ERIKA TAMURA: A pior dor do mundo

A jovem Melissa Kaori Tamura Sumida

Depois de mais de um mês afastada dos artigos, retorno ao meu espaço, que tão bem me faz.
Porém, agora sou outra pessoa. Perdi o sorriso no rosto, perdi o brilho no olhar, perdi o sentido da vida no momento em que minha filha morreu.
Melissa faleceu, que tristeza tudo isso, meu Deus!
Escrevo este artigo com lágrimas nos olhos e dor no coração, uma dor que não sei descrever, só sei sentir, embora não quisesse…
A dor que sinto é a pior do mundo, pode ter certeza, pois sinto que a ordem da vida foi invertida, e parece que meu coração foi arrancado de dentro de mim e levado para um lugar que não sei ao certo onde é…
Vivo o luto de forma oscilante, um dia parece que estou forte, e em outro, desabo.
Entendo que tudo isso faz parte do processo, mas não pensei que um dia fosse passar por isso, não tenho outra opção senão ser forte e enfrentar tudo isso, passo a passo, não tenho como fugir disso, embora queira…
Minha filha Melissa, como o próprio nome diz, era calma e serena, porém determinada e forte, inteligentíssima, com princípios incorruptíveis e argumentos na ponta da língua.
Melissa liderava várias ações sociais pela cidade, sonhava com uma Araçatuba acolhedora e com um mundo melhor. Era politicamente engajada, defendia causas, adorava falar sobre política e amava livros de sociologia. Aliás livros era uma paixão da Melissa, preferia ler os livros em japonês, mas lia em português, inglês, espanhol e francês. E não são livros infantis, nem juvenis, Melissa lia sobre política, economia, desenvolvimento humano, sociologia, psicologia e trabalhos sociais.
Era, claramente, muito além do seu tempo. Qual criança que leu “O Príncipe” de Maquiavel, com 10 anos?
Sem contar que era professora de japonês desde os 12 anos, quando passou no teste de proficiência japonesa, no nível N1.
Foram 18 anos intensos, vividos unicamente para deixar um legado. E ela conseguiu!
Tão determinada que, decidiu ela mesma o dia de morrer…
Deixou tristezas, saudades, um vazio na família, porém deixou lembranças felizes, um legado e muitos ensinamentos!
Cabe a mim, como mãe, fazer com que a Melissa continue viva dentro de todos nós! E a forma que encontrei para que a morte da minha filha não seja em vão, é continuar com as ações sociais nas quais ela acreditava. Valorizando cada princípio que a Melissa pregava, vou fazer com que a minha filha continue viva dentro dos corações de muitas pessoas!
Melissa queria mudar o mundo… mas o que ela não entendeu é que se mudar o mundo de uma pessoa, já está valendo a pena! Mesmo com a pouca idade, Melissa mudou o mundo de muitas pessoas! Sim, é verdade! Basta ver as homenagens que as amigas prestaram nas redes sociais, todas começam assim: “Mel, você queria mudar o mundo…”
Apesar da tristeza profunda, sinto orgulho da minha filha! Muito orgulho! Só tenho a agradecer por ela ter me escolhido para ser sua mãe, pois ela foi incrível!
O meu momento agora é de introspecção, tudo mudou na minha vida, e espero que toda essa dor me traga sabedoria e discernimento, para que um dia eu volte a sorrir.

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