HARU MATSURI: Festa da Primavera deve fazer parte do calendário anual do Kokushikan

Milena Hama, do Centro de Chado Urasenke do Brasil preparando o chá para as convidadas (Aldo Shiguti)

Paulistanos e turistas que saíram de casa no primeiro final de semana da primavera para conhecerem o Parque Kokushikan Bunkyo, localizado em São Roque (SP), se deram bem. Apesar das pancadas de chuva no sábado de manhã, o público compareceu em bom número para prestigiar a 1ª edição do Haru Matsuri – Festival da Primavera. Realizado nos dias 25 e 26 pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, o evento deve fazer parte da programação anual do parque (antigo Centro Esportivo Kokushikan Daigaku) que, por enquanto, conta apenas com o já tradicional Sakura Matsuri – Festival das Cerejeiras Bunkyos.
As atrações praticamente ocuparam o Pavilhão Kazuo Harasawa – onde se concentraram as vendas de verduras, frutas, legumes e flores – e o entorno do ginásio de esportes, onde ficaram as barracas de alimentação e as atividades culturais.
Durante os dois dias, quem compareceu pôde acompanhar e saber um pouco mais sobre a cerimônia do chá com os praticantes do Centro de Chado Urasenke do Brasil e assistir às perfomances dos grupos de taiko Ikkon Wadaiko, Kiendaiko e Sakura Fubuki Wadaiko, além de workshops de ikebana, oshibana-e e tênis de mesa.
Quem foi pela primeira vez, aprovou. Como o casal Felipe e Marcela – ele, analista de sistema e ela, assistente de produção artística – que saíram de Campinas especialmente para participar do evento. Marcela explica que ficou sabendo do festival através de uma amiga – descendente de japoneses – que indicou o evento. “É um lugar muito bonito e o evento está muito bem organizado”, disse ela. O marido conta que pretende retornar com a esposa para conferir também o Sakura Matsuri. Até lá, eles esperam que os organizadores atendam uma sugestão na parte gastronômica. Vegetarianos, eles não encontraram opções veganas de pratos como yakisoba e udon.
Rosana e sua filha, Patrícia, que moram na Capital, também não conheciam o Parque. “Costumamos fazer a rota do vinho aqui em São Roque mas não estávamos sabendo deste evento”, disse Patrícia, explicando que ela e a mãe costumam frequentar as festas que são realizadas pela Acal (Associação Cultura e Assistencial da Liberdade) no bairro da Liberdade. Antes de acompanharem as apresentações de taiko, mãe e filha já tinham garantido a feira do final de semana e esperavam encontrar ainda um doce que tanto procuravam.

Emoção – Para o presidente da Comissão de Administração do Parque, Celso Mizumoto, o Haru Matsuri tem tudo para fazer parte do calendário de eventos do Kokushikan. Embora afirme que “quem faz sempre acha que poderia ser um pouco melhor”, ele destaca que, “frente à situação que atravessamos, de pandemia e crise, com muitas idas e vindas, o balanço final é positivo”.
“Quem organiza sempre tem que ver os dois lados, não só o consumidor final mas também aqueles que vendem. E tanto o público como os bazaristas saíram de lá contentes”, disse Mizumoto, destacando que seu sonho é poder realizar quatro eventos anualmente no Kokushikan. “Dois estão garantidos”, disse, referindo-se ao Sakura Matsuri e ao Haru Matsuri.
“O mais importante é que o pessoal acreditou no nosso trabalho”, explicou ele, que ficou visivelmente emocionado na cerimônia de abertura ao agradecer o presidente da Comissão de Jovens do Bunkyo, Rafael Pettersen, que trabalhou na coordenação do evento com os demais membros do Seinen.
“Tivemos pouco tempo para preparar este evento, mas tenho certeza que com esse primeiro impulso vamos crescer a cada ano”, disse Mizumoto, que agradeceu também os patrocinadores e, em especial, o presidente da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono,. Sergio Oda, pelo empréstimo das tendas, sem as quais não teria sido possível realizar o festival.

Sem parar – Também presente na abertura, o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, lembrou que “ainda não estamos realizando eventos presencialmente”. “Mas não paramos nesta pandemia, tudo está acontecendo em formato online. Aliás, se existe algo positivo que a pandemia trouxe foi a oportunidade de trabalharmos com as ferramentas digitais, que encurtaram as distâncias e permitiram que mais e mais pessoas participassem das nossas reuniões”, revelou Ishikawa.
Acompanhada da filha Anna, de 14 anos, a cônsul adjunta do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Chiho Komuro, fez a saudação em nome do cônsul geral, Ryosuke Kuwana – que encontra-se em viagem – e disse que estava feliz por conhecer e também rever os amigos. Ela disse que ficou impressionada com o dinamismo dos jovens e ressaltou que tais atividades renderão muitos frutos para o Bunkyo no futuro.

Em casa – Já o prefeito de São Roque Marcos Augusto Issa Henriques de Araújo, o Guto Issa – que estava acompanhado da primeira dama Josi Mattos – explicou que estava se sentindo em casa. “Meu pai era vendedor de batatas e por isso fui criado no Largo da Batata, entre a comunidade japonesa, ouvido o idioma e admirando a cultura, a postura, a educação a retidão e isso sempre me encantou”, comentou Guto Issa, que cumpre seu primeiro mandato como prefeito depois de dois mandatos como vereador e de atuar por 28 anos como oficial de justiça no Fórum de São Roque.
Ele explicou que, quando foi para São Roque, fundou a Associação Cultural São Roque de Aikidô Dojo, “que é uma associação de aikidô e de difusão da cultura japonesa” “Quando estou aqui neste espaço maravilhoso e tudo que for iniciativa da comunidade terá o nosso apoio”, garantiu o prefeito, que durante o plantio do pé de cerejeira ao lado do presidente do Bunkyo e da cônsul Komuro anunciou que pretende plantar, ainda este ano, 113 árvores no município, em local ainda a ser definido, em homenagem à imigração japonesa, que em 2021 comemora 113 anos.

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