ERIKA TAMURA: Fumio Kishida, novo primeiro-ministro do Japão

Desde o dia 4 de outubro, o Japão conta com um novo primeiro-ministro, trata-se de Fumio Kishida, que foi eleito pela Dieta japonesa para substituir Yoshihide Suga, que renunciou ao cargo.
Falando em Suga, a mídia internacional trata a sua renúncia como um objeto de fracasso do seu governo. Eu discordo! Apesar da sua falta de carisma e eu diria até que, apatia, Suga conseguiu lidar bem com os problemas do Japão durante o seu governo. Visto que o mundo passa por uma pandemia, podemos ver claramente que o Japão tem conseguido manter o controle da situação, em todos os aspectos, inclusive economicamente falando. Mas as pessoas insistem em dizer que o Japão passa por sua pior crise dos últimos tempos. Sim, pode até ser verdade, mas mudemos os parâmetros. Se compararmos a economia do Japão com a de outros países, neste contexto de pandemia, veremos que o Japão se sobressai no cenário econômico e social.
Bem, voltemos ao novo premiê japonês. Kishida foi ministro das relações exteriores, bem como o seu concorrente para o cargo de primeiro-ministro, Taro Kono.
Eu já fico bem feliz que os dois concorrentes ao cargo de primeiro-ministro do Japão, desempenharam o papel de ministro das relações exteriores. Digo isso por mim, uma opinião bem subjetiva, senão egoísta. Afinal, sou uma estrangeira trabalhando e vivendo no Japão, o ponto de vista do ministério das relações exteriores é o que mais perto chega dos meus olhos dentro do governo japonês.
Mas confesso que torcia para que o novo primeiro-ministro fosse o Kono, por quem tenho mais afinidade de pensamentos. Não que a minha opinião importe…
Kishida é mais conservador, considerado até mesmo sem carisma, porém possui consenso em suas atitudes.
Entendo perfeitamente que, no momento, Kishida é o nome certo para assumir o comando político do Japão. Pois é menos militante e menos influenciável que o Kono, defende causas que vão de encontro com os políticos mais tradicionais japoneses e isso realmente, dá menos trabalho para um país super conservador e tradicional como o Japão.
Simpatizo mais com Kono, exatamente por ele defender algumas ideias “revolucionárias”, o que significa resistência por parte da ala conservadora japonesa, que é a maioria. Kono sempre defendeu a facilitação de entrada de mais estrangeiros no Japão, como método para alavancar a economia, o que é um grande receio para os políticos japoneses mais conservadores.
A verdade é que o Japão não lida muito bem com mudanças, sejam elas em que áreas forem.
Portanto, a vitória de Kishida para o cargo de primeiro-ministro do Japão, tem a sua razão de ser. É o nome ideal para o momento atual, e chegou com vontade de trabalhar, porém dentro das suas possibilidades e causas que têm defendido.
A nós, estrangeiros no Japão, cabe torcer para que o governo de Kishida seja de discernimento e crescimento, visando o sucesso. Claro que, por ser um ex-ministro das relações exteriores, temos uma esperança de que seremos olhados com carinho, e principalmente com empatia, visto que o próprio Kishida já sentiu na pele o que é ser um morador estrangeiro, na época em que morou nos Estados Unidos.
Estou torcendo para que este governo seja um sucesso, e que o Japão consiga manter-se no patamar de excelência em tudo o que faz.

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