Jovem lança livro aos 16 anos de idade e se diz ‘maravilhado’

Magnus Takemitsu Kishikawa durante seu treinamento de artes marciais, que pratica desde os 3 anos (arquivo pessoal)

Magnus Takemitsu Kishikawa, de 16 anos, é igual a tantos outros jovens de sua idade. Estuda, pratica artes marciais, tem sonhos e gosta de escrever. Taí um aspecto que pode diferenciá-lo de outros adolescentes de sua geração. Apesar da pouca idade, ele já escreveu um livro, de contos, e não pretende parar por aí. Filho do meio do médico e mestre de Kenjutsu, Jorge Kishikawa, Magnus lembra que o projeto começou a ser esboçado em 2019, quando ingressou no ensino médio, por um motivo, no mínimo, inusitado.
“Em outubro, fiquei resfriado e não pude ir à aula. Quando voltei, três dias depois, meus colegas haviam feito uma tarefa da disciplina de português que me chamou a atenção. Haviam escritos contos fantásticos”, recorda Magnus, acrescentando que, dois anos antes deste episódio, havia escrito um conto de nove páginas de sulfite com seu amigo Pedro.
“Eu fiquei impressionado, e aquilo me motivou a fazer aquela tarefa também, mesmo que eu entregasse atrasada. Na escola eu até brinquei com Pedro dizendo que faria um conto com o dobro de páginas dele”.
E não é que fez? Na verdade, foram 18 folhas de sulfite “totalmente preenchidas pelas linhas finas da minha lapiseira”. Essa história ele conta na apresentação de “Contos de Além dos Olhos”, da Editora Kendoonline Livros. Com tiragem inicial de 400 exemplares, a obra ficou pronta no último mês de abril. Com projeto gráfico de Isabela Sanches, revisão de sua mãe, Rosa Mika Kishikawa e ilustração de Rodrigo Blanco, o livro tem 191 páginas e é dividido em seis contos.
E como todo bom conto, todos começam com “Era uma vez…”. Em meio a princesas, cavaleiros e castelos, Magnus encontra na era medieval o cenário perfeito para dar asas a sua imaginação. “Adoro o tema medieval, tanto por alguns de seus valores como o da cavalaria, quanto pelo próprio cenário. Não só isso, mas acho que escrever sobre fantasia, envolvendo magia e outras coisas como criaturas mágicas é muito divertido de se fazer, e acho que a imaginação é algo importante em um tempo em que a realidade é tão difícil.”, explica o jovem, afirmando que ficou “maravilhado” ao ver a obra pronta. “Mas ao mesmo tempo, por ter sido um processo que levou bastante tempo, achei que alguns contos do livro podiam ter sido melhor desenvolvidos”, diz, com tom de autocrítica.

Capa do livro “Contos de Além dos Olhos” (arquivo pessoal)

Polêmico – Segundo Magnus, algumas cópias do livro ele distribuiu para pessoas consideradas importantes para o projeto. “E outras que são especiais para mim”, disse, acrescentando que “ser introduzido e agora fazer parte do mundo literário foi e está sendo uma experiência muito incrível, apesar de um pouco assustadora também, ainda mais quando escrevi sobre temas tão atuais e polêmicos para algumas pessoas”, explica o jovem, que teve que conciliar o projeto do livro com o estudo e as aulas de artes marciais, que pratica desde os três anos de idade em companhia dos irmãos, Yoshimitsu, de 18 anos, e Hiromitsu, de 15.
Aliás, sobre as aulas de cultura japonesa e os ensinamentos da espada samurai que são transmitidas pelo pai no Instituto Niten, Magnus revela que buscou inspiração para alguns personagens. “Valores como persistência e resiliência”, conta o jovem garantindo que o pai, sempre exigente, o apoiou durante todo o processo. “Não quis mostrar o livro para ele até que terminasse o último conto, mas ele sempre me apoiou. Só me alertava para ficar atento e não me descuidar da escola”, diz Magnus, destacando que passou por várias “fases” durante o processo
“As vezes, escrevia somente nos fins de semanas e outras vezes a empolgação era tanta que escrevia durante as aulas mesmo”, admite, acrescentando que nesse livro, em especial, quis trazer algumas mensagens importantes para o mundo de hoje, “apesar de perceber que da forma que eu escrevi, podia ter sido melhor desenvolvida”.

Lição de vida – Duas vezes pentacampeão brasileiro de kendô, fundador e primeiro presidente da Confederação Brasileira de Kobudô e criador do Método KIR – Ken Intensive Recuperation – que visa a recuperação do ser humano através da espada samurai, Jorge Kishikawa lembra que o filho sempre gostou de escrever. “Ler era o seu tempo predileto. Aqui em casa. Inclusive, o Takemitsu é o que mais se dedica ao hábito da leitura”, frisa Kishikawa, destacando que, “mais que seu valor literário, este livro foi uma forma de ele se superar em vários sentidos”.
“Então, vejo como um desafio que ele conseguiu vencer e como uma grande experiência para a vida dele”, conta, explicando que o livro é dirigido para um público pré-adolescente. “O mérito maior, a meu ver, está em um pré-adolescente conseguir realizar o seu desejo e ele, com o livro, conseguiu descobrir por si mesmo o valor do esforço, da pesquisa, da resiliência e também da realidade. Uma realidade que nem sempre é como sonhamos, algo que ele está descobrindo agora, depois de fazer um grande esforço e esse esforço não ser reconhecido tanto quanto ele gostaria”, observa o pai.
“Em suma, é uma grande lição de vida para ele levar para a frente. A meu ver, ele escreve bem comparado a minha geração. Então, vou procurar incentivá-lo sem medir esforços para que ele possa melhorar este potencial que ele tem”, diz o pai, destacando que, “no Niten, nós sempre primamos para que a pena e a espada andem juntas”.
“E ele está fazendo o caminho do samurai, treinando a espada samurai e também está escrevendo. Estou muito contente, muito orgulhoso mesmo de ter um filho que está seguindo o caminho da pena com muita dedicação”, definiu Kishikawa.

Takemitsu com os pais e os irmãos, Yoshimitsu e Hiromitsu (arquivo pessoal)

Mais um – E, se depender de Magnus Kishikawa, essa história vai ter continuação. “Atualmente estou escrevendo cinco projetos, que vou escolher mais tarde qual deles será o segundo livro. Todos eles são de fantasia, mas a fantasia de cada um é diferente. Os dois primeiros se passam no mesmo universo deste primeiro livro, então são parecidos com o primeiro. O terceiro se passa no começo do século XX, ligeiramente parecido com o universo de Nárnia do C. S. Lewis, e também com um sentimento parecido com o da obra Coraline do Neil Gaiman. O quarto livro é relativamente parecido com os dois primeiros e com esse primeiro livro que lancei, mas se foca muito mais em um povo só e muito mais nos seus desejos (como os desejos dos homens) do que na magia ou em valores que prezo. O último também são alguns contos, porém mais sombrios, como Drácula ou Frankenstein, se passando no meio do século XIX, relatado por pessoas idosas que eram jovens na época dos contos, fazendo com que na época que estão relatando estes contos é o começo pro meio do século XX”.
Imaginação, com certeza, não faltam para este jovem escritor.

FICHA TÉCNICA
CONTOS DE ALÉM DOS OLHOS
EDITORA:
KENDOONLINE LIVROS
1ª EDIÇÃO (1º JANEIRO 2021)
IDIOMA: NÃO QUALIFICADO
ISBN-10: 6588677014
ISBN-13: 978-6588677018
DIMENSÕES: 16 X 22 X 4 CM
À venda no https://www.amazon.com.br/Contos-Al%C3%A9m-Olhos-Magnus-Kishikawa/dp/6588677014/ref=sr_1_3?dchild=1&m=AES7TCS9OQYUX&qid=1622316600&s=merchant-items&sr=1-3

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