Haicai Brasileiro: Como fosse a primeira vez (3)

Esta coluna não pretende ensinar ninguém a compor haicai. Outros ensinam a técnica de composição, a sua formatação, o seu conteúdo e os alunos se lançam a compor. Um curso assim não forma haicaístas. Nem o haicaísta formado desta forma tem a capacidade de ensinar, além de uma cartilha de fórmulas e sugestões possíveis. De alguma forma, os haicaístas que observam mais, leem mais a composição dos colegas, também de outros, adquirem uma percepção mais apurada da linguagem. De fato, o haicai é linguagem e pesquisa no campo da linguagem.
Cada haicai produzido é uma visão de mundo, construído numa arquitetura singular por parte do compositor. Quando lemos um haicai que agrada a nossa sensibilidade, é o mundo que se revela através da linguagem. Assim, a linguagem é devidamente trabalhada para que possa apresentar uma determinada sensação pictórica e também sugestiva.
O haicai surge no momento de sua confecção, não antes disso. Ter um haicai na mente e depois reproduzi-lo na escrita não me parece apropriado. Já fizemos isso outras vezes, principalmente como iniciantes. Podemos ter o domínio da linguagem, mas é a linguagem que cria o haicai.

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