ERIKA TAMURA: Saúde mental dos brasileiros no Japão

Quem me acompanha aqui, sabe que trabalho em uma ONG que presta assistência aos brasileiros que moram no Japão, e um dos nossos principais atendimentos, diz respeito ao serviço de orientação psicológica.
O atendimento é feito por profissionais brasileiros, em português e na modalidade online, devido à pandemia. Também prestamos serviço para o Consulado Geral do Brasil em Tóquio e em Hamamatsu.
Pois bem, escrevi tudo isso para que entendam que os dados que vou colocar aqui, não relata a minha opinião, e sim, são dados contundentes e trazidos até aqui de forma muito séria.
Disponibilizamos 2.556 horas de atendimento psicológico, no período de um ano. Onde 36% dos casos são de depressão, 19% de crise de ansiedade, o restante dos números se divide em conflitos familiares, crises conjugais, esquizofrenia, conflito pós traumático e outros.
Mas, mais do que os dados em si, gostaria de dividir com todos, as conclusões tiradas diante dos dados que temos:
A demanda no atendimento psicológico aumentou no período de junho e julho de 2020, exatamente depois do primeiro decreto de estado de emergência no Japão.
A maior procura pelo atendimento foram de pessoas entre 30 e 40 anos, com mais de 10 anos no Japão.
Em comparação com o ano de 2019, o diagnóstico de depressão aumentou de 27% para 36% no ano de 2020, bem como o número de desempregados, de 8% em 2019 para 15% em 2020.
Lembrando que, quando falamos o ano de 2020, estamos contando o mês de janeiro, fevereiro e março de 2021 também, pois aqui no Japão o ano fiscal termina em março e começa em abril.
Com todos esses dados em mãos, podemos perceber que a saúde mental das pessoas (e acho que, não somente dos brasileiros) têm sido abalada por conta de todo o cenário atual.
Acho importante manter um hobby, uma válvula de escape faz bem em todos os sentidos. Eu por exemplo, também fui pega por uma dessas crises existenciais.
O que eu fiz? Fiz o que eu mais gosto de fazer, ler e escrever! Escrevi muito, muito e muito. Pode ser que muita coisa não será publicado aqui ou nem tampouco será aproveitado, mas o ato de escrever me propicia tantos sentimentos bons, que encaro tudo isso como uma energia produtiva.
Ler também me faz bem, hábito que herdei do meu pai e que, felizmente meus filhos também herdaram.
Com tudo isso, eu falo que hoje em dia, rico e privilegiado é aquele que está com a saúde mental em dia. Um verdadeiro luxo para os dias atuais.

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