EX-BOLSISTAS DO GAIMUSHO: Leandro Hattori quer ‘intensificar corpo a corpo’ e ampliar participação de kenshuseis na associação

O novo presidente, Leandro Hattori, e a Diretoria da Gestão 2021-2022 da Associação de Ex-Bolsistas (divulgação)

Bolsista de 2015, Tério Uehara concluiu seu mandato à frente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei em uma cerimônia bastante concorrida. Realizado nesta terça-feira à noite (13), em formato online por conta da pandemia, a Cerimônia de Posse da Gestão 2021-2022 contou com a participação do embaixador do Japão, Akira Yamada; do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana; do presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, Renato Ishikawa; do vereador Aurélio Nomura e do precursor da bolsa, o ex-desembargador Kazuo Watanabe – que participou do programa em 1965.
Também prestigiaram a cerimônia a nova cônsul geral Adjunta do Japão em São Paulo, Chiho Komuro; o cônsul de Assuntos Políticos e Gerais, Hiroyuki Ide; o presidente da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), Walter Ihoshi e o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, além dos presidentes das principais entidades nipo-brasileiras, totalizando mais de 100 participantes entre convidados – como a ex-cônsul adjunto em São Paulo e ex-cônsul do Japão em Manaus, Hitomi Sekiguchi – e ex-bolsistas, representando cidades como Araçatuba (SP), Manaus (AM), Belém (PA), Castro (PR), Dois Irmãos (RS), Florianópolis (SC), Londrina (PR), Porto Alegre (RS), Presidente Prudente (SP), Promissão (SP), Santos (SP), Suzano (SP), Taubaté (SP), Uraí (PR), Rio de Janeiro (RJ) e até Tóquio, no Japão.
É a segunda vez que a associação realiza uma cerimônia de posse virtual. A primeira foi justamente a posse da Diretoria da Gestão 2020-2021 comandada por Tério Uehara. Sua equipe completou, assim, um mandato integral em plena pandemia.

Tério Uehara, presidente 2020-2021 (divulgação)

Em seu discurso, Tério Uehara lembrou que “assumimos a diretoria num panorama bastante desafiador, em meio ao conturbado momento que o mundo, e especialmente o nosso país, atravessava por conta da pandemia”. Como ele bem lembrou, a então chamada “nova realidade” impôs mudanças.
“Com a impossibilidade dos encontros mensais/presenciais, havia uma grande preocupação em como manter as atividades, como despertar o interesse, a motivação e, principalmente, a experiência insubstituível do espírito de confraternização, que ocorria mensalmente em nossos jantares”, explicou, acrescentando que “apesar das inúmeras restrições impostas pela grave circunstância sanitária, nossa associação decidiu encarar essa situação pela perspectiva do otimismo, seguindo a máxima de que ‘toda crise, todo desafio, traz grandes oportunidades’”.

17º Encontro Latino-Americano – “E, com muito esforço e criatividade, mas, acima de tudo, com a união, apoio e cooperação de todos, foi possível alcançarmos as metas traçadas no início da gestão”, disse Tério, que em seu balanço fez questão de mencionar o 17º Encontro Latino Americano – Gaimusho Kenshusei realizado em novembro de 2020 com a participação de embaixadores do Japão de 11 países e mensagem enviada pelo ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros do Japão, Takashi Uto. E agradeceu “o Dr. Kihatiro Kita, presidente da Associação Latino-Americana, bem como os vice-presidentes da comissão executiva do evento, Jairo Uemura e Marcelo Hideshima, pela oportunidade de a Associação Brasileira participar na correalização deste inesquecível encontro”.
Estendeu ainda seus agradecimentos ao diretor cultural, Alexandre Kawase e destacou o apoio da Embaixada do Japão no Brasil, do Consulado Geral do Japão em São Paulo e demais jurisdições. “Acreditamos que conseguimos atingir o objetivo maior deste encontro, qual seja o de proporcionar reflexões sobre o nosso papel como bolsistas do gaimusho, promover uma grande integração e networking entre os kenshuseis da América Latina e Caribe, e fortalecer a nossa relação com o Japão”, disse Tério, que também cumprimentou e agradeceu o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio e também aos ex-bolsistas que aderiram ao “Livro de Ouro”.

Ichariba chode – Por fim, ele agradeceu cada um dos membros de sua equipe e fez uma menção especial aos familiares, “afinal, nada teria sido possível sem o apoio, e principalmente, a compreensão dos familiares pelo tempo que nossos membros dedicaram às atividades da associação”.
E pediu licença para terminar seu pronunciamento da mesma forma como encerrou seu discurso na cerimônia de posse, agradecendo a esposa Mônica, os filhos Akim, Akio e Ayumi, e seu pais, Takeo Uehara, de quase 90 anos de idade.
Segundo ele, seu pai, aliás, “desde cedo, sempre repetia duas expressões da língua de Okinawa”. “A primeira é a palavra yuimaru, em nihongô seria o “otagaisama” ou seja, que devemos sempre ter o espírito de ajuda mútua. Pois dificilmente o individualismo consegue transpor barreiras. O espírito solidário de ajuda mutua, de equipe, é essencial para o êxito nas atividades. E a segunda expressão, ichariba chode – Depois do primeiro encontro nos tornamos irmãos. Que também representa o espírito de união e de solidariedade que nasce pela semelhança de propósitos. Acredito, firmemente, que a oportunidade concedida pelo governo japonês para que nós, kenshuseis, participássemos desta incrível experiência do programa de bolsa, nos tornou irmãos”, concluiu Tério, acrescentando que, “papai tinha razão, mais uma vez”.

Renato Ishikawa, presidente do Bunkyo (divulgação)

Livre no mercado – O presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, ressaltou a importância da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas explicando que a entidade reúne pessoas que ocupam cargos de destaque na comunidade nipo-brasileira e disse que o Bunkyo, assim como as demais associações nikkeis, também está na fila para tentar contar com os serviços do agora “livre no mercado”, Tério Uehara.

Vereador Aurélio Nomura (divulgação)

Falando em nome da classe política, o vereador Aurélio Nomura disse que é motivo de orgulho fazer parte da associação “pelo brilhantismo das gerações anteriores” e “pelo trabalho da geração atual, que manteve acesa a chama em busca do saber”. Segundo o parlamentar, “uma das medidas mais acertadas do governo japonês foi implementar o programa de bolsas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros aos jovens líderes da América Latina’.
Os jovens estão assumindo um papel de extrema importância nas associações, o que nos enche de orgulho e nos deixa a certeza que o trabalho iniciado pelos nossos maiores terá continuidade”, finalizou.

Cônsul Ryosuke Kuwana (divulgação)

Engenhosidade – Já o cônsul Ryosuke Kuwana parabenizou o presidente da gestão 2020-2021 pelo “grande desafio de assumir a associação em um ano tão conturbado”. Kuwana destacou a realização do 17º Encontro Latino-Americano que reuniu participantes que, em tempos normais, seria difícil. Ele também lembrou “que a vacinação está avançando tanto no Brasil como no Japão e disse esperar que isso traga importantes melhorias em nossas vidas”. Segundo o cônsul, é preciso “transformar as crises em oportunidades para construir uma comunidade ainda mais resiliente e forte”.

Embaixador Akira Yamada (divulgação)

Medalha – Em sua fala, o embaixador Akira Yamada destacou a “criatividade” e a “engenhosidade” da gestão 2020-2021 e citou, como exemplo, a realização do Encontro Latino-Americano. Yamada também felicitou o novo presidente e lembrou que ele próprio foi agraciado pela Associação Brasileira dos Ex-Bolsistas Gaimusho Kenshusei com a entrega da medalha Manuel Kawashita, a maior premiação concedida pela entidade.. E concluiu afirmando que agora quase todos os programas de intercâmbio estão suspensos, mas que em breve serão retomados gradativamente.

Kazuo Watanabe (divulgação)

Na condição de decano da bolsa, Kazuo Watanabe reforçou as qualidades tanto do presidente que estava deixado o cargo como do que estava assumindo. Sobre Tério Uehara, falou se tratar de uma unanimidade na comunidade e elogiou sua qualidade de “ouvir os mais antigos”. E destacou o que chamou de “dois mega eventos” de sua gestão: o 17º Encontro Latino-Americano e o Encontro com Diplomatas. Em relação a Leandro Hattoti, destacou sua “invejável qualificação e a certeza que teremos uma gestão tão atuante como a anterior”.

Leandro Hattori, presidente 2021-2022 (divulgação)

Sonho – Em seu discurso de posse, Leandro Hattori explicou que através da bolsa teve oportunidade de realizar o sonho de conhecer a terra natal de seus antepassados. “Até então nunca tinha ido”, afirmou, lembrando que teve oportunidade de fazer parte de um grupo seleto e também de conhecer diversos lugares do Japão. “Foi uma oportunidade única de vivenciar um pouco tudo isso, desde o turismo até os costumes”, disse, lembrando que a ocasião também era especial.
“Fui em 2008, ano das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil e por isso tivemos vários momentos inesquecíveis. Dois deles foram muito marcantes para mim: a visita à casa imperial e ter sido sorteado para ser o porta-voz de dizer algumas palavras à família imperial”, conta Leandro, acrescentando que também participou da cerimônia oficial dos 100 anos no Japão que reuniu autoridades brasileiras, além da presença da família imperial.

Márcia Nakano (divulgação)

“Na ocasião, inclusive, a família imperial quebrou o protocolo e cumprimentou um a um com o tradicional aperto de mão”, disse ele, afirmando que “foram dias intensos em que pudemos vivenciar, na prática, os valores da cultura japonesa e que agora, estamos tendo oportunidades de transmiti-los à sociedade brasileira”.

Oxigenação – Como desafio de sua gestão, o novo presidente espera contar com sua equipe para resgatar o maior número de bolsistas que estão espalhados pelo território brasileiro. “Até mesmo para dar continuidade a essa discussão do propósito desta viagem e da transmissão destes valores”, diz.

Kiyoshi Harada (divulgação)

O tradicional brinde ficou a cargo do jurista Kiyoshi Harada. Ele aproveitou para ressaltar que, “além da competência e a alegria de Tério Uehara, um de seus maiores legados, e que marcou sua passagem pela associação, foi o fato de ter inserido a participação de jovens no Encontro Latino-Americano. “Essa conquista precisa ser preservada para que haja sempre uma oxigenação na associação, o sonho dos bolsistas mais antigos, ou seja, nosso sonho. Tenho certeza que o Leandro Hattori dará continuidade a esse trabalho”, disse Harada.

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