JUBILEU DE OURO: Prêmio Kiyoshi Yamamoto celebra Jubileu de Ouro e homenageia destaques da agricultura

Autoridades, familiares e homenageados com o 50º Prêmio Kiyoshi Yamamoto (Aldo Shiguti)

Considerado a láurea de maior longevidade no setor agrícola do Brasil, o Prêmio Kiyoshi Yamamoto chegou a sua edição de número 50 no dia 5 de novembro, em cerimônia realizada no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade, em São Paulo, após uma interrupção de um ano por conta da pandemia. Este ano foram homenageados dois agrônomos – o engenheiro japonês Akira Kishimoto, de 81 anos, e Nobuyoshi Narita, de 60 anos; e um produtor – o fruticultor Fumio Hiragami, de 72 anos.
Restrita a familiares e a alguns poucos convidados, o evento contou com a presença do cônsul geral do Japão em São Paulo, Rysouke Kuwana; do representante chefe do Escritório da Jica (Japan International Agency Cooperation) em São Paulo. Masayuki Eguchi e do coordenador da Agência Paulista de Tecnologia e Agronegócios , Sergio Luiz dos Santos Tutui (representando o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Itamar Borges), além do presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa e membros da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto.
Impossibilitada de participar por, motivos pessoais, a presidente da CPKY, Izumi Honda, foi representada pelo vice, Alfredo Tsunechiro, que iniciou sua fala lembrando que, desde que foi instituído pela Associação Brasileira de Estudos Técnicos da Agricultura (Abeta), em 1965, foram concedidos 50 prêmios a 164 pessoas e 2 instituições (cooperativas agrícolas).
“Trata-se do prêmio de maior longevidade na agricultura nacional com essas características”, destacou Tsunechiro, explicando que o intuito é “homenagear produtores da comunidade nikkei que prestaram ou prestam relevantes serviços para a agropecuária brasileira”

Alfredo Tsunechiro, vice-presidente da Comissão: “longevidade” (Aldo Shiguti)

Seleção – Ele observou que este ano os membros da Comissão decidiram realizar a seleção pelo sistema online por meio de mensagens individuais, cabendo à secretaria do Bunkyo processar e apurar os votos enviados pelos membros-eleitores. Como em anos anteriores, não houve um número pré-determinado de selecionados ao Prêmio, mas foi combinado que o vencedor deveria receber pelo menos 50% dos votos dos membros-eleitores.
Para a 50ª edição, conta que os 11 candidatos indicados passaram por uma triagem inicial e, em reunião do colegiado, formado por 16 membros – entre engenheiros agrônomos e pesquisadores – realizada em julho, foi apresentado o resultado da votação. Participaram do processo de votação 12 dos 16 membros atuais da Comissão.
Em seguida, Alfredo Tsunechiro leu um breve currículo dos homenageados. Em suas saudações, Kishimoto, Hiragami e Narita revelaram passagens de suas trajetórias que foram determinantes para consolidar o relacionamento com as atividades agrícolas.

Renato Ishikawa com Akira Kishimoto e a neta Letícia (Aldo Shiguti)

Akira Kishimoto – Nascido em Kobe (Japão) e atualmente residindo em São Paulo, Akira Kishimoto conta que sua relação com a agricultura teve início ainda em 1961, então com 21 anos de idade, quando veio para o Brasil com um grupo de 16 estudantes para participar de um estágio de 11 meses. Na época, lembra, a entidade responsável pelo envio desses estudantes era presidida por Hiroyoshi Tomita, da Universidade de Waseda, que estava na plateia do salão nobre para prestigiar o amigo. “Sem ele não estaria aqui hoje”, afirmou Kishimoto, que entre suas atividades produziu o primeiro híbrido comercial de couve-flor no Brasil, denominado “Jaraguá” e promoveu melhoramentos genéticos de tomate, pimentão, pepino, berinjela híbrida, cenoura e abóboras, dentre outras olerícolas.
Ele também agradeceu o agrônomo, pesquisador e ex-presidente da CPKY, Kunio Nagai, “que abriu as portas da pesquisa no Brasil”.
Akira Kishimoto encerrou seu discurso lembrando que, depois de percorrer vários massagistas na tentativa de sanar um problema na coluna que sua esposa sentia, resolveu ele mesmo cuidar da mulher e até hoje se dedica à Medicina Oriental.

Roberto Nishio entrega placa a Fumio Hiragami (Aldo Shiguti)

Fumio Hiragami – Já Fumio Hiragami disse que, aos 14 anos, quando chegou ao Brasil, ouviu de Tadashi Takenaka (proprietário da empresa em que trabalhava), que estivera no velório de Kiyoshi Yamamoto, “considerado o pai da colônia japonesa”. “A importância dele nunca me saiu da cabeça e hoje é uma honra estar recebendo o prêmio que leva o seu nome”, comentou Hiragami, que é considerado hoje o maior produtor nikkei de maçãs do mundo.

Alfredo Tsunechiro com Nobuyoshi Narita (Aldo Shiguti)

Nobuyoshi Narita – Por fim, o “caçula” dos três, o pesquisador Nobuyoshi Narita destacou que “sempre viveu dentro da agricultura”, pois os pais eram produtores de batata na extinta Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC). Formado em Agronomia e, depois de estudar como bolsista no Japão, só trabalhou um tempo com os pais – decidiu pela carreira de pesquisador científico seguindo os conselhos de seu mestre Chukiti Kurosawa – consultor do Globo Rural.
Sua área de atuação tem sido no desenvolvimento de pesquisas na área de fruticultura e atualmente vem atuando ativamente na Associação Cultural Nipo-Brasileira da Alta Sorocabana (Hansoro), além de colaborar com várias entidades da comunidade nikkei da região. “Tudo que venho fazendo tem como grande objetivo final o produtor”, disse Narita, acrescentando que ainda tem muito a contribuir para a sociedade brasileira.

Reconhecimento – Em sua fala, o cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana destacou que “é impossível desvincular a história do desenvolvimento agrícola do Brasil da contribuição dos imigrantes japoneses”. “Desde a chegada do Kasato Maru, em 1908, os imigrantes japoneses e seus descendentes, através de sua intensa dedicação e trabalho árduo superaram inúmeras dificuldades e prosperaram, contribuindo admiravelmente para a agricultura brasileira, conquistando grande reconhecimento da sociedade brasileira”, assegurou Ryosuke Kuwana, lembrando que “muitos legumes, frutas e verduras consumidos atualmente por todos nós foram trazidos e cultivados pelos imigrantes japoneses e descendentes”.
“Eles enriqueceram o horizonte agrário brasileiro por meio de pesquisas e desenvolvimento de novas espécies”, disse o cônsul, que concluiu afirmando que “estou convencido de que os esforços de nossos pioneiros e seus descendentes lançaram as bases sólidas para que o Brasil se tornasse uma das principais potências mundiais do mundo agrícola”.
“Sem dúvida, essa longevidade do Prêmio Kiyoshi Yamamoto se deve à relevância desse Prêmio e é uma prova do grande empenho e do sucesso da comunidade nipo-brasileira nesse campo”, concluiu.
Por fim, o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa explicou que, “neste momento em que o agronegócio ganha relevância em nosso país, comemorar a 50ª edição do Prêmio Kiyoshi Yamamoto é motivo de imensa honra para o Bunkyo e para todos nós”.

Bolo – Encerrada a a parte de discursos no salão nobre, os homenageados e convidados se dirigiram ao Hall de entrada da entidade para o brinde e um jantar oferecido pelo Bunkyo com direito a bolo de aniversário e um “parabéns para você” puxado pelo vice-presidente e mestre de cerimônias, Carlos Fukuhara.

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