Japan House São Paulo apresenta exposição sobre ‘regeneração’ por meio da arte e cultura

Mostra reúne obras de arte, fotos, vídeos e… (Aldo Shiguti)

Uma comunidade com aproximadamente 30 casas, sendo que a maior parte dos moradores são da terceira idade. Uma paisagem industrial que havia sido abandonada, e que agora é tomada por arte e arquitetura integradas ao ecossistema local. Essa é Inujima, uma pequena ilha localizada no Mar Interior de Seto, no Japão, com apenas 0,54 km² e pouco mais de 50 moradores, e que ganha exposição inédita na Japan House São Paulo.
A mostra “Simbiose: a ilha que resiste”, com curadoria de Yuko Hasegawa, diretora do 21st Century Museum of Contemporary Art de Kanazawa, Japão, e expografia da arquiteta Kazuyo Sejima, sócia-fundadora do escritório Sanaa e vencedora do prêmio Pritzker em 2010, reúne obras de arte, fotos, vídeos e depoimentos de moradores de Inujima.
A exposição conta também com uma grande representação arquitetônica do espaço geográfico da ilha, famosa por suas pedreiras, responsáveis por atrair o interesse da indústria ao local até meados do século XX. Depois da passagem pelo Brasil, a mostra segue para Londres e Los Angeles dentro do programa de itinerância global da Japan House.
Hoje, em meio às pequenas casas tradicionais japonesas que restaram após uma crise na atividade econômica e a evasão de habitantes, é possível encontrar obras de arte e arquitetura, quase como se a ilha fosse um museu a céu aberto. Este é o Inujima “Art House Project”, que desde 2010, promove a revitalização cultural de Inujima, com intervenções gradativas e de pequena escala, sempre em harmonia com a natureza e com a comunidade local. Junto a Fundação Fukutake, o projeto destaca o conceito togenkyo, utilizado para denominar algo comum ao cotidiano, porém único e cheio de riqueza. Inujima é um local que possibilita trocas de vivência especiais com os habitantes que ali vivem.
Antes de Inujima “Art House Project”, um outro projeto já destacava o potencial da ilha com uma primeira intervenção: o Inujima Seirensho Art Museum, projetado pelo arquiteto Hiroshi Sambuichi, que esteve no Brasil em 2019, a convite da Japan House São Paulo para uma série de palestras, inclusive sobre as especificidades do projeto do museu.

… depoimentos de moradores de Inujima (Aldo Shiguti)

Nostalgia – “Eu não sabia do que se tratava esta exposição, mas depois de visitá-la pude entender o seu propósito É simbiose com modernidade, simbiose com o tradicional, simbiose com a vida cotidiana, simbiose com arte… É uma simbiose de muitas coisas e é muito interessante vê-la aqui em São Paulo, um ambiente totalmente diferente do Japão”, disse o cônsul geral do Japão em São Paulo, Rysouke Kuwana, que conferiu a exposição na última segunda-feira, um dia antes de ser aberta ao público.
Para ele “cada visitante terá um sentimento diferente ao apreciar a mostra”. “Mas é bastante interessante no sentido experimental. Acho que é muito bonito o fato de ter uma ilha como essa, onde convivem muitas coisas. Só por isso já seria interessante”, comentou o cônsul que, ao Jornal Nippak, disse que seu sentimento foi, inicialmente, de nostalgia ao observar as imagens dos idosos. “Ao mesmo tempo, ao lado tem uma imagem de arte contemporânea, o que torna esse encontro bem interessante, evoca um sentimento que não é possível expressar com palavras, isto é, é como se surgisse um novo sentimento”, destacou Ryosuke Kuwana.
Ao Jornal Nippak, o presidente da JHSP, Eric Klug observou que Inujima, “uma ilha que pode ser circundada a pé em mais ou menos uma hora, mostra uma transformação de uma sociedade baseada numa extração de pedra de granito para uma comunidade muito rica em termos arquitetônicos e artísticos”. “Interessante que essa transformação foi feita de maneira não agressiva, incluindo os habitantes que estavam anteriormente na ilha. São apenas cerca de 50 moradores, com idade média acima de 70 anos e que não foram incomodados, ao contrário, foram incluídos nessa transformação sem ter que mudar o seu modo de vida. Então, para nós é um exemplo muito positivo de regeneração de maneira benéfica e pouco agressiva e que pode ser um modelo não só para o Brasil como para o resto do mundo de como você muda o propósito de uma área mas mantendo as tradições e a riqueza local anterior”, explica Klug

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana e o presidente da JHSP, Eric Klug: sentimentos (Aldo Shiguti)

Paralelos – Para a diretora cultural da Japan House São Paulo, Natasha Barzaghi Geenen, o passado da ilha “ao invés de ser apagado, coexiste com uma renovação contemporânea importante e harmônica, que valoriza e inclui a população existente”.
“Aqui no Brasil, podemos pensar em alguns paralelos muito bem-sucedidos como o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG) e a Usina de Arte, em Água Preta (PE).”, acrescenta Natasha.
Dentro do programa JHSP Acessível, a exposição “Simbiose: a ilha que resiste” conta com recursos de audiodescrição, libras e elementos táteis. Para mais informações sobre InujimaArt House Project”, acesse https://benesse-artsite.jp/en/art/inujima-arthouse.html (em inglês).

Exposição “Simbiose: a ilha que resiste”
Onde: Segundo andar da Japan House São Paulo (Av. Paulista, 52)
Período: Até 6 de fevereiro de 2022
Entrada gratuita
Reserva online antecipada (opcional): https://agendamento.japanhousesp.com.br/
A exposição conta com recursos de acessibilidade.
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 9h às 19h; domingos e feriados, das 9h às 18h.
※Devido ao coronavírus, a casa está funcionando com capacidade reduzida. Para mais informações, acesse o site da Japan House São Paulo.

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