Hospital Santa Cruz anuncia mudança de nome e início das obras do Centro Oncológico

Tomohiro Yanagisawa, Marcelo Tsuji, Mario Sato, Gustavo Hirata (a partir da esquerda) (Aldo Shiguti)

Inaugurado em 1939 como símbolo de cooperação entre o Brasil e o Japão – foi construído com a ajuda do governo japonês, inclusive com importante apoio do então imperador Hiroito, da população japonesa e da comunidade nipo-brasileira – o Hospital Santa Cruz mudou de nome e desde o dia 29 de abril passou a se chamar oficialmente “Hospital Japonês Santa Cruz”. O anúncio será feito nesta quinta-feira, 13, quando acontece uma Cerimônia Comemorativa alusiva aos seus 82 anos de fundação e que deve contar com a presença do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, do Representante Chefe no Brasil da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Masayuki Eguchi, e do vereador Aurélio Nomura, além da Diretoria do HSC, entre eles, o presidente Mario Sato, o presidente e o vice do Conselho Deliberativo, respectivamente, Renato Ishikawa, e Masato Ninomiya.
Na ocasião, a Diretoria também deve fazer um agradecimento ao Consulado Geral do Japão em São Paulo pela doação, em 2020, de quatro ventiladores pulmonares – por intermédio do Programa de Assistência para Projetos Comunitários (APC) – e à Jica, pela concessão de cerca de US$ 3 milhões através do programa de Concessão de Subsídios às Entidades de Imigrantes para ações de combate ao novo coronavírus e que possibilitará a construção do novo e moderno Centro Oncológico Santa Cruz.
Em 2020, durante a pandemia, a Jica, em conjunto com a Mitsui e a Fundação Kunito Miyasaka, viabilizou ainda as reformas do Centro Cirúrgico Ambulatorial e do setor de Hemodiálise.

Mercado – Sobre a inclusão do “Japonês” ao nome, o diretor executivo do HSC, Marcelo Tsuji disse que a mudança atende três aspectos. “Primeiro, basicamente, serve para recuperar a história do próprio hospital, que sempre teve sua origem ligada à comunidade japonesa”, explica Tsuji, acrescentando que o segundo aspecto visa atender uma questão de reposicionamento de mercado. Segundo ele, as empresas de consultorias contratadas pela instituição “sempre apontavam porque a gente não explorava essa nossa tradição, que do ponto de vista de marketing tem um apelo positivo muito forte”.
Além disso, destaca Tsuji, outros hospitais construídos por comunidades de imigrantes, como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o Hospital Israelita Albert-Einstein também fizeram o mesmo. “Do ponto de vista de marketing, a inclusão desses nomes, como ‘Japonês’ e “Alemão’, remetem à alta tecnologia e tratamentos confiáveis”, observa Tsuji, acrescentando que o terceiro aspecto é que a mudança, de certa forma, servirá para diferenciar o Santa Cruz de outros hospitais que têm o mesmo nome.

Logomarca – Em sua mensagem Mario Sato lembra ainda que o HSC foi construído para atender “aos anseios dos imigrantes japoneses que precisavam de um hospital onde pudessem ser atendidos na sua própria língua” e por isso a instituição passou a ser conhecida carinhosamente como ‘Hospital Japonês’. O presidente destaca também que “o hospital passou por diversas experiências, inclusive a Segunda Guerra Mundial, até voltar ao seio da comunidade nikkei, juntamente com os membros da sociedade brasileira, a partir do início da década de 1990”.
“Passaram-se três décadas desde então, período durante o qual houve esforços de diversos presidentes e diretores, que juntamente com os médicos e colaboradores se esforçaram para reconstruir e engradecer o nome do Hospital Santa Cruz”, explica o presidente, acrescentando que a ideia é lançar a nova logomarca em breve.

Raízes – “A apresentação da logo ainda depende de um estudo mais detalhado. É algo muito importante para nós porque tem que simbolizar a integração das duas culturas, tanto a japonesa como a brasileira. O que nós queremos deixar bastante claro é que se trata de um hospital de cultura japonesa, fundado pelo governo e pelo povo japonês com ajuda da comunidade nipo-brasileira e administrada por descendentes de japoneses, mas que, por outro lado, está estabelecido no Brasil e por isso somos todos brasileiros, sem distinção”, diz Sato, explicando que o projeto do Centro Oncológico também tem a ver com uma volta às raízes.
“Na época de sua inauguração, o governo japonês enviou equipamentos de radioterapia de última geração e, de acordo com registros, acabou sendo o primeiro centro oncológico da América do Sul”, conta. Marcelo Tsuji observa ainda que vários profissionais de oncologia passaram pelo HSC, entre eles os médicos pioneiros Antonio Prudente e Antônio Junqueira, “basicamente fundadores do A.C. Camargo Cancer Center”.
Com previsão de começar a atender já em 2022, o Centro Oncológico do HJSC ocupará o 1º andar do prédio principal. As obras devem ter início já nos próximos dias. “Um de nossos diferenciais é que teremos um dos mais modernos aparelhos de radioterapia denominado sistema Halcyon, da empresa Varian”, diz Tsuji, afirmando que, no Brasil, apenas o Albert Einstein conta com um equipamento idêntico, que, segundo a empresa americana, “oferece tratamentos rápidos e de ótima qualidade a pacientes com câncer”.

Pacientes fiéis – Mas não será o único diferencial, como explica o próprio Marcelo Tsuji. “Com o Centro Oncológico, esperamos atender um público fiel que procura o Santa Cruz. Entre 25 e 30% dos nossos pacientes são da comunidade nikkei e a gente reparou que eles fazem questão de virem aqui. Temos também pacientes da região, que são extremamente fieis graças à localização estratégica geográfica do hospital. A gente recebeu muitas queixas pois eles querem fazer um tratamento oncológico completo conosco”, diz Tsuji, explicando que a ideia é oferecer um atendimento desde o momento em que o paciente recebe o diagnóstico até o final do seu tratamento.

Meta – “Ou seja, nosso objetivo é fazer com que o paciente tenha todo atendimento integrado. Além do profissional que estará acompanhando o tratamento, o paciente terá também apoio de áreas assistenciais parceiras, isto é, ele terá uma equipe de enfermagem especializada, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, enfim, todo tratamento integrado estabelecendo assim uma relação de confiança baseada no conceito omotenashi (expressão japonesa que pode ser traduzida como hospitalidade)”, explica Tsuji, acrescentando que o Centro Oncológico pretende ser também uma referência no “pós-tratamento”.
Para Mário Sato, o início das obras do Centro Oncológico é uma das etapas para atingir uma meta “ambiciosa”. “Queremos, em médio prazo, tornar o Hospital Japonês Santa Cruz um dos melhores do Brasil. É uma meta audaciosa, mas estamos caminhando para atingi-la”, afirma.

Sobre o Hospital – Inaugurado em 29 de abril de 1939, em São Paulo com a missão de auxiliar os imigrantes japoneses e oferecer um atendimento médico-hospitalar de excelência no Brasil, o Hospital Japonês Santa Cruz (HJSC) se dedica a proporcionar uma vida melhor e mais saudável à população, priorizando ações de responsabilidade social, sustentabilidade e atividades de ensino e pesquisa voltadas ao aperfeiçoamento de seu corpo clínico, equipe assistencial e administrativa. A instituição é referência em Oftalmologia, Neurologia, Ortopedia e Cardiologia, entre outras especialidades. Atualmente, o hospital é reconhecido pelos equipamentos de alta tecnologia que conferem ao médico e paciente maior precisão, segurança e agilidade no procedimento e recuperação e atendimento humanizado com profissionais bilíngues. Investe de forma contínua em inovação e tecnologia aplicada em cirurgias minimamente invasivas e robótica hospitalar.
O HJSC é reconhecido como uma das instituições hospitalares mais modernas do país, tendo recebido o certificado pela segurança e qualidade dos processos assistenciais e médicos por meio da Organização Nacional de Acreditação (ONA II). Também tem firmado parcerias com os mais importantes centros de produção médica e científica constituídos pelas principais universidades do Japão – Osaka, Tsukuba e Kyushu.
Para saber mais, acesse: www.hospitalsantacruz.com.br

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