MUJIN HANBAI: Barracas sem atendentes no Japão: a prova da honestidade e confiança oriental

Sistema funciona principalmente em barracas de legumes, frutas e verduras localizadas em estradas (divulgação)

A modernidade ainda surpreende muitas pessoas com fatos e tecnologias futurísticas que se encontram no dia a dia, tal como inteligência artificial e autoatendimento em caixas de mercado. Porém, no Japão, nem todo atendimento sem atendente depende de máquinas, supervisão e segurança, como é o caso do Mujin Hanbai que prova o quanto os japoneses confiam na honestidade alheia.
Esse sistema funciona principalmente em barracas de legumes, frutas e verduras, localizadas em estradas do interior e demais ambientes com passagem de pedestres e motoristas. Sem muito segredo e complicação, a compra é simples e rápida, dependendo apenas da escolha do indivíduo e sinceridade para realizar o pagamento.
A questão do Mujin Hanbai que muito surpreende vai além da confiança em desconhecidos, se trata também da eficácia do método que tem facilitado a vida de diversos agricultores que veem nesse estilo de venda uma boa forma de adquirir renda extra e evitar o desperdício de tempo e alimentos não vendidos.

Método de venda se originou como forma de facilitar a vida de fazendeiros (divulgação)

Como funcionam as barracas sem atendente
Com estrutura simples de madeira que serve apenas para proteger as frutas e legumes de dias quentes, frios e chuvosos, o Mujin Hanbai denuncia sua forma rústica e ancestral existente há anos. Esse método de venda se originou como forma de facilitar a vida de fazendeiros que possuíam alimentos bons e frescos, porém incapazes de serem vendidos em mercados devido à presença de algumas falhas e imperfeições estéticas.
Assim, no interior, foram elaboradas as bancas básicas e práticas que exibem os produtos bem embalados e expostos em bacias ou caixotes de feiras com seus valores que costumam ser de apenas 100 ienes. Mostrando-se funcional e aplicável, no Japão, esse sistema se expandiu para as vendas de outros itens, assim como: flores, marmitas, elementos religiosos e rações para oferecer aos animais silvestres durante o passeio em áreas permitidas.
O funcionamento dos Mujin Hanbais é fácil e rápido, bastando apenas pegar a quantidade de mercadoria desejada e pagar pelo que escolheu. Muitas vezes haverá um pequeno cofre trancado num canto da barraca ou até mesmo um simples pote ou caixa onde deverá ser inserido o dinheiro. Nesses casos, tudo dependerá exclusivamente da honestidade, já que, na maioria das situações, não há ninguém observando e pode acontecer de a pessoa precisar fazer seu próprio troco.
Em meios urbanos, essa metodologia sem atendente também existe, só que de uma maneira diferente, pois, embora os japoneses sejam mais sinceros e confiáveis, não há como generalizar. Logo, nas grandes cidades, é possível observar o Jidohanbaiki (自動販売機), máquina similar a cofre, que possui diversos compartimentos em que há um único alimento ou objeto que será liberado somente após a adição de uma moeda.
A partir de então, ser sustentável e econômico também virou uma prova de confiança e honestidade experimentada por diversos turistas e moradores locais, assim como é para os vendedores.

O Mujin Hanbai sempre dá certo?
Como nem tudo são flores e a realidade vem à tona, é importante entender que nem sempre o Mujin Hanbai funciona, de modo que é possível que, ao final do dia, o vendedor retorne à banca para a retirada do dinheiro e do que restou, porém encontre um vazio ou perceba a falta de algum valor, concluindo que roubaram o cofre e/ou as mercadorias.
Em casos de furtos, no Japão, dificilmente o meliante sai em pune, porque em muitas situações há câmeras instaladas, no local, pelo próprio vendedor. Assim, fica fácil reconhecer o ladrão e recorrer à polícia.
Embora esse sistema de venda sem atendente seja um tanto arriscado e dependa apenas da consciência alheia, tem funcionado bem entre os japoneses, não havendo indícios de desistência desse tipo de comércio, uma vez que a honestidade reina sobre a população e a justiça é executada com frequência, não deixando margem de pensamentos perversos aos indivíduos que veem nesse negócio uma oportunidade de levar a vantagem sobre algo supostamente indefeso e sem vigilância.
A triste realidade, contudo, comprova que a metodologia Mujin Hanbai não seria bem aceita e simples em outros países, já que os crimes morais são ainda mais comuns e os criminosos escapam com facilidade ou cumprem penas curtas que jamais atingem às suas consciências para o fim de condutas incorretas.
Dessa forma, o exemplo que tem sido seguido, em outros locais, é semelhante ao Jidohanbaiki, conhecido também por Hanbaiki, que garante autonomia durante a compra, unida ao aumento de segurança proporcionado pelos compartimentos fechados. Logo está se tornando cada vez mais comum encontrar máquinas de venda com flores, itens eletrônicos e guarda-chuva, fato que só tende a crescer no mundo moderno e futurístico que busca mais rapidez e praticidade.

Agricultores veem nesse estilo de vida uma oportunidade de ganhar dinheiro extra (divulgação)

Motivos para comprar nessas bancas
Em algumas circunstâncias, o Mujin Hanbai pode parecer sem sentido, já que oferece apenas produtos específicos, de modo que não facilita a compra total proporcionada por uma feira ou um mercado, apesar disso, há muitos benefícios, como:

  • Compra independente e sem incômodos da persistência de vendedores;
  • Preços baixos por produtos em bom estado;
  • Ausência de filas, devido à localização em áreas menos movimentadas;
  • Prova da honestidade e aumento da crença de que a maioria das pessoas podem ser boas, conscientes e sinceras;
  • Ajuda na renda de famílias, templos e organizações sem fins lucrativos;
  • Diminuição do desperdício, contribuindo à sustentabilidade do planeta.

Assim sendo, querendo ou não, a venda realizada por essas barracas autônomas proporciona mais que uma renda extra ao comerciante, é uma maneira de contribuir ao mundo com menos lixo e mais consciência, por meio da troca de benefícios entre o vendedor que oferece um produto confiando na honestidade do cliente, e o consumidor que adquire itens por valores acessíveis, tornando o Mujin Hanbai uma realidade inexplicável e surpreende para diversos países ocidentais.

(Mariana Kisaki)

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