ERIKA TAMURA: Aniversário do imperador do Japão

Dia 23 de fevereiro de 2021. Hoje é feriado no Japão, comemoramos o aniversário do imperador Naruhito.
É o terceiro ano de Naruhito como imperador, portanto estamos no ano 3 da era Reiwa.
Ainda não me acostumei com esse feriado, pois antes de Naruhito, comemorávamos o aniversário de seu pai, Akihito, no dia 23 de dezembro.
O imperador Naruhito completou 61 anos de idade e, em seu discurso de aniversário fez um breve resumo de um ano. Falou sobre a pandemia, e prestou condolências e solidariedade àqueles que perderam familiares ou amigos vítimas do COVID. Enalteceu o trabalho dos profissionais da área da saúde, bem como às pessoas que trabalham para ajudar quem esteja passando por dificuldades ou em situações de vulnerabilidades (me senti representada aqui).
Mas um fato que me chamou a atenção é que, em seu discurso, o imperador mencionou o último terremoto forte que ocorreu dias atrás, e que escrevi um artigo relatando sobre o acontecido. O imperador ressaltou que este último terremoto o fez lembrar do grande terremoto ocorrido há 10 anos e todos os seus danos.
Segundo as palavras do próprio imperador, os grandes danos causados pelo terremoto seguido de tsunami de 2011, não faz parte do passado, pois ele percebeu que as feridas das pessoas que passaram por esse desastre, ainda não cicatrizaram. (Me senti representada novamente!).
Foram palavras ditas em tons serenos, mas com impactos fortes para mim. Pois quando aconteceu o último terremoto recentemente, escutei de pessoas do Brasil, que o Japão faz drama à toa. E que eu estaria exagerando na minha preocupação, pois foi só uma tremida de terra insignificante, visto que a mídia brasileira não deu ênfase ao fato…
Pois o imperador japonês, com apenas uma frase conseguiu calar a boca de quem me falou isso, pois quando ele diz que as feridas ainda não cicatrizaram, ele descreveu o sentimento de milhares de vítimas que passaram pela catástrofe de 2011. E é bem isso, o japonês é silencioso em tudo, principalmente na sua dor. Não é um povo verborrágico, o que não significa que não dói. Dói sim, e dói muito! A cada lembrança, a cada palavra e, principalmente, a cada terremoto que ocorre dói mais ainda. E só quem passou por isso sabe como e onde dói.
Antes de criticar a minha dor, venha matar os leões do dia a dia no Japão.
Parabéns ao imperador, que com sabedoria e maestria consegue traduzir em poucas palavras o sentimento de uma nação!

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