ERIKA TAMURA: Dez anos de tsunami no Japão

Incrível como o tempo passa rápido!
Março de 2011, Japão – Um grande terremoto seguido de tsunami devastou a região de Tohoku. Cenário trágico, visivelmente um desastre com consequências imensuráveis.
Março de 2021, Mundo todo – pandemia.
A realidade não é comparável ao de 10 anos atrás, porém não menos preocupante.
As cenas das áreas atingidas pelo tsunami não saem da minha cabeça, chega a ser tão marcante que até hoje não consigo ver os vídeos com as cenas da tragédia. Hoje, estamos vivendo a pandemia, na sua totalidade e consequência mais degradante possível. Mortes, colapso nos hospitais, quarentena, incertezas, inseguranças…
Realmente não sei o que é pior, a única certeza que tenho é que tudo isso vai passar, com consequências devastadoras, mas vai passar.
Eu acredito que, a cada momento ruim, devemos extrair o lado bom. É isso que permanecerá e será isso o responsável pela evolução.
Já escrevi muito a respeito, mas não canso de repetir sobre os ensinamentos e as grandes lições que tive em 2011. Foram momentos de angústias, incertezas, medos (para quem não sabe, eu tive a minha casa comprometida pelo terremoto e tive que me mudar), mas também foram momentos que contribuíram para a minha evolução.
Me perguntaram o que mudou dentro de mim depois do terremoto de 2011, e eu respondi que mudou tudo! TUDO! Desde objetivos, metas, prioridades, ponto de vista, parâmetros, até a forma de viver, a forma de criar meus filhos.
Desde o dia que aconteceu o terremoto, e depois fui ajudar nas áreas atingidas pelo tsunami, eu descobri que não tenho problemas na minha vida! Parei de reclamar e passei a agradecer pelo que eu tenho. E esse “ter” não está relacionado a bens materiais, e sim com experiência de vida, com sabedoria. Entendi que o que eu achava que eram os meus problemas, não são nada!
E depois que eu passei a agradecer tudo o que me permeia, percebi que a vida me devolve com bençãos em dobro.
Tão interessante o fato de que meus filhos possuem uma maturidade que vai além do que se imagina. Eles eram crianças quando passaram pela experiência do grande terremoto de 2011, e hoje vejo o quão enriquecedor foi esse momento, apesar do medo. Meus filhos não possuem apego material. Por nada! E acho incrível quando vejo que o mais importante para eles é a personificação do papel social que lhes cabem. E isso está ligado aos princípios que eu não falei, mas pratiquei. Por isso acredito que o caráter das crianças se moldam mais com exemplos do que com palavras.
Sempre digo que, se eu tivesse vivido 100 anos em Araçatuba, não teria o conhecimento que tenho hoje, vivendo 23 anos no Japão.
A realidade do imigrante pode ser dura, porém é enriquecedora.
Ainda mais vivendo no Japão, onde cada dia é um aprendizado!
Que Deus nos proteja de todo o mal, assim como tem feito até o momento!

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