Koichi Hashimoto, um japonês no ‘bando de loucos’

Koichi Hashimoto no Memorial do Corinthians para a história (arquivo pessoal)

As novas gerações talvez não saibam, mas o Sport Club Corinthians Paulista já teve um jogador japonês em seu elenco de profissionais. Mesmo quem acompanha futebol talvez também não se lembre dele, mas Koichi Hashimoto, hoje com 52 anos de idade, está lá, no tradicional pôster do clube que disputou o Campeonato Brasileiro de 1994. O elenco contava com jogadores como Casagrande, Viola, Marcelinho Carioca, Gralak, Marcelinho Paulista, Souza, Henrique e outros craques.
É verdade que foram apenas dois jogos – e as duas partidas amistosas contra equipes japonesas – mas que serviram para entrar para a história do Timão. Afinal, seu nome está gravado no Memorial do Corinthians, no prédio da sede administrativa do Parque São Jorge, na zona Leste de São Paulo, ao lado de “heróis que vestiram o manto alvinegro” desde a fundação do Timão, em 1910, como Luizinho, Teleco, Basílio, Rivelino, Sócrates, Vladimir, Carlito Tevez, e, mais recentemente, Ronaldo Fenômeno.
E Koichi Hashimoto sabe que fez história no clube de maior torcida do Estado de São Paulo. Tanto que, sempre que vem ao Brasil, faz questão de visitar o clube e rever os amigos daquela época, como o ex-volante e hoje comentarista Zé Elias, não só para matar a saudade como também para agradecer.
Desta vez, durante sua passagem para renovar o carimbo do seu passaporte, no final de agosto, Koichi Hashimoto teve que acrescentar uma outra parada obrigatória: o Cemitério São Paulo, onde está sepultado o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, que faleceu em julho deste ano, aos 101 anos de idade.

Flores – Dualib presidiu o Timão de 1993 a 2007 e durante sua gestão, conquistou 12 títulos, dentre eles três Campeonatos Brasileiros (1998, 1999 e 2005) e o Mundial de Clubes (2000). O ex-presidente também foi o responsável pela contratação de Koichi Hashimoto. E ele não se esquece disso.
Tanto que fez questão de depositar flores em seu túmulo como forma de agradecimento. “Foi graças a ele que vesti a camisa do Corinthians”, conta Hashimoto, lembrando que antes da pandemia tinham planejado uma grande comemoração. “Mas, infelizmente, por causa da pandemia acabou não dando certo”, disse o ex-jogador, que hoje atua coimo empresário de jogador.
Ele também aproveitou sua estadia para visitar o clube e ex-companheiros daquela época. “Até hoje falo com o Zé Elias e alguns conselheiros”, diz o ex-jogador, que também passou por clubes como o Paraná, antes de encerrar sua carreira no modesto Luziânia, com apenas 33 anos de idade.
Sobre sua passagem pelo Corinthians, apesar de curta, ficaram muitas histórias. Koichi, aliás, parece mesmo ter se adaptado muito bem não só ao futebol brasileiro como também parece ter incorporado alguns costumes dos brasileiros.
Contar “causos” e dar boas gargalhadas são alguns deles. Conta, por exemplo, que nunca teve problemas com nenhum jogador. “Jogador top, nível de seleção, como tinha o Corinthians naquela época, têm caráter”, explica Hashimoto, que elogia o trabalho do atual técnico da equipe, o ex-lateral esquerdo Sylvinho, com quem chegou a treinar no Parque São Jorge.

Koichi Hashimoto com o elenco corintiano de 1994 (arquivo pessoal)

Empresário – “O Sylvinho pegou o Corinthians lá embaixo na tabela de classificação e está conseguindo impor seu trabalho. Ele tem personalidade e nunca foi de bagunça. Acredito que o tempo de convivência com o Tite [técnico da Seleção Brasileira] foi muito importante para ele, bem como sua passagem como treinador pelo Lyon. Ele estudou muito e por isso não é surpresa que esteja colhendo bons resultados. O Sylvinho conhece muito de futebol e trabalha muito. Espero que sua carreira deslanche porque ele merece”, explica o ex-jogador, que decidiu seguir a carreira de empresário após ouvir conselhos dos também ex-jogadores Fabinho e Marcelo Djian – entre os jogadores brasileiros que ajudou a levar para o Japão estão Araújo (ex-Goiás) e Luan (ex-Atlético mineiro). “Devo tudo ao futebol, por isso só tenho a agradecer”, disse Koichi Hashimoto antes de retornar ao Japão.

Comentários
Loading...