Hikikomori: Quem são os jovens reclusos da sociedade e por que optaram por esse estilo de vida

Hikikomori (ひきこもり): Reclusão social por opção, a preocupação da sociedade moderna

Atualmente, para ingressar no mercado de trabalho uma pessoa deve ser extremamente qualificada, possuindo graduação e inglês avançado como requisitos básicos, além de cursos e atividades extracurriculares que enriqueçam seu currículo. O problema dessas imposições se dá devido à falta de oportunidade oferecida pelas empresas aos iniciantes e à pressão da necessidade de ser bem-sucedido e superar as expectativas alheias, tudo isso tem sido motivo para o surgimento do estilo de vida Hikikomori, resumido como o isolamento social observado principalmente entre os japoneses.
Segundo estudos, a reclusão é realizada por jovens de 15 a 39 anos, tendo a maioria indivíduos do gênero masculino, tanto de cidades urbanas quanto rurais. Um dos fatos que contribui para essa atitude é a ausência de estabelecimentos e entretenimento próximo à moradia.
Infelizmente, nos dias atuais, um Hikikomori é facilmente confundido com uma pessoa preguiçosa que não quer trabalhar, quando na verdade se trata de um distúrbio que causa diminuição na autoestima, medo de cometer erros e anseio por se manter longe dos olhos e das pressões sociais, de modo a fugir do que poderia gerar o agravamento do enfraquecimento da saúde mental.

O que é Hikikomori

Hikikomori pode ser resumido como isolamento social (divulgação)

Hikikomori é um termo que significa “isolado em casa”, denominando exatamente o que acontece com milhares de jovens que se isolam por mais de seis meses em suas residências, saindo apenas para realizar compras básicas, de preferência, no período noturno, em que há poucas pessoas nas ruas, garantindo o mínimo de contato social.
Ao definir esse conceito, é importante excluir as pessoas que se mantém em casa por motivos de saúde ou ocupação, como é o caso de mulheres grávidas, donos de casa e portadores de doenças que impossibilitam a saída de seus lares. Assim, quem opta pelo isolamento social são aqueles que decidiram fugir da realidade que os oprime, muitas vezes se sentindo acolhidos em jogos, livros, mangás e demais elementos que, com frequência, são confundidos como sendo a causa desse problema.
A vida do Hikikomori pode começar ainda em sua fase adolescente, período de grande pressão escolar, ou após resultados negativos em sua vida profissional, durante a vida adulta. De uma forma ou de outra, essas pessoas se trancam dentro de casa ou mesmo em apenas um cômodo, evitando qualquer tipo de interação social física ou virtual, se afastando do mundo, de modo a se tornar indiferente na vida de todos.
Esses casos são percebidos e associados, principalmente, ao Japão, onde a maioria da população é produtiva, eficiente e sofre pela pressão social e familiar, contudo esses acontecimentos são regulares em demais países, sejam eles orientais ou ocidentais, tudo se dá devido ao aumento da demanda profissional que exige cada vez mais de cada trabalhador e outros fatores que geram a vontade de ser invisível.

Principais causas do distúrbio

Fenômeno pode começar ainda em sua fase adolescente (divulgação)

As principais causas do fenômeno Hikikomori estão ligadas especificamente ao mundo interior de cada indivíduo, esse que costuma passar por processos traumáticos, tais como bullying, pressão social e profissional, sentimentos reprimidos e a falta de objetivos.
Quando um jovem sofre bullying ainda na infância, há o surgimento de insegurança, medo, baixa autoestima, ansiedade e ausência do anseio por amizades ou proximidade com outras pessoas. O problema disso é que muitas vezes os adultos responsáveis não têm noção do que está acontecendo, de modo que é fácil relacionar o isolamento às redes sociais e jogos que, com frequência, são ditos como fatores causadores do distanciamento, quando, na realidade, são as rotas de fuga e aconchego de muitos adolescentes.
No Japão, essa falta de conhecimento sobre os sentimentos dos Hikikomoris, depressivos e suicidas se dá devido ao coletivismo japonês que impede que um indivíduo incomode o outro, seja com atitudes ou com problemas pessoais, assim como o aumento do individualismo que tem provocado a queda na empatia e preocupação com o próximo.
Toda a competição profissional e a necessidade de sempre alcançar mais tem se tornado uma grande pressão em cima de quem não sai do mesmo patamar ou não vê motivos reais para buscar novos objetivos, senão agradar à sociedade.
Assim, a febre do isolamento social em todo o mundo é uma grande fuga da realidade àqueles que já não conseguem viver com a tensão mundial, contudo também é um gatilho que tem piorado toda a questão psicológica do ser, já que, estando sem emprego e estagnado numa vida sem mudanças positivas, a pessoa se sente cada vez mais inferior, incapaz e ansioso sobre os demais indivíduos que seguem suas vidas batalhando e conquistando.

Como ajudar um Hikikomori

Contato inicial deve ser feito à distância, até que a pessoa se abra (divulgação)

A primeira dica principal para ajudar pessoas que possuem distúrbios psicológicos é: não julgar, pois muitas vezes o próprio Hikikomori já sabe que há algo de errado, porém não sabe como mudar, então procure escutar, entender e dar o tempo necessário para esses indivíduos, já que, por vezes, esse contato deve ser feito à distância, até que o outro abra espaço para aproximação.
Dentre os casos, menos da metade diz querer ajuda profissional, mas nem todos realmente procuram, visto que mesmo uma conversa pode ser complicada a quem sofre desse problema.
Logo é importante ser paciente e seguir alguns dos passos dados pelas “irmãs de aluguel” do Japão que tem auxiliado diversas pessoas a saírem do isolamento, um trabalho árduo que demanda muito tempo.

Entre em contato à distância: pode ser por carta, telefonema ou quem sabe rede social. É fundamental respeitar o tempo e espaço de cada um, porém sempre mantendo uma conversa;
Aproxime-se aos poucos: com uma carta recebida ou entregue na própria porta do indivíduo ou, quem sabe, uma conversa realizada com uma barreira, pode ser pela porta mesmo;
Espere o convite: quando o Hikikomori disser que pode vê-lo, será o momento mais esperado, mas vá com calma, pois não quer dizer que está curado, pois, para a cura, necessitará de medicamentos e mais interação, de modo a reabilitar as habilidades sociais.

Com auxílio, compreensão e paciência, o Hikikomori pode melhorar e ser capaz de mudar a própria vida sem se basear nos desejos alheios que, frequentemente, buscam ajudar, quando, na verdade, atrapalham e pioram a situação de muitos. Assim, se há o conhecimento de uma pessoa nessas condições, dê o tempo necessário para que faça suas próprias decisões, pois a vida é única e deve ser vivida como cada um deseja.
(Mariana Kisaki)

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