ESPECIAL: Escola HeiSei está com as matrículas abertas

Fachada da instituição com letreiro e logo da Escola HeiSei Amano Shiguenori (Nikkey Shimbun)

No seu novo prédio foram investidos 7,5 milhões de reais onde será desenvolvida uma proposta moderna e de qualidade para atender às necessidades dos alunos nos dias atuais

A Escola HeiSei Amano Shiguenori está funcionando em novo prédio na cidade de São Paulo. Arquitetonicamente moderno, com quatro andares, em terreno de 900 metros quadrados, com área construída de 1200 metros quadrados. Desenvolvido com condições físicas propícias para nele ser executado um projeto pedagógico que atende às demandas e necessidades dos alunos do mundo contemporâneo, tanto para o momento atual quanto para as futuras gerações. Além de alicerces seguros, conta também, com valores sólidos. Podem ser observados nessa construção, elementos simbólicos da cultura japonesa como sala para cerimoniais, coberta por tatami, de onde se vê um lago com carpas ornamentais. Esses ambientes propiciam a imersão em diferentes aspectos da cultura japonesa.

Quem foi – Shiguenori Amano é pai de Tetsuhito Amano, presidente administrativo da escola. No Japão, seu pai, foi o líder que levantou bandeiras de protesto durante o “Conflito de Obokusa” , sendo a figura central nessa luta embasada pelo direito de propriedade do terreno no campo de treinamento Kita- Fuji, assim como, foi figura célebre em outros feitos significativos, sendo temido e respeitado por políticos   da esquerda e da direita, por governistas e opositores. Herdando do pai essa grande força de vontade, o presidente Amano, promoveu a construção desse novo prédio para o funcionamento da Escola HeiSei, onde as crianças são educadas e os adultos, que nela colaboram, tenham tempo de aprender, conhecer, criar, investigar, estar uns com os outros e para serem protagonistas de suas próprias histórias. Uma escola com a perspectiva cultural, priorizando uma educação calcada em valores humanos, com ênfase na cultura japonesa. A seleção das práticas tem por base os valores da cultura japonesa e a busca da harmonia e equilíbrio com os valores da cultura ocidental.

Equipe diretiva responsável pelo gerenciamento da escola HeiSei. Da esq. p/ dir.: vice-diretora Miwa Hamasaki, diretora Claudia Miyuki Hamasaki, presidente do conselho administrativo Tetsuhito Amano e o administrador Marcelino Hamasaki (Nikkey Shimbun)

A história da Escola HeiSei
Há mais de quatro décadas, a HeiSei se dedica a uma educação que proporciona o desenvolvimento dos alunos em todas as dimensões,   aprimorando as suas habilidades físicas, emocionais, intelectuais e sociais. Priorizamos a formação integral da criança e a prática da cidadania, por meio das relações baseadas no respeito e no convívio social.
Por volta de 1982 a diretora Claudia Miyuki Hamasaki, começou a ensinar Soroban, ábaco japonês e cálculo mental.
Em 1986, faz intercâmbio de dois anos no Japão e obteve certificação em Soroban. Também estuda a dança tradicional japonesa (buyo) e torna-se mestra credenciada da escola Hanayagi. Durante esse período, cursa como ouvinte aulas relacionadas à educação em uma faculdade feminina de curta duração e estuda o idioma japonês. Também faz   cursos relacionados à cultura japonesa tais como ikebana, taiko, shamisen e cerimônia do chá.
Retornando ao Brasil, ministra aulas de japonês em uma associação japonesa, quando também, dá inicio à Educação Infantil.
Em 1989 gradua-se em Pedagogia pela Faculdade de Educação da PUC, São Paulo.
Em 1995, retorna ao Japão, onde estagiou no Jardim da Infância Seihou, localizado na cidade de Oyama, província de Tochigi até 1997. Educa as duas filhas, observando como mãe e profissional, como é o ensino infantil nesse país.
Durante esse período lecionou português para filhos de dekasseguis. Essa rica experiência foi muito útil para ensinar soroban e português para filhos de expatriados japoneses no Brasil, o que lhe possibilitou adquirir referências importantes para compreender como os pais educam seus filhos, no exterior, assim, lhe abriram novos campos para a compreensão de aspectos relacionados ao desenvolvimento psicológico das crianças.

O Projeto pedagógico da Escola HeiSei

“Trabalhamos todas as linguagens, garantindo compreensão, a investigação e aprofundamento do saber, atribuindo significado às situações propostas, desenvolvendo com as crianças processos em que sejam valorizados o respeito, a participação, a criatividade, a amizade, a dignidade, a sensibilidade, a iniciativa, a pesquisa, o questionamento, as experimentações e as descobertas.
Estamos em diálogo com pedagogias inovadoras que despertam interações a partir de múltiplas possibilidades relacionais entre todos que habitam o espaço escolar provocando reflexões acerca do trabalho realizado. Nossos professores estão em processo contínuo de formação para o aperfeiçoamento profissional, tendo acesso aos recursos e ferramentas modernas, para uma educação de qualidade para esse tempo incerto, que exige respostas reflexivas , rápidas e criativas. A proposta pedagógica foi pensada para que as ações sejam permeadas pelas relações a partir de estudos, reflexões e parceria harmoniosa com as famílias e comunidade local, sempre presentes nas nossas relações por meio da Escuta e do Diálogo.
Nossa proposta visa a formação de todas as crianças cujas famílias nos confiaram para colaborar na educação dos seus filhos. Temos o compromisso de transmitir aspectos da cultura japonesa aos filhos de nikkeis, e aspectos da cultura brasileira aos filhos de expatriados japoneses, sempre por meio de vivências significativas e adaptadas às suas personalidades. Também faz parte de nossa proposta, ensinar às crianças e jovens a viver nesse ano e nos próximos, compreendendo que todas as escolhas e decisões são desafios que implicam em vigilância e cuidado, especialmente nesses anos de novos cenários.
Repensamos nossas formas e estratégias de trabalho para esse tempo de incertezas e de dúvidas, realizando as adaptações às necessidades desse tempo em que estamos vivendo, com o foco dirigido também, às condições da manutenção da saúde e da vida.
Venham nos conhecer nesse novo espaço”.
(Claudia Miyuki Hamasaki)

As matrículas estão abertas para novos alunos.
Endereço: Rua Artur de Oliveira, 113 – Vila Ester, SP.
Contato: (11) 4240-5525
e-mail: atendimento@escolaheisei.com.br

Shiguenori Amano: um líder guerreiro na questão do campo de treinamento de Kita Fuji

Shiguenori Amano posa em frente a placa entrada do campo de treinamento de Kita Fuji, em 2002. Nessa placa, estão os seguintes dizeres: “Compensação por não extrair uma folha de grama ou uma braçada de galhos, é golpe” (Nikkey Shimbun)

O nome “Shiguenori Amano”, da Escola HeiSei, refere-se ao pai do presidente Tetsuhito Amano.
Antes da Segunda Guerra Mundial, ele negociou o “iriai”, direito comum de usufruto da área comprada pelo antigo Exército Imperial Japonês e conhecida como campo de treinamento de Kita Fuji. Localizado próximo ao monte Fuji, na província de Yamanashi. Os moradores locais tinham permissão exclusiva de acesso e uso dos recursos naturais da área desde o período Edo, com os quais eles sustentavam suas vidas.
Após a guerra, ele liderou a questão do campo de treinamento de Kita Fuji enfrentando as Forças Aliadas e as Forças de Autodefesa que passaram a utilizar o local. Na época da guerra do Vietnã, arriscou sua vida ao empunhar bandeiras de protesto diante de fuzileiros navais dos EUA armados com carabinas. Ganhou a alcunha de “imperador Amano” e ficou conhecido como uma figura lendária, sendo respeitado tanto por políticos de direita quanto de esquerda.
Ele listou na publicação “Major 20th Century People in Japan A Biographical Dictionary” como ativista rural das eras Showa e Heisei e líder do movimento de agricultores de Kita Fuji. Foi apresentado como figura central na disputa por Kita Fuji por entrevistas com sucessivos secretários da Agência de Defesa japonesa. A origem do conflito seria a pesquisa jurídica e sobre o pensamento do direito comum de usufruto de áreas naturais. Quando foi prefeito da vila Oshino antes da guerra, fez uso da força dos agricultores para conseguir compensação por danos a plantações causados pela barragem da Tokyo Electric Light Company (atual TEPCO).

Shiguenori Amano nasceu em 1º de janeiro de 1909 em Obokusa, Oshino, uma vila localizada no pé da face norte do monte Fuji, na província de Yamanashi. Em 30 de dezembro de 2003, postou-se na entrada do campo de treinamento de Kita Fuji como protesto, vindo a contrair um resfriado e faleceu devido a pneumonia, aos 94 anos.
Em 1939, com 30 anos, concorreu à prefeitura de Oshino e venceu as eleições. Negociou com o antigo Exército Imperial Japonês para que fosse reconhecido o direito comum de usufruto do campo de treinamento de Kita Fuji.
Após a guerra, ele solicitou a venda de dois mil hectares do campo de treinamento, mas o local foi ocupado e requisitado pelos militares dos EUA, e a solicitação ficou esquecida. Foi então, que formou a União de Copropriedade de Obokusa em 1947 e, como líder, condenou o uso não autorizado pelos militares dos EUA e começou as negociações para que fosse reconhecido o direito comum de usufruto da área.
As principais alcunhas de Shiguenori Amano foram: mentor da disputa pelo campo de treinamento de Kita Fuji e imperador Amano. Baseado nesses nomes, imagina-se uma pessoa de rosto sombrio e severo, mas a percepção real era de uma pessoa calma, com expressão digna.
Ele lutou ao lado das esposas de agricultores da Associação Mães de Obokusa, que usavam chapéus de palha e vestiam o monpe, as tradicionais calças japonesas de trabalhadores, empunhando foices e placas de protesto e distribuindo panfletos com músicas de paródia e comédia. Liderou a luta dizendo: “A luta termina quando se sente triste. Para continuar a lutar, é preciso ter paz de espírito, ou acaba se frustrado”.
Shunichiro Madarame, autor da biografia de Shiguenori Amano, elogiou: “[Amano] apresentou-se no esplêndido palco que foi a área de tiros de Kita Fuji e realizou uma atuação espetacular, mostrando ao mundo o “conflito de Obokusa”, sem que ninguém fosse ferido ou preso.’.
Em 1955, protestou pelo uso não autorizado por militares dos EUA da área comum de Obokusa em Kita Fuji e entrou com um grupo de 300 pessoas da União de Copropriedade de Obokusa. Um grupo montado em cavalos passou pelos soldados dos EUA que portavam carabinas. Nessa época, a Agência de Administração de Instalações de Defesa concedeu e determinou a venda de 300 hectares do campo de treinamento.
Ele tinha amizade com vários pesquisadores renomados especializados em direito comum de usufruto de áreas naturais, como Ichiro Kato, professor assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Tóquio (posteriormente reitor da mesma universidade) e eles apoiavam a União de Copropriedade de Obokusa. A Agência de Defesa temia Shiguenori Amano. Funcionários da Agência de Legislação do Gabinete redigiram uma declaração de apoio a Amano: “O direito de propriedade e usufruto comum e demais direitos sobre a floresta do campo de treinamento de Kita Fuji são “direitos de propriedade sagrados” garantidos pela Constituição japonesa e que não podem ser infringidos”. A declaração foi exaltada pelo crítico de assuntos militares Shigeo Hayashi.
Amano faleceu lutando pela devolução completa do campo de treinamento de Kita Fuji e seu uso pacífico.

Referência bibliográfica:
MADARAME, Shunichiro. Kita Fuji enshujo to Amano Shigenori no yume: iriaiken wo meguru shibokusa no tatakai (O sonho de Shigenori Amano e o campo de treinamento de Kita Fuji: a luta de Shibokusa pelo direito comum de usufruto). Tóquio: Editora Sairyusha, 2005.

Comentários
Loading...