Haicai Brasileiro: Como fosse a primeira vez (11)

O haicai lido pela primeira vez, sem saber do que se trata, se não despertar uma apreciação estética, causa-nos estranheza. Alguns nada entendem e descartam. Outros acham ser poesia feita por crianças. Outros não sentem nenhum interesse. São várias as sensações. Mas aqueles que gostam sem entender muito, ficam desconfiados. Podem pensar: o que faz alguém compor algo assim? É poesia de origem japonesa. Mas não fica restrita ao recorte daquele país, pois as fronteiras da literatura são fluidas. Talvez das manifestações artísticas vindas do oriente, o haicai seja um dos mais notáveis.
Se acham que compor em três versos seja tarefa fácil, estão enganados. Sua linguagem é simples, como deve ser simples a vida do haicaísta. Nada de adjetivos, nem de palavras fora de uso, sem enfeites, sem as franjas carnavalescas e barrocas. Compor desta forma, de quem acostumou-se com a poesia ocidental, terá que aprender a compor de novo. As palavras não são atiradas no poema sem nenhum nexo. As palavras descrevem, revelam, ocultam e criam diálogo.

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