ESPECIAL: Homenageados destacam importância da 64ª edição do Prêmio Paulista

Até 2019, Prêmio Paulista teve como “casa” a Câmara Municipal de São Paulo; este ano será no Bunkyo (arquivo)

Considerado um dos mais tradicionais e longevos eventos da comunidade nipo-brasileira, o Prêmio Paulista retorna em 2021 após uma – necessária – pausa de um ano por conta da pandemia. E retorna em grande estilo. Desta vez a solenidade de outorga será realizada no próximo dia 30, um sábado, e, diferentemente das edições anteriores, em novo horário e em uma nova “casa”. Em sua 64ª edição, a cerimônia está marcada para às 10 h, no Grande Auditório da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo – a principal entidade representativa da comunidade nipo-brasileira.
Importante frisar que o Prêmio Paulista ocorrerá seguindo as normas de higiene estabelecidas pelas autoridades sanitárias, com álcool gel, uso obrigatório de máscara e distanciamento social.
Idealizado pelo extinto Jornal Paulista – que mais tarde se uniria com outro tradicional jornal da comunidade nipônica, o Diário Nippak, dando origem ao Nikkey Shimbun (em japonês) e Jornal Nippak (em português), que a partir da fusão, em 1998, encamparam a sua realização – o Prêmio Paulista tem como objetivo valorizar e incentivar novos talentos nikkeis e reverenciar o trabalho de dirigentes abnegados que contribuem e contribuíram em prol da comunidade nipo-brasileira através da divulgação e preservação da cultura japonesa.
Este ano, além da categoria Esportes, serão premiados também destaques nas categorias Cultural e Social. Além dessas três categorias, a Comissão Organizadora também estará concedendo o “Prêmio de Honra Nikkei”, o “Prêmio Especial” o “Gratidão”
Nesta edição serão 53 homenageados, sendo 20 na categoria Esportes; 15 na Cultural; 6 na categoria Social; 3 na Especial e 2 na categoria Gratidão, além de 7 indicados no Prêmio de Honra Nikkei.

Toshio Saito (divulgação)

Rei da Cebolinha – Um dos homenageados na categoria Especial é o empresário Walter Toshio Saito, de 54 anos, que está radicado no Japão há pouco mais de 30 anos. Conhecido no Japão como o “Rei da Cebolinha”, ele nasceu em Terra Boa (PR) e é formado em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina. No Japão, onde foi em 1990 para trabalhar como dekassegui, fundou uma das primeiras escolas brasileiras no Japão, o Instituto Educacional TS Recreação, reconhecida pelo Ministério da Educação do Brasil (MEC), e pelo governo japonês, na província de Saitama, em 2009.
Em 2011, a Nippon Television apresentou um documentário a respeito de Walter Saito com o título “Deus do ônibus”. Isto porque Saito lotou um ônibus com mantimentos e comida, com a ajuda de muitas pessoas, e foi entregar para as pessoas atingidas onde houve terremoto e tsunami no Japão naquele ano. Ele participou, inclusive, de seminário para contar essa história humanitária e divulgada no site da Associação Kaigai Nikkeijin Kyoda.
Tantos feitos já renderam ao brasileiro várias homenagens, como a Ordem de Rio Branco, no grau de comendador, conforme decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e publicado no Diário Oficial da União do dia 14 de outubro de 2020.
Ao Jornal Nippak, Toshio Saito disse que seu sentimento se resume em uma palavra: gratidão. “Nós que conhecemos a história desse Prêmio, sabemos o quanto ele é cobiçado pela comunidade nipo-brasileira por sua credibilidade. Para quem o recebe, é um reconhecimento sem igual pois não é algo que se pode comprar, mas que se conquista por indicação e indicação é sinal de respeito”, disse ele.
Para Toshio Saito, ser reconhecido mesmo estando distante de seu país de origem após tantos anos é “ainda mais grandioso”. “São dessas coisas que não tem preço. Trata-se de um reconhecimento que me deixa extremamente enaltecido”, destaca.

Akemi Nishimori (arquivo)

Gratidão – Me sinto muito feliz e honrada em poder representar todos que trabalham continuamente pela difusão e manutenção da cultura e tradição nipo-brasileira no país”. A declaração é da presidente da Associação Brasileira da Canção (Abrac), Akemi Nishimori. Segundo ela, é uma felicidade “poder compartilhar esse prêmio com todos que contribuem para a manutenção da cultura japonesa através da música”.

Como o pai – Quem também luta, literalmente, para preservar a cultura japonesa, mas através de outro tipo de arte – a marcial – é o atual técnico da seleção brasileira de sumô, Tooru Kosaihira. Indicado para receber o Prêmio deste ano – ao lado de Tadaaki Kimoto, na categoria Sumô/Especial – Tooru conta que, para ele, trata-se de uma espécie de “continuidade” já que o seu pai, Goru Kosaihira, recebeu o mesmo Prêmio há cerca de 15 anos.

Tooru Kosaihira (arquivo pessoal)

Praticante de sumô desde os 4 anos de idade – atualmente está com 45 – Tooru explica que “nasceu” em uma academia. Depois de ficar quase dois Ele lembra que o sumô está retornando as atividades aos poucos e que a palavra agora é ‘recomeço’. “Tivemos algumas atividades online nesse período mas nada se compara aos treinos presenciais”, diz Tooru, acrescentando que a ordem é treinar firme para os Campeonatos Brasileiro e Sul-Americano, além da Seletiva para o Mundial que será realizado nos Estados Unidos.

Especial – Para a mesa-tenista Jéssica Yamada, que estreou em Jogos Olímpicos em Tóquio-2020 representando o Brasil, o Prêmio tem um sabor especial. “Nunca ganhei um Prêmio assim e fico ainda mais feliz em saber que as pessoas me escolheram porque acompanham minha carreira, apesar de eu ter disputado apenas uma Olimpíada. Além disso, trata-se de um evento que tem essa ligação com a cultura japonesa e por isso meu sentimento é só de gratidão”, explica Jéssica, que é filha do colaborador do Jornal Nippak e comentarista esportivo, Marcos Yamada.

Jéssica Yamada (André Soares/CBTM)

Para Jéssica, que atualmente defende o Clube Ganxets de Reus, de Tarragona, na Região Autônoma da Catalunha, na Espanha, e o Concórdia (SC), tudo tem seu momento certo para acontecer. Mesmo que esse momento demore um pouco mais que o esperado. Por isso, quando foi confirmada para fazer parte da equipe que disputaria as Olimpíadas de Tóquio, ela afirma que “passou um um filme na minha cabeça”. “No meu caso, teve um gosto diferente porque tive que esperar 13 anos. Esperei e não desisti em momento algum, disse ela, que esperava estar presente entre as atletas que disputaram os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
“O apoio da minha família foi muito importante”, observa ela, que namora o também mesa-tenista Cazuo Matsumoto há 10 anos. Mas diferentemente daqueles que acreditam que “Paris está logo aí”, Jéssica Yamada prefere ir com calma. Isso porque a atleta têm outros planos. Para ela, o projeto, que teve que ser adiado por causa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, é “aumentar a família”. “Isso está me deixando balançada”, admite a mesa-tenista, acrescentando que tinha planos de ser mãe antes dos 30 “e já estou com 32”.
A boa notícia para os seus fãs é que, caso ela consiga administrar o seu tempo, o tênis de mesa não vai perdê-la tão cedo. “Tudo vai depender da época, mas até lá vou continuar treinando firme”, avisa.

Silvio Kimura (arquivo pessoal)

Samurai – Quem também pretende continuar praticando firme é o arquiteto Silvio Kimura, que receberá o Prêmio na categoria Esporte na modalidade Kobudô. Para ele, “foi uma grande surpresa receber a indicação ao Prêmio Paulista deste ano”. Como descendente, sinto orgulho da tradição nipônica e como brasileiro fico agradecido pela oportunidade de apoiar o Instituto Niten na divulgação da cultura japonesa e especialmente aquela vinda dos samurais”, disse ele, explicando que, sinto que o mais importante é seguir pelo caminho indicado pelo Sensei, mantendo os valores da tradição samurai no Brasil”, conta-referindo-se ao Sensei Jorge Kishikawa.

64º PRÊMIO PAULISTA
Quando: Dia 30 de outubro, a partir das 10 horas
Onde: Grande Auditório do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) – Rua São Joaquim, 381

Informações pelo telefone:
11/3340-6060

Comentários
Loading...