Haicai Brasileiro: Como fosse a primeira vez (12)

Somente os que compõem o haicai por anos afins podem falar a respeito. Se para o neófito, dominar o haicai é a pretensão, ao criar um estilo, apoiar-se em modelos, treinar a escrita e utilizar com eficiência o kigô, num certo momento vai constatar que nenhum controle é mais possível. Acredito que, neste momento, podemos chamar alguém de haicaísta. Ao invés de dominar o haicai, podemos ser parte do haicai, um de seus componentes, uma peça de relógio que tem a sua função e importância. Num certo instante, o haicai vai se compor por si próprio, através da chamada do kigô, em sintonia com a métrica proposta e com a utilização criativa da linguagem. A linguagem realiza o haicai dando beleza e propondo imagens, sons, lembranças, sentimentos vários.
Para se chegar a este ponto, o tempo é longo. Acima de tudo, é preciso dedicação. Quanto mais realizar o exercício da composição, melhor será o resultado. Não se chega a um fim. Nunca um haicaísta se considerará satisfeito. A cada avanço, a percepção dos erros acontecerá. Nada desanimador, pois a caminhada será constante e cada passo em si, uma conquista.

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