ESPECIAL/64º PRÊMIO PAULISTA: Prêmio Paulista serve de estímulo para os homenageados

Para Homenageados, Prêmio Paulista é um reconhecimento e serve de estímulo (Aldo Shiguti)

O Grande Auditório do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência – no bairro da Liberdade, em São Paulo – foi palco de um dos acontecimentos mais importantes da comunidade nipo-brasileira com a realização do 64º Prêmio Paulista, que este ano homenageou, além da categoria tradicional de Esportes, destaques nas áreas Cultural, Social, Especial, Honra Nikkei e Gratidão.
Entre os 53 indicados por suas respectivas associações – um recorde na história do Prêmio – muitos que vieram de longe, como o empresário Walter Toshio Saito, considerado o “rei da Cebolinha” no Japão, que recebeu o Prêmio na categoria Especial. A categoria Cultural trouxe homenageadas como Madoka (Soen) Hayashi, do Centro de Chado Urasenke do Brasil, e Emília Tanaka, da Associação de Ikebana do Brasil – que ganhou um buquê de flores da ex-presidente do Bunkyo, Harumi Goya. Ambas disseram estar muito felizes em poder representar suas associações e assim ajudar a contribuir para preservar e divulgar a cerimônia de chá (Madoka Hayashi) e a arte da ikebana (Emília Tanaka) no Brasil.
Presidente de honra da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Kazoshi Shiraishi, de 86 anos, disse que ficou surpreso. “Com essa idade não esperava mais ser homenageado”, comentou ele, afirmando que o sentimento é de gratidão.
Praticante de Kobudô há 19 anos,. Silvio Kimura explicou que “é uma honra representar o sensei Jorge Kishikawa e contribuir para preservar os valores da cultura japonesa no Brasil”, afirmou, referindo-se ao fundador do Instituto Niten.

Requios – Primeira treinadora de taiko do estilo Okinawa no país, Hatsue Omine – ou Omine Sensei como é conhecida por seus alunos – está há quase duas décadas à frente do Requios Gueinou Doukoukai Eisai Taiko. Feliz, ela compartilhou o Prêmio com todos que fazem e fizeram parte de sua trajetória. “Ninguém faz nada sozinha”, disse ela, que guarda com carinho as apresentações do Requios no Sambódromo paulistano nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil diante do então príncipe herdeiro ao trono do Japão, Naruhito (hoje imperador). “O Prêmio é um estímulo para continuar transmitindo a arte do taikô”, disse Omine Sensei.

Manutenção– Já Mitie Hamada, do Radio Taissô, estava acompanhada de uma comitiva formada por oito pessoas – entre familiares e amigos – que saíram de Presidente Venceslau para prestigiar a cerimônia. Indicada pela Area (Associação Recreativa, Esportiva e Agrícola) de Presidente Venceslau, ela conta que foi a responsável pela introdução da ginástica rítmica japonesa na região, em 1982 – portanto, há quase quatro décadas – e hoje é considerada uma das poucas que ajudaram a implementar a atividade e que continua praticando assiduamente.
“É com muita alegria e com muita honra que recebo este Prêmio. Digo que só estou representando aqueles que muitos fizeram e continuam fazendo pela nossa comunidade”. A afirmação é da presidente da Abrac, Akemi Nishimori. “Estamos apenas tentando dar manutenção, por isso digo que são tantas pessoas que fazem e que ajudaram a fazer que nós estamos aqui apenas representando cada um deles. Até porque uma entidade não se faz sozinha, se faz em comunhão de bens e soma de forças para multiplicar lá na frente. Então só quero agradecer essa oportunidade de poder representar a todos”, destacou Akemi.

Reconhecimento – A mesa-tenista Jéssica Yamada, que estreou em Jogos Olímpicos em Tóquio 2020, chamou a atenção dos convidados. A atleta olímpica, que estava acompanhada da mãe, tio, prima, do seu ex-técnico Cid Furuyama e de Minako Takahashi, do Itaim Keiko, “todo tipo de reconhecimento para gente que pratica esporte amador é importante”. “Ser atleta amador no Brasil é muito difícil e por isso o Prêmio serve de motivação para seguir lutando e continuar representando o nosso país”, disse ela, que guarda um carinho todo especial para a ex-presidente do Itaim Keiko.

Olimpíada – “Além de ser minha maior incentivadora, ela é um exemplo para mim e contribuiu não só para minha formação como atleta mas também como pessoa”, afirmou Jéssica, que estava na Espanha, onde defende o Clube Ganxets de Reus, de Tarragona, na Região Autônoma da Catalunha, na Espanha, e nos próximos dias embarcará para a disputa do Campeonato Pan-Americano – em Lima, no Peru, e para o Campeonato Mundial – em Houston, nos Estados Unidos – no Brasil, Jéssica defende o Concórdia, de Santa Catarina. Para ela, o Prêmio Paulista também significa “levar o nome” da comunidade japonesa nos eventos que participa.
Apesar de gratificante, Jéssica conta que 2021 foi um ano “bem difícil por conta da pandemia”. “Fiquei receosa se o Japão ia ou não realizar os Jogos pois era uma preocupação real. Graças a Deus a Olimpíada foi realizada, seguindo todos os protocolos e o sentimento é de gratidão por ter participado, ainda mais em Tóquio”, disse a atleta, acrescentando que “os japoneses mostraram mais uma vez que são muito competentes em tudo que fazem”.

Sonho – “Só mesmo o Japão para realizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em plena pandemia”, destacou a mesa-tenista, revelando que, apesar da ausência da torcida e do esquema de segurança rigoroso “deu para sentir um “friozinho na barriga”.
Jéssica vive, agora, um dilema. Como publicou o Jornal Nippak, a mesa-tenista gostaria de disputar os Jogos Olímpicos de Paris, daqui a três anos. Mas deseja também, ser mãe. “Sei que tenho potencial mas, ao mesmo tempo, tenho sonho de formar uma família, sonho que venho adiando. Vamos ver no que vai dar”, observa Jéssica, lembrando que outro sonho era participar da cerimônia de abertura dos Jogos, algo que não deu para concretizar em Tóquio por conta das restrições. Quem sabe em Paris.

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