ERIKA TAMURA: Suspensão do estado de emergência no Japão

O Japão passou por dois estados de emergências, devido à pandemia.
O primeiro foi logo no início da pandemia, no ano passado e, o segundo em janeiro.
Em algumas províncias, o estado de emergência já terminou, porém ele se manteve em três localidades: Chiba, Kanagawa e Tóquio.
Se eu sinto alguma diferença no meu dia a dia, com o estado de emergência? Quase nada!
Como estou trabalhando em casa, para mim não muda muita coisa. A única diferença é que os restaurantes fecham mais cedo. (20h)
Saindo às ruas, percebo uma grande movimentação. Muitos estudantes, trabalhadores, idosos, donas de casa… tudo na sua normal rotina, a diferença é que estão todos de máscara. (O que não é uma novidade, já que no Japão usa-se máscaras desde sempre, principalmente agora, época do pólen e causadores da alergia – kafunsho)
Como o Japão consegue manter a rotina e ainda assim ter baixos números de infectados? Com respeito às regras! Simples assim!!
Estou acompanhando os noticiários brasileiros e fico abismada com tudo o que está acontecendo, e na verdade o meu sentimento é de perplexidade. Como assim, precisa-se fazer usos de leis e decretos para que a população sigam as regras? Isso demonstra o total descompromisso e a falta de consciência das pessoas, e o resultado está aí: caos total, hospitais em colapsos, pessoas morrendo…
Como diz uma amiga minha, o caos já passou há muito tempo, agora chama-se fundo do poço mesmo!
E essa coisa de querer burlar regras deve estar culturalmente enraizado nos brasileiros, porque aqui no Japão, o consulado do Brasil em Tóquio, juntamente com o conselho de cidadãos de Tóquio, da qual eu faço parte, fomos chamados pelo governo da província de Gunma para uma conversa onde o governo afirma que em Gunma, mais especificamente na cidade de Oizumi, os casos de corona vírus têm aumentado consideravelmente por conta dos brasileiros. Foi citado as atitudes dos brasileiros como: churrascos, cultos, festas familiares e a forma de cumprimentar (com beijos e abraços).
À princípio duvidei das informações que o governo despejou a culpa em cima dos brasileiros, mas agora vendo o Brasil do jeito que está, tenho considerado a fala do governo da província de Gunma.
Aqui no Japão, não temos leis com imposições sobre toque de recolher, por exemplo. O próprio estado de emergência surgiu como uma providência de contenção ao vírus, e não foi imposto e sim, um pedido de colaboração. O governo quando fala para o público nas coletivas de imprensa, sempre toma o cuidado em não usar palavras no imperativo. As falas vêm em formato de pedido, uma forma de unir forças e trabalhar juntos em prol do mesmo objetivo.
Não é proibido o restaurante funcionar depois das 20:00, porém todos acataram o pedido.
O primeiro ministro do Japão, declarou hoje que o estado de emergência termina no dia 21 de março sem mais prorrogações. Afinal, a vacina está aí! Em ritmo lento, quase orando, mas está!
Enfim uma esperança para todos nós!

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