados. Um deles, via Jica – Agência de Cooperação Internacional do Japão, é para a abertura do Centro Oncológico do Hospital Japonês Santa Cruz, através do programa de concessão de subsídios às entidades de imigrantes.

Centro de Oncologia – “Com esse valioso suporte, esse espaço para a oncologia está sendo planejado para oferecer serviços de primeira categoria, com departamentos de quimioterapia e radioterapia equipados com dispositivos de última geração e equipe clínica altamente capacitada”, ressalta Sato.
Também apoiada pela Jica, através da Cooperação Follow Up, outra ação realizada foi o trabalho para prevenir a infecção hospitalar pelo novo coronavírus.
A parceria com universidades japonesas, como as de Osaka, Kyushu e Tsukuba, é outro ponto de destaque no estreitamento de vínculos com o Japão, intensificando, de maneira bilateral, o conhecimento e fomento à pesquisa, aprimorando os conceitos e os métodos aplicados na instituição. “Todo esse amparo nos fortalece e nos permite aprimorar cada vez mais o nosso trabalho, para prestar atendimento digno e de qualidade, não só à comunidade japonesa, mas a toda a população”, salienta Sato.

Omotenashi – A proximidade com o Japão também se aplica à forma de atendimento. O Hospital Japonês Santa Cruz atua com base no conceito Omotenashi, palavra que no Japão descreve a cultura local da hospitalidade centrada no cuidado. “A expressão quer dizer ‘cuidar de todo o coração” e é uma filosofia de vida praticada pelos japoneses no cotidiano, com o objetivo de oferecer a melhor experiência possível para as pessoas, sem esperar nada em troca”, explica Ishikawa.
“É com base nisso que trilhamos a trajetória da nossa instituição e que mantemos dia após dia para oferecer um cuidado humanizado, defendendo aquilo que tem valor imensurável e que a nós é confiada: a vida”, conta.
“E a nova identidade visual reflete esse atendimento japonês”, destaca Renato Ishikawa, lembrando que, apesar das mudanças, o Hospital Japonês Santa Cruz continua e continuará atendendo .de forma indistinta todos os pacientes, com a mesma qualidade que tornou o HJSC uma das referências em instituições hospitalares do país.

Sobre o Hospital Japonês Santa Cruz

Diretores e autoridades durante anúncio da mudança de nome para Hospital Japonês Santa Cruz (arquivo/Jornal Nippak)

Inaugurado em 29 de abril de 1939, em São Paulo, com a missão de auxiliar os imigrantes japoneses e oferecer um atendimento médico-hospitalar de excelência no Brasil, o Hospital Japonês Santa Cruz (HJSC) se dedica a proporcionar uma vida melhor e mais saudável à toda população.
Com destaque nos serviços em oftalmologia, neurologia, ortopedia, cardiologia, entre outras especialidades, a instituição possui mais de 170 leitos distribuídos entre apartamentos, enfermarias e UTI, complementada com uma unidade específica para o transplante de medula óssea.
Anualmente, a entidade realiza mais de 1 milhão de atendimentos, em mais de 40 especialidades médicas e tem em sua estrutura três pronto-atendimentos (geral, ortopédico e oftalmológico) e dois centros cirúrgicos (geral e oftalmológico), capacitados para atendimentos de alta complexidade.
O Hospital Japonês Santa Cruz tem certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA II), que atesta a segurança e qualidade dos processos assistenciais e médicos.

Comentários
Loading...