Live Shinnenkai 2021 das entidades celebra sentimentos de união e de esperança

Representantes das entidades co-promotoras, além do cônsul Ryosuke Kuwana, no tradicional Banzai (reprodução)

O que é o shogatsu para o povo japonês? O que significam os costumes realizados logo no início do ano? Com essas duas perguntas, a Comissão Organizadora do Shinnenklai 2021 – Celebração do Ano Novo, convidou o público para participar da live transmitida no último dia 8 pelo canal do Bunkyo Digital. Realizado pelas cinco principais entidades – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil e Aliança Cultural Brasil-Japão – em conjunto com o Consulado Geral do Japão em São Paulo, a live teve dois blocos distintos, sendo o primeiro dedicados aos discursos das autoridades e o segundo às apresentações artísticas.
Coordenado por Tério Uehara – que também comandou a apresentação ao lado da jornalista Cláudia Nakazato – o evento contou com a participação de mais de 200 voluntários e trouxe os diferentes sotaques ‘Brasis afora’, mostrando, porém, que a esperança de dias melhores é o sentimento que une a todos. Foi assim nas canções “Shinnen no Utá”, “Furusato” e “We Are The World” – música que encerrou a live – e nas falas do presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, do embaixador do Japão, Akira Yamada e do presidente do Kenren, Toshio Ichikawa, que engrossaram a torcida pela chegada da vacina contra a covid-19.
No primeiro bloco, Renato Ishikawa, abriu a série de discursos lembrando que o “Ano Novo, Shinnen ou Oshogatsu, tem um significado muito especial para os imigrantes e o povo japonês”. “É a data mais importante por significar a renovação permanente da vida. É o início de tudo. É no primeiro dia do novo ano, em que simbolicamente se estabelecem o plano, a meta e o seu desafio para os 365 dias do ano”, disse Ishikawa, acrescentando que “a realização das Olimpíadas e Paralimpíadas de Tóquio vai simbolizar a superação da angustia e incertezas vividas na pandemia, além de ser uma oportunidade para novos intercâmbios com o Japão”.

Formato digital – Segundo ele, “em 2021 o formato digital deverá continuar sendo utilizado em conjunto com os eventos presenciais visando ampliar e aprofundar nosso relacionamento harmônico de interação com todas as regiões do Brasil”. Outro importante aprendizado, disse, “foi a colaboração com a nova geração de profissionais voluntários para a atualização e aplicação de novas tecnologias digitais em nossas entidades”.
“Foi um intercâmbio de conhecimentos muito proveitoso para todos”, explicou, destacando que considera importante continuar com a forte prioridade ao protagonismo dos jovens, estimulando sua participação e amadurecimento por meio de atividades coletivas.
“Em 2021, entre todos os desafios de nossas entidades, o maior deles será a sustentabilidade. As dificuldades proporcionaram novas possibilidades de interação com as pessoas. Agora, também temos de reinventar alternativas para garantir o sustento, a viabilidade financeira para a existência de nossas entidades”, comentou Ishikawa, que finalizou sua fala afirmando que “é nas grandes crises que surgem as grandes oportunidades”.

União – Já o cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, enfatizou que, “desde o início da pandemia, o mundo inteiro passou por mudanças profundas”. “Nossa vida, nosso modo de trabalhar ou de ser foram drasticamente afetados. Todos nós enfrentamos um desafio de adaptação a este novo normal. Deste ponto de vista é realmente louvável que muitas organizações nikkeis estejam trabalhando arduamente para lidar com esta situação difícil, organizando eventos online como este, híbridos e de caridade para dar continuidade as suas atividades importantes”, disse Kuwana.
E prosseguiu: “Também é muito bom constatar que muitos jovens estão participando e apoiando estes eventos. Este tem sido um dos maiores desafios para a comunidade nikkei, curiosamente sendo superado de alguma forma nesta difícil situação”, destacou o cônsul, explicando que, “para superar esta dificuldade é muito importante estarmos bem informados, cuidados e pacientes”.
Ryosuke comemorou que 2021 começou “de forma maravilhosa do ponto de vista das relações bilaterais” com a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Motegi ao Brasil. “Este ano também estão programadas as Olimpiadas e Paralimpiadas de Tóquio. Acredito que será uma boa oportunidade para reiniciarmos nossos esforços em promover os intercâmbios esportivos, culturais e o turismo no Japão, assim como a arte e culinária japonesa. Esperamos que a situação de pandemia se acalme em breve e que possamos trabalhar juntamente com este objetivo”, finalizou o cônsul.

Entusiasmo – A união da comunidade, aliás, também foi o foco do discurso do embaixador do Japão, Akira Yamada. “No ano passado as organizações nikkeis em todo Brasil desenvolveram dinamicamente várias atividades online com criatividade, como o Festival do Japão, enquanto muitos eventos presenciais foram adiados ou cancelados. Eu mesmo participei de muitos eventos ao vivo e por meio de mensagens de vídeo e senti o entusiasmo e os laços pessoais de todos fortemente”, disse o embaixador, que fez uma menção especial à comunidade nikkei em São Paulo, “incluindo o Bunkyo e as empresas japonesas, que têm feito grandes contribuições na comunidade local por meio da distribuição de alimentos e produtos de saneamento e de prestação de serviços médicos”, observou Yamada, lembrando ainda que a comunidade brasileira residente no Japão celebrou 30 anos em 2020.

Esperança – Por fim, Akira Yamada disse que, em 2021, o intercâmbio entre os dois países será retomado gradualmente e que no Japão  serão realizados o jogos olímpicos e paralímpicos de Tóquio. “O interesse do mundo, inclusive do Brasil, estará voltado para o Japão. Farei o possível para promover a parceria e o intercâmbio em uma ampla variedade de campos entre o Japão e o Brasil em um novo ambiente”, disse ele, afirmando que, por conta do distanciamento social imposto pela pandemia, não pode visitar outras regiões do Brasil.
“Mas este ano estou pensando em visitar São Paulo e outras comunidades nikkeis em todo país e encontrar vocês pessoalmente. Em 2020 o esforço constante de muitas pessoas avançou nas relações  nipo-brasileiras em meio às dificuldades. Esperamos que, superadas as dificuldades, 2021 seja um ano frutífero para os dois países e que seja um ano de esperança para todos”, observou o embaixador.
A tradicional saudação de banzai foi feita pelo presidente do Kenren, Toshio Ichikawa, que convidou a todos para “energizarem positivamente o ano de 2021”, enquanto o Kanpai foi puxado pelo presidente da Enkyo, Paulo Saita.
Encerrando o primeiro bloco, crianças de Campinas e Piracicaba (SP), Curitiba, Ibiporã e Londrina (PR); Campo Grande (MS); Brasília (DF) e Goiânia (GO) interpretaram “Shinnen no Utá”. Já “Furusato” contou com a participação de crianças de Mogi das Cruzes (SP), Tomé-Açu (PA), Ijuí (SC), Recife (PÈ), Salvador (BA), Santa Izabel do Pará (PA) e Niterói (RJ).

Bloco Cultural – A segunda parte, chamada de Bloco Cultural, trouxe a chef Telma Shiraishi, embaixadora da Gastronomia Japonesa, que falou sobre cada um dos pratos (e ingredientes) que compõem o osechi ryori.
Neste bloco também foram apresentadas a cerimônia Hatsuike (o primeiro arranjo de flores do ano) pelas professoras da Associação Ikebana do Brasil e a cerimônia Hatsugama (a primeira cerimônia de chá do ano), com demonstração e explicações sobre o ritual pelo Centro de Chadô Urasenke do Brasil.
Em seguida foi a vez das danças tradicionais com o professor Satoru Saito e os professores da Escola Fujima Ryu, com uma dança kabuki, tradicional de ano novo.
O “grand finale” ficou por conta da versão japonesa da música We are the world, com os cantores: Karen Ito, Joe Hirata, Isa Toyota, Takeshi Nishimura, Paula Hirama e representantes de entidades de vários estados.

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