Haicai Brasileiro: Como fosse a primeira vez (6)

O ato da composição é único na vida do haicaísta/haicai. Não existe um modelo a ser seguido. Nem mesmo o haicaísta sabe que tipo de composição irá acontecer. Pensar que o haicaísta tem total domínio em sua execução é uma inverdade. Se isso acontecesse, seria uma outra coisa. É como a cerâmica. Quando ocorre a queima em altas temperaturas, existe uma modificação da peça, devido ao calor, o tipo de barro, a forma da peça ao ser torneada, assim por diante. Somente vai tomar conhecimento da peça, quando ela for retirada do forno. Houve a participação do ceramista, e outros determinantes igualmente contribuíram para a peça.
No começo do burilar do haicai, o autor busca elementos de sua composição: kigô + imagem + situação. O kigô é a presença marcante do haicai. Tanto a imagem como a situação acabam sendo construídas através da utilização criativa e estética da linguagem. Não se trata apenas de dizer, mas como dizer, causando um efeito imagético, sonoro, dialogal entre as partes envolvidas. Se o haicai privilegiasse apenas o conteúdo, a sua aparência podia ser de qualquer jeito. Mas da maneira como se mostra é igualmente valorizada.

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