FALECIMENTO: Judô brasileiro se despede do grande mestre Shuhei Okano

Shuhei Okano ladeado por sua esposa Reiko Okano e pelo então cônsul Yasushi Noguchi (arquivo)

O judô brasileiro perdeu, no último dia 16, um de seus grandes mestres, o professor Shuhei Okano, Kodansha 9º Dan, que faleceu aos 82 anos, em São Paulo. Okano foi técnico da seleção brasileira de judô de 1968 à 1974 e esteve ao lado de Chiaki Ishii nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, quando o brasileiro conquistou a medalha de bronze, a primeira do judô em Jogos Olímpicos. Foi também presidente do Instituto Kodokan do Brasil.
O corpo foi sepultado no Cemitério Redentor, em São Paulo, com a presença de familiares e amigos próximos.
Nascido em 20 de janeiro de 1938, em Hokkaido, graduado em Direito pela Universidade de Thu, em Tóquio, Shuhei Okano emigrou para o Brasil aos 28 anos e dedicou toda sua vida ao judô.
Nessa caminhada, contribuiu em diversas frentes para o desenvolvimento e promoção da filosofia do judô no país, participando ativamente do processo de unificação do sistema de graus do judô brasileiro e dedicando-se durante longos anos para o fortalecimento na formação de atletas.
Por ocasião do Centenário de Tratado de Amizade Brasil-Japão, realizou o Campeonato Internacional Amistoso de Judô, convidando a Federação Japonesa de Judô, contribuindo para as relações amistosas entre os dois países. Concretizou a reforma da arena olímpica do Ginásio do Ibirapuera por meio do Projeto de Assistência a Projetos Comunitários Culturais do Governo do Japão. Além disso, publicou livros relacionados ao judô e trabalhou na promoção da introdução da modalidade no sistema oficial da educação brasileira.
Em reconhecimento aos seus feitos, recebeu, em 2019, homenagem do Governo do Japão que o condecorou com a “Ordem do Sol Nascente – Raios de Prata”, honraria estabelecida em 1875 pelo Imperador Meiji e, tradicionalmente, conferida em nome do Imperador àqueles que prestaram longos e meritórios serviços ao país, sendo destinada a civis, militares, japoneses e estrangeiros.
Em 2017, Shuhei Okano foi convidado pelo presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Silvio Acácio Borges, para participar do I Encontro Nacional de Kodanshas, no qual ministrou palestra sobre “História, Filosofia e Pensamento do mestre Jigoro Kano”. Na ocasião, afirmou: “Judô é disciplina, respeito e educação”. Valores que ele praticava não apenas no dojô, mas na vida, e que deixou como grande legado em todos os judocas que formou.
A Confederação Brasileira de Judô, em nome de toda a família do Judô Brasileiro, prestou sua solidariedade aos familiares e amigos do Sensei Okano neste momento de difícil despedida. A Federação Paulista de Judô também lamentou “a perda de um dos mais conceituados, talentosos e importantes professores de judô do Brasil”.
“Sem dúvida alguma nos deixa perplexos e enlutados. O judô brasileiro perde uma de suas mais expressivas referencias nas áreas técnica, ética e moral, já que sensei Okano pautou sua vida, dentro e fora dos tatamis, nos princípios deixados pelo professor Jigoro Kano; Neste momento a diretoria da Federação Paulista de Judô se une em oração à sua família e amigos para que esta perda possa ser compreendida com a esperança do conforto de Deus”, diz a nora assinada pelo presidente Francisco de Carvalho Filho.
(Com o site da Confederação Brasileira de Judô)

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