Hospital Japonês Santa Cruz volta às raízes para retomar sua história

Diretoria, médicos e funcionários do Hospital Japonês Santa Cruz posam com a faixa com o novo nome ao lado de autoridades e convidados: “Marco histórico para a comunidade” (Jiro Mochizuki)

“Nós somos o que somos hoje porque somos frutos de um passado e temos a obrigação de construirmos um futuro brilhante para deixar isso para os nosso filhos e netos”. A frase, dita pelo vice-presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira e Japonesa de Beneficência Santa Cruz, Masato Ninomiya, durante a Cerimônia Comemorativa do 82º aniversário da instituição, realizada no último dia 13, ilustra bem um dos motivos que fizeram com que a Diretoria optasse pela alteração.do nome de Hospital Santa Cruz para Hospital Japonês Santa Cruz.
Mais que uma simples inserção de uma palavra, a inclusão de “Japonês” ao nome do Hospital Santa Cruz – a mudança foi oficializada no dia 29 de abril – data de sua fundação – remete a instituição às suas raízes. Como também bem disse o presidente Mário Sato na solenidade, que contou ainda com a presença do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, do representante chefe da Jica (Japan International Cooperation Agency), Masayuki Eguchi, e do vereador Aurélio Nomura, além do presidente do Conselho Deliberativo, Renato Ishikawa, e do diretor executivo, Marcelo Tsuji.
“Decidir mudar o nome para Hospital Japonês Santa Cruz, é muito mais que assinar oficialmente a cultura japonesa que é enraizada na nossa excelência de atendimento, mas uma forma de retomar à nossa história, pois foi assim que nascemos, como hospital japonês, carinhosamente chamado de ‘Nihon Biyoin’”, disse Mario Sato, que assumiu a presidência da instituição em março deste ano.
Além de anunciar oficialmente o novo nome, o evento serviu também para o Hospital Japonês Santa Cruz apresentar o projeto de seu novo Centro Oncológico, que ocupará o primeiro andar do prédio atual. As obras, que devem ter início em junho, foram possíveis graças à doação da Jica no valor de US$ 3 milhões através do programa de Concessão de Subsídio às Entidades de Imigrantes para ações de combate ao novo Coronavírus.

Diretoria e médicos do Hospital Japonês Santa Cruz entregam placa de agradecimento à Jica (Jiro Mochizuki)

Ventiladores – Além da Jica, a instituição agradeceu também ao Consulado Geral do Japão em São Paulo, na pessoa do cônsul geral Ryosuke Kuwana, pela doação do governo japonês de quatro ventiladores pulmonares por meio do APC (Programa de Assistência para Projetos Comunitários).
Agora presidente do Conselho Deliberativo, Renato Ishikawa, que ficou três mandatos no cargo (ou quase dez anos – de outubro de 2011 a março de 2021) – lembrou que “o Hospital Japonês Santa Cruz nasceu justamente da união de esforços dos imigrantes japoneses como entidade beneficente, para atender às suas necessidades de assistência à saúde”.
“Atendimento esse feito na sua língua materna, em língua japonesa. Desde a sua inauguração, em 29 de abril de 1939, hoje comemoramos oitenta e dois anos de funcionamento ininterrupto, de uma instituição preparada e comprometida com seus ideais”, disse Renato Ishikawa, explicando que a data da fundação do hospital “é também a data que se comemora o aniversário do Imperador Showa, que sensibilizado pela campanha [de arrecadação de fundos para a construção do hospital], decidiu realizar a doação de um valor significativo”.
“Com isso queremos enaltecer a sua origem e continuar dando atendimento humanizado e dentro dos padrões japoneses, o Omotenashi”, disse Ishikawa, referindo-se a expressão japonesa que pode ser traduzida como “hospitalidade”.

Renato Ishikawa (Jiro Mochizuki)

Vitórias – Depois de três ciclos na presidência do hospital, Renato Ishikawa explicou que “nós temos muito orgulho de reconstruir o Hospital Japonês Santa Cruz, dotado de equipamentos de última geração, estado de arte, e acima de tudo, pelo seu atendimento humanizado, que hoje é a marca registrada do nosso hospital”.
Ishikawa destacou que, “ao longo de nossa história, colecionamos vitórias, e no momento de maior crise sanitária do mundo, a pandemia de covid-19, podemos novamente nos orgulhar de poder contar com o apoio do governo japonês, por meio do Consulado Geral do Japão em São Paulo”. Segundo ele, os quatro ventiladores mecânicos pulmonares adquiridos com a doação do governo japonês, já estão em pleno funcionamento e hoje auxiliam nossa equipe no esforço diário de salvar vidas na UTI”.

Vitória – Ele também fez um agradecimento especial à Jica. “Essa oferta nos abre a possibilidade da criação de um novo centro de atendimento do paciente com câncer, que poderá contar com um serviço médico-hospitalar especializado e de alto padrão, no tratamento oncológico”, destacou Ishikawa, que finalizou sua fala afirmando se tratar de uma vitória em “meio a tantas outras vitórias que diariamente tornam nosso hospital um local onde a vida é sempre valorizada e respeitada em primeiro lugar”.
Ao Jornal Nippak, Renato Ishikawa disse que “sinto que parte da missão foi cumprida”. “Parte porque nossa missão nunca termina”, conta. E depois de comandar as reformas do prédio e de vários setores do hospital adquirir equipamentos de última geração que contribuíram para tornar o Hospital Japonês Santa Cruz reconhecido como uma das instituições hospitalares mais modernas do país, Renato Ishikawa explica que uma de suas grandes satisfações foi poder conduzir o trabalho de atendimento humanizado, envolvendo funcionários, médicos e colaboradores.

Diferencial – “Além de equipamentos de alta tecnologia, o investimento em treinamento foi uma de nossas principais mudanças e o que nos deu um diferencial”, disse Ishikawa, que implementou também o Programa 5S Kaizen – que se refere à organização do ambiente de trabalho e também à otimização das tarefas diárias de acordo com cinco critérios: Senso de Utilização (Seiri), Senso de Organização (Seiton), Senso de Limpeza (Seiso), Senso de Padronização (Seiketsu) e Senso de Disciplina (Shitsuke) – e o TPS (Toyota Production System), metodologia adaptada da montadora japonesa para a instituição com o intuito de aprimorar o atendimento aos seus usuários.

Hospital Japonês Santa Cruz entrega placa de agradecimento ao cônsul geral do Japão (Jiro Mochizuki)

Meta – Mário Sato agradeceu a ajuda do governo japonês através do Consulado Geral do Japão em São Paulo e da Jica, “que elevarão nossos serviços a nível superior, para que possamos beneficiar ainda mais nossos pacientes que nos procuram diariamente”.
Segundo ele, quando o governo japonês e a Casa Imperial, preocupados com a saúde dos milhares de imigrantes, tomaram a iniciativa de construir o ‘Nihon Biyoin’, conseguindo a adesão dos imigrantes japoneses e seus descendentes, e o inaugurou em 1939, o hospital foi aparelhado com os mais modernos equipamentos da época, o que nos garantiu ser o centro médico-hospitalar mais avançado da América Latina naquele momento e o primeiro a oferecer o serviço de atendimento ao paciente oncológico”.
Agora, revela o presidente, a meta, embora ambiciosa, é retomar o projeto de tornar o hospital novamente um centro oncológico de excelência , que, sem dúvida alguma, “salvarão centenas de vidas de brasileiros ao longo dos anos”.

Masato Ninomiya (Jiro Mochizuki)

Sentimental – Masato Ninomiya disse que a mudança de nome para Hospital Japonês Santa Cruz “tem um valor histórico e sentimental”. “Quando o Dojinkai foi fundado e quando houve a campanha que contou com a participação do imperador Showa, todo mundo chamava o hospital de Nihon Biyoin, ou seja, Hospital Japonês. Durante a Guerra, todos os hospitais foram mudando de nome, como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o Israelita Albert Einstein. O Japão teve que tirar o japonês e ficou só Santa Cruz. A volta do Hospital Japonês Santa Cruz para a comunidade japonesa foi uma coisa meio penosa. Enquanto a Fazenda Tozan e a Fazenda Nomura e outros bens do governo japonês estavam sendo devolvidos para a colônia, só o HSC que não conseguiu devido a alguns problemas. E ai o próprio Enkyo – Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo – queria o Hospital Santa Cruz mas viu que não ia dar e construíram em 1988 o Nipo-Brasileiro no Parque Novo Mundo, em um terreno onde ficava o Centro de Treinamento da Jica. Com o passar do tempo, em 1990, quando houve a devolução, foi constituída a Sociedade Brasileira e Japonesa de Beneficência Santa Cruz para ‘acomodar parte dos problemas’. E, agora, passados todos esses anos chegou-se a um acordo que podia voltar com o nome ‘Japonês’”, disse Ninomiya à reportagem do Jornal Nippak, lembrando que, “juridicamente, sempre foi Hospital Santa Cruz”.

Mudança histórica – “Mas os japoneses carinhosamente o chamavam de ‘Hospital Japonês’. Tanto é que, quando vim para cá, em 1954, tinha um parente meu internado aqui e falavam: ‘Vamos visitar o Nihon Biyoin’, só que na época da intervenção não podia ser esse nome e no período que foi devolvido à comunidade japonesa também não deu certo”, explicou, acrescentando que, para a comunidade, “não tenho dúvidas que essa mudança é histórica”.
“Isso não significa nenhum tipo de segregacionismo. É história. Obviamente que no regime militar não poderia falar isso pois existia sempre uma insegurança em relação ao Japão, mas tudo isso acabou. E aconteceu naturalmente de colocar o ‘Japonês’ no Santa Cruz. Foi um caminho natural”, disse Ninomiya.

Cônsul Ryosuke Kuwana (Jiro Mochizuki)

Indispensável – O cônsul Ryosuke Kuwana também lembrou que o Hospital Japonês Santa Cruz foi inaugurado com a “missão de fornecer serviços médicos aos imigrantes japoneses”. “Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, por quase 50 anos os direitos de sua gestão foram retirados dos nipo-brasileiros. Mas graças aos esforços de muitos, em 1990, o hospital foi devolvido às mãos da comunidade nipo-brasileira”, observou o cônsul, acrescentando que em 2012 “o Dr. Renato Ishikawa, atual presidente do Conselho Deliberativo, foi nomeado como presidente do hospital e começou a trabalhar arduamente para melhorar a estrutura financeira e desenvolveu os recursos humanos do hospital”.
Kuwana expressou sua profunda gratidão a Renato Ishikawa e sua equipe “pelos esforços que permitiram o hospital alcançar a posição que ocupa hoje, como um hospital indispensável tanto para a comunidade nikkei quanto para a comunidade brasileira”. “A partir deste ano o hospital deu um novo início sob o comando de um novo presidente, o senhor Mário Sato, com uma nova denominação: Hospital Japonês Santa Cruz. Agora, o hospital tem duas grandes iniciativas, o novo Centro Oncológico, com a cooperação da Jica, e o plano de expansão do hospital”, observou o cônsul, explicando que o Brasil ainda está em meio à pandemia do novo coronavírus.
“Esse hospital está contribuindo neste combate também. Para apoiar esses esforços, doamos quatro ventiladores pulmonares como parte da cooperação do governo japonês. Fui informado que os ventiladores já estão funcionando e salvando a vida de muita gente, o que nos causa muita satisfação”, concluiu Ryosuke Kuwana, que expressou seu respeito e gratidão aos médicos, enfermeiros, enfermeiras e colaboradores do hospital “que atuam dia e noite, assim como todos os envolvidos no desenvolvimento e manutenção deste hospital”.

Masayuki Eguchi, da Jica (Jiro Mochizuki)

Cooperação – Representante chefe da Jica no Brasil, Masayuki Eguchi lembrou que, em relação à mudança de nome do hospital, “a cooperação com o Japão foi fortalecida pela iniciativa do ex-presidente Renato Ishikawa durante seus três mandatos”.
“Espero que a nova administração do hospital, agora com o presidente Mário Sato, continue e fortaleça seu papel como ponte entre o Brasil e o Japão”, disse Eguchi, explicando que uma das missões da Jica é realizar “segurança humana”, conceito que inclui a área de saúde, na qual o hospital desempenha um papel muito importante.
Eguchi, que assumiu o cargo em janeiro deste ano, observou que a Jica tem colaborado com o Hospital Japonês Santa Cruz através de apoio subsidiário e o envio de voluntários como nutricionistas e professores de língua japonesa.

Alegria – “Nos últimos anos, em 2019, por meio das Reuniões de Cooperação dos Hospitais Nikkeis, realizamos o treinamento ‘Dieta hospitalar japonesa (gerenciamento nutricional)’ através do Programa de Bolsas e Treinamentos para a Comunidade Nikkei, com a cooperação da Universidade de Kyushu. Em 2020, fornecemos subsídios para reforma de salas de cirurgia ambulatorial e de diálise, além de máscaras e roupas de proteção contra o coronavírus”, destacou Eguchi, afirmando que “agora é nossa alegria e satisfação poder cooperar com a implantação de um novo ‘Centro Oncológico’ equipado com quimioterapia e radioterapia com um subsídio de aproximadamente R$ 15 milhões”, disse o representante da Jica, que perdeu seu pai para o câncer há cerca de 40 anos.

Natação – “Mas ouvi falar que o tratamento do câncer está progredindo constantemente a cada dia”, disse Eguchi, que citou como exemplo a nadadora japonesa Rikako Ikee, cotada para conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. “Ela superou a luta contra o câncer e venceu o Campeonato Japonês em seu retorno triunfal”, afirmou, referindo -se à nadadora de 20 anos que se classificou para a Olimpíada de Tóquio durante a final do Campeonato Japonês na prova dos 100 metros borboleta e garantiu vaga na equipe japonesa do revezamento 4×100 metros.
“Acredito que o Centro Oncológico, com conclusão prevista para março do ano que vem, trará esperança e contribuirá para muitos pacientes com câncer na comunidade nikkei bem como para os cidadãos paulistanos”, comentou Eguchi, que concluiu sua fala esperançoso que o Hospital Japonês Santa Cruz “se torne cada vez mais ativo no país e também nas relações do Brasil com o Japão, como uma organização representativa da sociedade nipo-brasileira”.

Vereador Aurélio Nomura (Jiro Mochizuki)

Excepcional – Para o vereador Aurélio Nomura, a mudança de nome do hospital é “excepcional”. Segundo ele, a inclusão do ‘Japonês’ “confere ainda mais credibilidade ao hospital”. “Todos os hospitais, como o Israelita Albert Einstein, o Alemão Oswaldo Cruz e a Beneficência Portuguesa, entre outros, aproveitaram esta questão da vinculação com a nacionalidade e colocaram como uma marca, uma referência. Acredito que com o Santa Cruz será a mesma coisa, até pela proximidade ainda maior com as entidades japonesas, como as universidades e hospitais, uma relação iniciada na gestão do Dr Renato Ishikawa e que está levando o Hospital Santa Cruz a carimbar o hospital não só como uma instituição que segue as tradições japonesas mas que também tem sua imagem associada à alta tecnologia e que o torna um hospital de excelência”, disse Nomura ao Jornal Nippak.
Em seu discurso, Aurélio Nomura lembrou que, apenas um ano após sua inauguração, o Hospital Japonês Santa Cruz já atraia a atenção dos mais importantes e renomados nomes da Medicina naquela época, como o Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, o pioneiro de transplante de coração no pais. “Tínhamos também um Centro Oncológico, um Centro Oncológico de excelência e o primeiro do Brasil. Passaram pelo Hospital Japonês Santa Cruz nomes como os doutores Antonio Prudente e Antônio Junqueira, os fundadores do AC Camargo”, disse o parlamentar, que agradeceu ainda ao médico e ex-ministro da Saúde no governo José Sarney (de 16 de janeiro de 1989 a 14 de março de 1990), Seigo Tsuzuki que, “graças a sua atuação e aos seus esforços junto as autoridades federais, em 1990, a administração do Hospital Japonês Santa Cruz retornou à comunidade nikkei, uma luta que vinha sendo travada desde o final Segunda Guerra Mundial”.

Grandeza – Segundo Aurélio Nomura, todo o trabalho iniciado por Renato Ishikawa deve ter continuidade agora com seu sucessor, Mário Sato. “Tenho certeza que prestar um atendimento médico de alta qualidade, de elevar ainda mais o conceito do hospital e oferecer uma vida melhor, mais saudável a toda a população também fazem parte da preocupação do atual presidente, Mario Sato”, finalizou o parlamentar, que lembrou ainda que no final do ano passado, ele e sua mãe, Dona Maria do Carmo, de 90 anos, contraíram covid-19 e se recuperaram graças aos profissionais do Hospital Japonês Santa Cruz.
“Devo a minha vida e a vida da minha mãe ao Hospital Japonês Santa Cruz”, afirmou o vereador, que destacou a importância do Centro Oncológico ao lembrar que no ano passado perdeu um irmão para a doença.
Aurélio Nomura finalizou destacando que o Hospital Japonês Santa Cruz é o único que presta assistência gratuita a três grandes entidades assistenciais: Sociedade Beneficente Casa da Esperança Kibô-No-Iê, Associação Pró-Excepcionais Kodomo-No-Sono e Assistência Social Dom José Gaspar Ikoi-No-Sono. “Só isso mostra a grandeza do hospital e a importância que ele ocupa nos corações de todos nós”.

O diretor Marcelo Tsuji (Jiro Mochizuki)

Números – Em nome dos funcionários do Hospital Japonês Santa Cruz, o diretor executivo Marcelo Tsuji destacou a importância dos quatro ventiladores mecânicos pulmonares doados pelos Consulado Geral do Japão em São Paulo. Ele explicou que, de março do ano passado a abril deste ano, foram internados na UTI do Hospital Japonês Santa Cruz 2244 pacientes, sendo 464 de covid-19. Dentre os pacientes com covid internados na UTI, 3598 receberam alta, sendo que 197 precisaram de ventilação mecânica. Tsuji disse que os equipamentos doados pelo Consulado começaram a ser usados em fevereiro deste ano, durante a 2ª onda e foram fundamentais para que muitas vidas pudessem ser salvas.

Dr. Sérgio Sônego Fernandes (Jiro Mochizuki)

Orgulho – Coordenador das UTIs do hospital, o médico Sérgio Sônego Fernandes contou que o primeiro paciente com covid-19 foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Santa Cruz no dia 18 de março de 2020. “Daquele dia, marcante para nós, até os dias de hoje, passado um ano e dois meses, atendemos mais de 470 pacientes com esta enfermidade, muitos deles provenientes do sistema público de saúde. Desse total, cerca de 200 precisaram de ventilação mecânica. Nunca foi tão necessário esse recurso nas UTIs não só aqui como no Brasil e no mundo”, disse o médico.
“Está sendo um trabalho muito árduo, um período difícil da nossa especialidade. Muitas vidas foram perdidas mas também muitas foram salvas. E, felizmente, os resultados assistenciais da UTI do Hospital Japonês Santa Cruz estão entre os melhores quando comparados com hospitais privados de todo o Brasil. Isso muito nos alegra. Os ventiladores foram muito importantes para os nossos resultados. A todos os envolvidos com essa doação, tenham a certeza e o orgulho que os senhores são participantes desse resultado. Muitos pacientes foram entubados, foram retirados da ventilação mecânica e hoje estão em suas casas se recuperando da covid-19 devido a esse ato tão generoso. Em nome de toda equipe da UTI, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e de toda equipe multiprofissional, nosso muito obrigado”, agradeceu o Dr. Sérgio Sônego.

Tomohiro Yamagisawa (Jiro Mochizuki)

Patamar acima – Gerente de Relações Institucionais, Tomohiro Yanagisawa explicou sobre o projeto do Centro Oncológico, que foi dividido em três etapas. 1) Pré-Projeto, 2) Execução e 3), Início dos Serviços. Segundo ele, entre a elaboração do conceito e a definição dos equipamentos para pedido do subsídios e a aprovação da Jica, demorou cerca de um mês. Ele afirmou que o hospital já assinou contrato para a aquisição de um equipamento de radioterapia, que está previsto para chegar no hospital por volta de novembro em 2021. Até lá, algumas obras devem ser feitas no primeiro andar para receber o novo aparelho, como reforçar a blindagem das paredes, além de algumas mudanças internas.
Yanagisawa explicou que o Centro Oncológico integrará com outros serviços existentes, como o setor de imagem, endoscopia, laboratório, ambulatório geral, centro cirúrgico no quinto andar e o pronto-atendimento no térreo, além de todas outras especialidades.
“Com a dinâmica e a harmonia dos serviços atuais e dos serviços futuros, o Hospital Japonês Santa Cruz estará em outro patamar, proporcionando qualidade de vida para os nossos pacientes”, assegurou.

Dr. Marcelo Fanelli (Jiro Mochizuki)

Desafios – Por fim, o médico chefe do Setor de Oncologia, Marcelo Fanelli fez um discurso emocionado ao agradecer as famílias dos pacientes “que entregam suas vidas num momento de grande fragilidade”. “Nossa obrigação é acolher essa família além das expectativas e o mínimo que a gente pode entregar é tentar ir além”, disse. E, ao agradecer o governo japonês, através da Jica, pela doação para a construção do Centro Oncológico, Fanelli explicou que a Oncologia não é especialidade de um médico só ou de apenas um grupo. “Para que dê certo, todos os setores do hospital precisam estar envolvidos. Se todos compreenderem, o projeto vai adiante e vamos prosperar”, disse o médico, afirmando que gosta de desafios pois eles abrem oportunidades para fazer um patamar acima do que vem, sendo feito”.
No final, os convidados se dirigiram até à frente do agora Hospital Japonês Santa Cruz, onde posaram para uma foto com a faixa com o novo nome.

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