GOIÁS: 14ª edição do Ganbatte Seinen da ANBG recebe embaixador do Japão e presidente do Bunkyo

Convidado do 14º Ganbatte Seinen, Renato Ishikawa falou sobre sua vida pessoal e profissional (Aldo Shiguti)

Realizado no dia 29 de agosto pela Associação Nipo-Brasileira de Goiás (ANBG) – com coordenação do Seinenkai de Goiânia – a 14ª edição do Ganbatte Seinen – cujo objetivo é encorajar e proporcionar aos jovens para os desafios da vida, especialmente para suas carreiras profissionais – contou com dois convidados especiais: o embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, e o presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, Renato Ishikawa que, aliás, foi o palestrante do evento.
A exemplo do Bon Odori Box 2021, realizado com enorme sucesso na noite anterior, também o Ganbatte Seinen foi oferecido em formato híbrido, com transmissão pelo canal do Bunkyo, no YouTube. No salão da ANBG, cerca de 50 jovens prestigiaram a palestra. Antes da fala de Renato Ishikawa, o embaixador do Japão disse que acompanha o Ganbatte Seinen desde a sua primeira edição, em 2019, e respeita muito as atividades do Seinenkai do Bunkyo de Goiás “porque vocês estão trabalhando muito ativamente para melhorar o seu empenho e ampliar a rede entre vocês e também com outros nikkeis do Brasil”.
E passou a bola para o palestrante, o qual considera uma pessoa “excepcional em todos os sentidos”, além de um amigo de longa data. Com a palavra, Renato Ishikawa falou sobre sua trajetória pessoal e profissional. Antes, o 2º Tesoureiro e coordenador do FIB (Fórum de Integração Bunkyo) deste ano, Oston Hirano, e a diretora de Comunicação do Bunkyo, Patrícia Takehana, contaram um pouco sobre as atividades da entidade.
À vontade, Renato Ishikawa falou por quase uma hora, desde a sua infância, em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, até sua ida para a Capital, em 1950, para concluir seus estudos. Destacou a importância dos pais, que lhe transmitiram valores como trabalho, honestidade, perseverança, educação e resiliência.
Corintiano, disse que seu sonho sempre foi ser médico para “ajudar as pessoas que mais precisassem”, mas como tinha que ajudar financeiramente a família, optou por uma matéria que pudesse estudar à noite. E, aliás, destacou a figura materna, vinda de Fukuoka, como fundamental para que ele e seus irmãos pudessem estudar.
Formado em Economia pela Universidade Mackenzie, pós-graduado em Administração pela Getúlio Vargas com curso de Financial Management na Universidade de Nova Iorque, além de diversos outros cursos que fez, Ishikawa disse que sua trajetória profissional tem alguns capítulos dos quais tem orgulho, como as passagens pela Ericsson do Brasil uma empresa de telecomunicação sueca – e os seus 20 anos como presidente da NEC do Brasil.

Coletividade – Na Ericsson, descobriu que suecos e japoneses têm muitos comportamentos em comum, como o respeito pela coletividade em detrimento da individualidade. “Tanto os suecos como os japoneses estão sempre pensando no próximo”, disse Ishikawa, que atualmente comanda uma empresa do ramo de construção civil e é proprietário de uma fazenda em São João da Boa Vista (SP), onde produz café de qualidade.
Para quem acha que sua vida foi somente um mar de rosas, ele faz questão de lembrar que em sua trajetória teve muita briga, muita disputa e também alguns fracassos. Por isso, explicou a importância de montar um time, em que todos tenham os mesmos objetivos.
“Mais que máquinas e tecnologia, o que mais importa serão sempre as pessoas”, disse o presidente do Bunkyo, que falou também sobre outra de suas paixões: o trabalho voluntário.

Trabalho voluntário – Contou como conseguiu reerguer, com a ajuda de amigos, a Fundação Santa Terezinha, um orfanato localizado em Carapicuíba, na região da Grande São Paulo, cuidado por freiras italianas e que na época tinha cerca de 500 crianças entre 0 e 18 anos. Ficou “uns cinco ou seis anos” lá antes de ser convidado por médicos a assumir o Santa Cruz, em 2011. Nesse período que ficou no Santa Terezinha, angariou muitos fornecedores, principalmente na NEC, e juntos promoveram uma reforma nos dormitórios dos internos e instalaram até uma cozinha industrial.
Sobre o hoje Hospital Japonês Santa Cruz, lembrou que assumiu a presidência em 2012 e ficou até março deste ano, quando passou o cargo para o seu sucessor, Mário Sato.
Reforçou, mais uma vez, que quem faz a diferença são as pessoas. “Pessoas que fazem acontecer”, disse, explicando que “nenhuma pessoa é igual a outra”. “Precisamos, primeiro, conhecer as pessoas individualmente para depois formarmos um time que trabalhe em harmonia”, ensinou, acrescentando que, no HJSC, implantou o “Jeito Santa Cruz de Atender”, que sintetiza uma forma de atendimento “humano, carinhoso e sempre com um sorriso no rosto”.

TPS – “Além disso, com o apoio da Toyota do Brasil, implantamos o Toyota TPS (Toyota Production Systems), um processo adaptado para o hospital e que é puxado, e não empurrado”. Falou também sobre as visitas ilustres que passaram pelo HJSC, como a de Akie Abe, esposa do ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e do então príncipe herdeiro Akishino e sua esposa, princesa Kiko, além de intercâmbios com alguns hospitais universitários japoneses e como, em 2016, o Santa Cruz colaborou com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro ao manter uma base na Cidade Maravilhosa formada por uma enfermeira e um médico para prestar atendimento a turistas japoneses.

Líder – E, finalmente, sobre o Bunkyo, ressaltou a missão da entidade, “de representar a comunidade nipo-brasileira e promover a preservação e divulgação da cultura japonesa no Brasil e da brasileira no Japão, bem como incentivar e apoiar as iniciativas voltadas a esta finalidade” e que, ao assumir seu primeiro mandato, em 2019, elegeu como foco promover a harmonia entre as gerações bem como a integração entre Brasil e Japão, além de priorizar a participação dos jovens.
Já praticamente encerrando sua fala, Renato Ishikawa afirmou que “nunca teve pretensão de ser líder” e compartilhou algumas dicas sobre liderança. Segundo ele, “líder é quem cuida das pessoas”. Para isso, conta, é preciso buscar um equilíbrio entre sua vida profissional e a pessoal.
Destacou, como características de um líder, ter “ambição”; “sorte” – que chamou também de coincidência ou “estar no lugar certo, na hora certa” –; “foco”; “jogo de cintura”; “empatia”; “criatividade” e “intuição”. E que é preciso ser “admirado e respeitado”; “dar exemplo” ; “ser um bom comunicador” e ter “capacidade de decidir”.

Sapos – No final, respondeu as perguntas da plateia e falou sobre algumas curiosidades, como sobre sua coleção de sapos de enfeite. Afirmou ter esperanças de estar começando um relacionamento duradouro com a ANBG e convidou os jovens do Seinenkai a visitarem o Museu Histórico da Imigração da Japonesa no Brasil localizado no Edifício Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Antes de deixar o palco, Renato Ishikawa foi homenageado pela ANBG e pela Embaixada do Japão com a entrega de uma placa.

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