ERIKA TAMURA: A economia japonesa atualmente

Claro que falar sobre a economia de qualquer país, neste momento, pode não ser nada animador, mesmo quando se trata do Japão.
Para quem vê de fora do Japão, a impressão é de que a economia japonesa é inviolável, porém a economia interna é um grande quebra cabeça para os economistas.
O primeiro trimestre deste ano, foi de ascensão econômica no Japão, porém a volta do estado de emergência em algumas cidades, entre elas Tóquio e Osaka, fez com que as perspectivas de maior crescimento fossem prejudicadas.
Estamos à beira do início das olimpíadas, e de acordo com um relatório feito por economistas japoneses, a cidade de Tóquio teve uma expansão econômica de 0,5% nesses três primeiros meses de 2021.(A expectativa era de 1,7%).
Segundo dados informativos do próprio governo japonês, o PIB encolheu 3,9% anualizado em janeiro-março, demonstrando uma contração em três trimestres.
As perspectivas daqui para frente são bem otimistas, segundo o economista do Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda, Sr. Yuichi Kodama. Kodama acredita que se a crise na saúde diminuir, a economia poderá ser retomada, atingindo uma forte recuperação, já que as poupanças da população japonesa aumentaram e a taxa de desemprego permanece em menos de 3%.
Ok, essas são as notícias que saem na mídia japonesa, e trago aqui nesta coluna, mas não precisa ser um “expert” da economia para saber sobre tudo isso que os economistas, políticos e ministros japoneses têm falado.
Óbvio que, se a pandemia diminuir, proporcionalmente a economia cresce. Não há segredo nenhum nisso, portanto não precisa ser o economista pesquisador da Meiji para saber disso, até eu sei.
Óbvio também que, à medida que vamos nos aproximando da realização das olimpíadas, a economia tende a dar uma aquecida, até mesmo durante a pandemia. Pois eu percebo uma maior movimentação de venda dos produtos licenciados, um aumento no número de estrangeiros em Tóquio, pois mesmo com a restrição de entrada de estrangeiros, há aqueles que tiveram a sua entrada liberada no país (imprensa, comissão, staffs e além de algumas delegações que já se encontram por aqui).
Óbvio também que, com a decretação do estado de emergência, a economia seria o primeiro reflexo. Nada surpreendente nesses números. Principalmente porque, durante o estado de emergência, os setores que mais sofrem são o de lazer, alimentício e entretenimento. Os restaurantes das cidades em estado de emergência fecham às 20h.
Parece que não surtiu muito efeito, pois os números de infectados, não têm baixado. Mas voltando à economia do Japão, pois sobre número de infectados pelo coronavírus, vou escrever em outro artigo, a vacinação tardia e muito burocrática, tem atrasado os ânimos de uma grande retomada econômica ainda este ano.
Eu, que não sou nenhuma especialista econômica, percebo que o desemprego diminuiu, os japoneses continuam consumindo muito, porém nada se compara com o cenário anterior à pandemia, mas se compararmos com outros países, podemos ver um Japão com supremacia econômica.
A verdade é que o Japão é o país da retomada, pois está preparado para desastres naturais desde sempre, cultura milenar, povo com respeito hierárquico, então fica menos difícil a superação.
Continuo confiando no governo japonês, e tenho acompanhado as notícias que saem na mídia japonesa, mas nada melhor do que vivenciar e observar o dia a dia do país. Garanto que é uma experiência riquíssima e única. Sigo atenta por aqui.

Comentários
Loading...