FESTIVAL DO JAPÃO: Presidente da Comissão Executiva apresenta proposta para reduzir prejuízo da pandemia nos kenjinkais

Praça da alimentação do Festival do Japão é uma atração à parte com a gastronomia das províncias (arquivo/Aldo Shiguti)

O ano pode começar com uma boa notícia para os Kenjinkais (associações de províncias). É que o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – entidade responsável pela realização do Festival do Japão – considerado o maior evento de cultura japonesa do mundo – pode aprovar nesta quinta-feira, 7, uma proposta cujo intuito é garantir sobrevida para a maioria dos kenjinkais que tiveram suas finanças abaladas durante a pandemia.
Trata-se da “Proposta de Ouro”, apresentada pela primeira vez em dezembro do ano passado aos representantes dos kenjinkais e para os membros da Comissão Executiva do 23º Festival do Japão, adiado para os dias 9, 10 e 11 de julho deste ano em função da pandemia.
Idealizada pelo presidente da Associação Wakayama Kenjinkai do Brasil, um dos vice-presidentes do Kenren e presidente da Comissão Executiva do FJ, José Taniguti, a proposta tem como foco a gastronomia dos kenjinkais, considerada o carro-chefe do evento.
Taniguti argumenta que a Covid-19 provocou mudanças de hábitos em toda a população mundial, sendo que muitos negócios sofreram prejuízos, “principalmente os pequenos comerciantes, devido ao isolamento social”. “As associações suspenderam suas atividades e os eventos da sociedade independentemente da escala foram suspensos. Isso resultou em prejuízo financeiro que comprometeu a todos”, justifica Taniguti, lembrando que “o Kenren também foi tragada pela maré do prejuízo por ter deixado de fazer o 23º Festival do Japão em 2020”. Segundo ele, “a esperança que resta é recuperar o prejuízo com a realização do 23º Festival do Japão em 2021”.

Escala global – Porém, ele próprio admite que é difícil garantir que os prejuízos serão totalmente recuperados “fazendo o Festival como antes”. Para Taniguti, aliás, “tudo indica que no ano de 2021 essa situação poderá continuar com a segunda onda da pandemia”. “Não sabemos neste momento se vamos ter o Festival do Japão presencial no mês de julho. Estamos na esperança de que a vacina seja a salvação para essa situação difícil, porém, as evidências indicam que a solução só virá no final deste ano”, afirma, explicando que, mesmo que o Festival do Japão ocorra, “é necessário que façamos um Festival com nova modelagem, mais ampla, envolvendo a comunidade em escala global”. “O mundo pós-pandemia está sinalizando que será diferente do mundo que estávamos acostumados. É preciso se adaptar aos novos hábitos rapidamente sob o risco de ficarmos na marginalidade”, alega Taniguti.

Venda programada – E é aí que entra a “Proposta de Ouro” elaborada pelo presidente do Wakayama Kejinkai. “O que propomos é a venda programada dos pratos nos três dias do Festival do Japão a fim de garantir a receita dos Kenjinkais. Para tanto é necessário que as associações definam os seus pratos, a quantidade a ser produzida na sexta-feira, no sábado e no domingo. Há ainda necessidade de fracionar as quantidades produzidas por períodos do tipo: das 10 horas ao meio-dia, do meio-dia às 14 horas, das 14 horas às 16 horas e das 16 horas às 18 horas. Isso é importante para garantir a entrega ao longo do dia evitando sobrecarga de trabalho gerada pelo pico de demanda”, explica Taniguti, acrescentando que é importante ainda que os Kenjinkais definam os pratos informando o seu nome, como, por exemplo, “Okonomiyaki à moda de Kansai”, “Kitakata Lámen”, “Espeto de yakitori”, e assim por diante. Outra questão é determinar o preço a ser comercializado e uma foto ilustrativa do prato. Para ele, a foto apresentada deve ser fiel ao produto disponibilizado.

Marketing – “Assim fazendo, podemos promover uma forte campanha de venda antecipada de pratos atrelada ao site do Festival do Japão através de marketing digital profissionalizado consagrado com grande visitação de público. A venda pode começar bem antes a partir de abril e o encerramento ocorre com a venda dos pratos disponibilizados no dia e período pelos Kenjinkais. Assim, cada Kenjinkai terá certeza de quantos pratos foram vendidos e, consequentemente, quantos pratos deverão produzir nos três dias. As vendas ficam condicionadas a não devolução do valor pago em caso de desistência devendo esse detalhe ser claramente destacado em local visível no site”, explica Taniguti, que trabalha com duas hipóteses para definir o sistema de entregas. A primeira, com a confirmação do Festival do Japão presencial, conforme programado.

Delivery – “Por ser um sistema complexo de entrega que começa num dos 47 Kenjinkais e tem por destino a casa do cliente que comprou o prato, isso multiplicado por milhares de vezes, há necessidade de concurso de trabalho especializado por empresas profissionalizadas de entrega. Os Kenjinkais tem por local de preparo de pratos o São Paulo Expo, onde espera-se que uma parte do público também irá consumir os pratos preparados pelos Kenjinkais. Porém, há alternativa de o Kenjinkai ter mais um local de preparo de prato que é a sua própria sede”, observa, acrescentando que as despesas de entrega deverão ser calculadas em função da quantidade de pratos e a distância entre os pontos devendo ser pagos pelo cliente.
Taniguti também trabalha com uma hipótese pessimista, que prevê a não realização do evento presencial. Nesse caso, os Kenjinkais preparariam os pratos em suas respectivas sedes, que seriam também os pontos de partida para os aplicativos de entrega. Nesse caso, as retiradas seriam efetuadas na mesma data da realização do Festival, ou seja, 9, 10 e 11 de julho.

Taniguti: “Será um grande desafio para a Comissão Executiva” (arquivo/Aldo Shiguti)

Corrida contra o tempo – Ao Jornal Nippak, José Taniguti garantiu que, em qualquer uma das hipóteses, a definição deve ocorrer logo pois a ordem é correr contra o tempo. “Um ou outro Kenjinkai ainda está na defensiva. Mas ém preciso pensar que, mesmo se não tivéssemos a pandemia, muitas associações estariam sofrendo do mesmo jeito com a falta de recursos”, diz Taniguti,afirmando que “a beleza do Festival do Japão está justamente na participação de todos os Kenjinkais”.
“Caso contrário, o Festival do Japão vira um evento como qualquer outro. Sua peculiaridade consiste no fato de cada kenjinkai preparar a comida típica de sua província. É isso que torna o Festival do Japão um festival sui generis, rico e belo e que garante o nosso sucesso há 22 anos. O Festival do Japão é o único evento que consegue reunir todas as províncias em um mesmo espaço e é por isso que é interessante que todos participem”, ressalta Taniguti, esclarecendo que a Comissão Executiva está fazendo levantamentos levando em consideração a situação atual da pandemia no Estado de São Paulo.

Festival adaptado – Segundo estudos preliminares, seguindo todas as determinações das autoridades sanitárias – como distanciamento social e capacidade de público reduzido – a expectativa é que a 23ª edição do Festival do Japão receba entre 40 e 50 mil visitantes. Para efeito de comparação, em 2019, a 22ª edição levou 192 mil visitantes ao São Paulo Expo Exhibition & Convention Center.
Nessa versão mais econômica, a previsão de gasto é de R$ 3 milhões contra os R$ 5 milhões para a realização de um festival “normal”. Ocorre que cerca de R$ 1,3 mi já estão comprometidos. “Pelas nossas contas vamos ter prejuízos, mas não podemos errar com os Kenjinkais”, diz Taniguti, que espera tirar logo a “Proposta de Ouro” do papel.
“Acredito que fora essa proposta não existe outra solução para salvar os kenjinkais, muitos deles em dificuldade por falta de receitas até depois da pandemia. Por isso, não podemos errar. O tiro tem que ser certeiro”, conta Taniguti, destacando que será um grande desafio para a Comissão Executiva”.

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