JOGOS OLÍMPICOS: Para Hugo Hoyama, Tóquio 2020 serão os Jogos da superação

Hugo Hoyama e as atletas da equipe feminina de tênis de mesa já estão na vila olímipica (arquivo pessoal)

Enfim, depois de uma longa espera – um ano, para ser mais exato – vai começar o maior evento esportivo do mundo. Apesar de a cerimônia de abertura estar marcada para esta sexta-feira, 23, em Tóquio, algumas modalidades – como beisebol, softbol e futebol – dentre as mais de 40 modalidades que fazem parte da programação dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 já estão na briga por medalhas. E a edição japonesa dos Jogos Olímpicos de Verão já entra para a história pelos mesmos motivos que a fizeram ser adiada em um ano e, não à toa, será, sem dúvida, a mais especial de todas.
Para o treinador da seleção brasileira feminina de tênis de mesa, Hugo Hoyama, Tóquio 2020 serão os Jogos da superação. Segundo ele, o adiamento foi necessário e também foi a decisão mais correta dos organizadores, “independente de atrapalhar ou não a preparação dos atletas”.
Tanto Hugo Hoyama como as atletas – Bruna Takahashi, Jéssica Yamada, Carol Kumahara e Giulia Takahashi – levaram um susto já na primeira semana – a delegação de tênis de mesa desembarcou no dia 13 em Hamamatsu para um período de aclimatação –com a notícia de que funcionários do hotel em que a delegação de judô está hospedada, na mesma Hamamatsu, haviam testado positivo para a Covid-19.
“Ficamos sabendo, mas não afetou em nada, até porque estamos numa ‘bolha’. É do ginásio para o hotel – até os elevadores são separados. O receio de pegar sempre vai existir, mas com todo esse protocolo as possibilidades são menores”, disse, acrescentando que “é uma pena” que as partidas tenham que acontecer sem a presença de público nos ginásios.
“É uma pena porque os japoneses gostam muito de tênis de mesa, mas independente de ter ou não torcida, as atletas precisam estar focadas pois um segundo de desatenção pode ser decisivo”, explica Hoyama, que está no comando da equipe feminina desde 2013 depois de encerrar uma carreira vitoriosa como atleta – o mesa-tenista é um dos maiores medalhistas do país em Jogos Pan-Americanos com 15 medalhas, sendo 10 ouros, 1 prata e 4 bronzes.

Em casa – Como jogador, Hoyama guarda boas recordações de sua participação, em Atlanta (1996) – a estreia em Jogos Olímpicos foi em Barcelona, quatro anos antes. Na época, venceu o sueco Jorgen Persson que havia conquistado nada menos que o título Mundial em 1991, e o Europeu, em 1986, terminando na nona colocação – foi eliminado nas oitavas pelo tcheco Petr Korbel. Em Londres (2012), ele também terminou na nona colocação, repetindo seu melhor resultado em Jogos Olímpicos.
Agora, como treinador, Hoyama também vem colecionando resultados expressivos, como a conquista do Campeonato Mundial da 2ª Divisão por Equipes, disputado no Ginásio Metropolitano de Tóquio – por coincidência, local dos jogos de tênis de mesa nos Jogos Olímpicos –, e a inédita medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

Boas lembranças – O título do mundial da 2ª Divisão por equipes não é a única boa lembrança do hoje treinador. “Foi aqui no Japão que fiz a minha primeira grande viagem para atingir meu objetivo, que era jogar na seleção brasileira. Também aprendi muito com a cultura”, garante ele, que lamenta apenas o fato de não poder sair da “bolha” para frequentar os restaurantes – Hoyama adora tonkatsu – nem para comprar nori, maionese – para a sua mãe – e shampoo.
Hoyama, que já está com a equipe feminina na vila olímpica, o Japão é como se fosse a sua segunda casa. Já adaptado tanto com o calor como com o fuso horário, o treinador disse que a parada de um ano, em certos aspectos, “equilibrou” as forças em algumas modalidades.
“O início da pandemia foi difícil para todo mundo. Muitos ficaram sem local para treinar e os que tinham mesa treinavam em casa como podiam. Isso com certeza atrapalhou mas não pode servir de desculpa”, explica o treinador, destacando que as três titulares atuaram na Europa – Bruna Takahashi, a número 1 do ranking nacional, no Sporting, de Portugal; Jéssica Yamada, na Espanha e em Suécia; e Carol Kumahara, na Espanha e na Itália.

Surpresas – “Os favoritos vão continuar sendo favoritos, mas acho que nestas Olimpíadas vamos ter muitas surpresas”, comenta Hoyama, que aponta as chinesas Chen Meng, número 1 do mundo e tetracampeã do World Tour Finals, e Sun Yingsha, terceira colocada no Mundial, como as jogadoras a serem batidas. Hoyama também coloca a japonesa Ito Mima, terceira do ranking mundial, entre as fortes candidatas ao título no individual.

Respeito – Quanto às brasileiras, o técnico afirma que “todas estão bem preparadas”. “Temos que ter respeito pelas adversárias, mas não medo. Estamos confiantes e acredito que nestas Olimpíadas, em particular, quem estiver mais focada vai ter mais chances de sair bem. Acho que a parte mental será muito importante”, diz Hoyama, que tenta passar o máximo de sua experiência para as atletas.
“Elas são muito disciplinadas e isso ajuda”, conta o técnico, que aponta a jogadora Bruna Takahashi, de apenas 21 anos, como a brasileira que pode surpreender.
“Mas todas podem enfrentar qualquer adversária de igual para igual. Se tivermos uma chance, vamos aproveitar”, diz Hugo Hoyama, acrescentando que, “vamos procurar fazer o máximo”. Para ele, um bom resultado, seja no masculino, seja no feminino, representa muito para o crescimento da modalidade no Brasil.

Instituto – “O nosso objetivo é entrar bem fisicamente na vila e depois esperar o sorteio dos jogos para conhecer as adversárias no feminino, que acontece no dia 21”, diz Hoyama, que espera continuar contribuindo “até quando for possível” e também se dedicar ao Instituto Hugo Hoyama, que fundou em 2011 ao lado da irmã Patrícia com o objetivo promover e difundir a prática de tênis de mesa, além de utilizar o esporte como ferramenta de promoção à inclusão social, cidadania e orientação educacional.

Sorteio – A estreia das mulheres no tênis de mesa acontece no sábado (24). No individual feminino, a primeira a jogar será Jéssica Yamada.
Em sua estreia em Jogos Olímpicos, ela vai enfrentar a suíça Rachel Moret. Filha do empresário, comentarista e colaborador do Jornal Nippak, Marcos Yamada, Jessica é a atual 142 do ranking mundial. Já Bruna Takahashi, a brasileira melhor colocada no ranking, estreia nos Jogos apenas na rodada 2, no domingo. Na disputa por equipes, o Brasil pegou uma “pedreira” logo de cara: a forte seleção de Hong Kong, quinta do ranking mundial.
Entre os homens, o primeiro a jogar no individual será Gustavo Tsuboi. Ele enfrentará o romeno Ovidiu Ionesco ou o australiano Xin Yan. Já Hugo Calderano jogará apenas na rodada 3. Na disputa por equipes, a seleção masculina enfrentará a Sérvia.
Ao Jornal Nippak, direto da Vila Olímpica, Hugo Hoyama disse que já esperava uma parada dura na disputa por equipes. “Mas acredito que as meninas possam fazer bons jogos. Elas já se enfrentaram no Mundial, em 2018, e foram jogos bastante disputados”, disse Hoyama, acrescentando que, no individual, “a Jessica tem boas chances de vencer a suíça”. “A Bruna deve enfrentar a chinesa da França, Yuan Jia Nan, ou a egípcia Yousra Helmy, e também será um bom jogo”, conta o técnico, concluindo que está muito confiante para os jogos individuais. “A equipe a gente deixa para pensar mais pra frente”, disse, explicando que o que tinha que ser treinado já foi treinado. “Agora é só concentração”, afirmou, enquanto dava um passeio para conhecer a vila olímpica.

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