HOMENAGEM: Comunidade perde Koji Michi, arquiteto, artista e idealizador do Melodias Imortais

Koji Michi com Lúcia Etsuko Ikawa no Melodias Imortais (Facebook/Lúcia Ikawa)

Faleceu no último dia 24, o arquiteto, artista e esportista Koji Michi, aos 83 anos de idade. De acordo com mensagem publicada pela família nas redes sociais, “depois de lutar bastante contra as doenças da idade e evoluir bastante”. “Estava até fazendo flexões e pensando em voltar a correr, teve um mal súbito gástrico, que gerou complicações pulmonares e que forçou seu coração. Sua passagem foi rápida e estava próxima da família”.
Ainda de acordo com o comunicado, o velório foi realizado no cemitério de Vila Alpina, onde o corpo foi cremado em uma cerimônia restrita por conta da pandemia da Covid-19.
Idealizador e apresentador do Nipponjin no Kokoro (Melodias Imortais) – que estava em sua 19ª edição e era considerado pelos cantores e público como um dos melhores espetáculos do gênero – Koji Michi tinha um lado pouco conhecido do público.
Segundo filho de quatro irmãos – sendo dois homens e duas mulheres – Koji Michi nasceu no dia 6 de março de 1938, em Tóquio, e estudou Engenharia e Arquitetura na Universidade de Waseda. Em 1962, então com 24 anos de idade, logo depois de sua formatura, recebeu uma bolsa de estudo da Embaixada do Brasil no Japão para passar um 1 ano no Brasil
Já no ano seguinte, então com 25 anos, começou a trabalhar como arquiteto e retomou os treinos de levantamento de peso – esporte que praticava no Japão –, sendo que em 1966 quebrou o recorde sul-americano de levantamento de peso. Naturalizou-se cidadão brasileiro em 1967 para representar o país nos Jogos Pan-Americanos, no Canadá, onde conquistou uma medalha de prata para o Brasil. No mesmo ano, foi considerado o maior atleta sul-americano da modalidade em todos os tempos.
Em 1970, então com 32 anos, durante as comemorações da Copa do Mundo, conheceu sua vizinha, Midori, com quem contraiu matrimônio no ano seguinte. Tiveram três filhas: Ayra, Maguy e Nayra.
Em 1978, com 40 anos de idade, recebeu do secretário de Esportes de São Paulo o prêmio de “Melhor Atleta do Ano” e em 1988, com 50 anos, já na categoria master, conquistou três medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos e outras três medalhas de ouro no Campeonato Mundial Masters. Em 1989, chegou a estrelar uma campanha publicitária.
Por conta do trabalho, em 1991 foi enviado, para a Espanha, onde ficou dois anos em Madri. Nessa mesma época, começou a tomar gosto pela pintura até que em 1997 participou dos primeiros concursos de artes plásticas, sendo premiado em 7 ocasiões. Em 1998, aos 60, uma de suas obras foi premiada com “Prêmio Manabu Mabe”.

Melodias Imortais – Em 2000, com 62 ano, participou do 1º Show Beneficente Melodias Imortais e não parou mais. Em 2004, aos 66 anos, ganhou um concurso de arquitetura para a construção do novo centro de Pesquisa da Souza Cruz British American Tobacco.
Sobre o Melodias Imortais, aliás, que foi corealizado pelos jornais Nikkey Shimbun e Jornal Nippak durante alguns anos, Koji Michi imprimiu um estilo pessoal que o tornou diferenciado e único. Como uma de suas características inigualáveis, tinha por hábito pesquisar cada canção que compunha a programação. Tamanha dedicação tinha o reconhecimento não só dos artistas e do público como também de seus colegas.
Como a apresentadora Lúcia Etsuko Ikawa, que lamentou a morte do amigo.
“Quero deixar umas palavras em homenagem ao nosso querido amigo Koji Michi, um homem integro e exemplar que nos deixou de repente …. deixando saudades sem tamanho… ele não está mais entre a gente, mas deixou um exemplo que permanece inesquecível. Obrigada por tudo”, escreveu Lúcia, que costumava apresentar o Melodias Imortais ao lado do amigo.

Gratidão – “Conheci essa pessoa maravilhosa que sempre me deu grande apoio em qualquer circunstância, dando ensinamentos e exemplos. Tive a oportunidade de ajudar na apresentação ao lado dele no evento mais esperado e querido pelo público, que é o Melodias Imortais “Niponjin no Kokoro no Uta” por um longo tempo. Ele foi o idealizador e criador desse grandioso evento. Excelente narrador que com a sua apresentação que fazia de corpo e alma, emocionava o público presente. Quero agradecer por tudo que ele fez por mim. Minha eterna gratidão!!”, assinalou Lúcia, que concluiu: “Michi san, descanse em paz, sua memória será eterna dentro do nosso coração”.
Eterno, como o evento que apresentou com tanta paixão.

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