ERIKA TAMURA: 24 anos morando no Japão

Todas as semanas venho aqui para relatar um pouco da minha vida, essa coluna tornou-se um típico diário moderno, onde tenho a ousadia de colocar o meu ponto de vista.
E tenho pensando muito sobre a vida, principalmente agora na pandemia…
Farei 24 anos morando no Japão. Eu, Erika, que nunca havia saído de Araçatuba para morar em outro lugar, atravessei o mundo e cá estou.
Foram e ainda são muitos momentos de alegria, mas também de muita tristeza, como pode isso? Palavras tão ambíguas na mesma frase, e lado a lado? Pois é, o Japão tem disso, o improvável me acerca e toma conta de toda a minha caminhada, tornando-se o que chamamos de experiência.
Lembro-me de ter vários choques culturais, mesmo sendo descendente de japoneses, percebi que Brasil e Japão não estão separados somente geograficamente, mas também são extremos em questões culturais. Não existe o melhor ou o pior, existem diferenças e ponto final.
Hoje transito de um extremo a outro facilmente, optando pelo que convém a cada ocasião. E percebi que a minha característica principal é essa mistura.
Não gosto de padrões pré estabelecidos, gosto das transições significativas.
A nossa personalidade permeia entre a flexibilidade e percepção do meio em que vivemos, da nossa capacidade de evoluir por meio do conhecimento. E é nesse ponto que quero chegar…
Ah o conhecimento… Como é encantador o ato do saber, não é mesmo?
O auto conhecimento, o conhecimento do ambiente, o conhecimento geral… Ainda estou no processo evolutivo, mas de longe não sou mais a Erika que saiu de Araçatuba.
E uma vez a minha filha, que com 11 anos falou que é muito bom ver que a mudança traz evolução. Que bom mudar!
24 anos de evolução, pertinente, porém recompensador. Que delícia escrever esse texto com o coração leve, embora a realidade esteja tão carregada de notícias pesadas, sinto-me bem e grata.
Morar no Japão, pode parecer delicioso, mas nós incumbe à uma série de revisão de conceitos e nos torna muito mas muito fortes! Apesar de todas as dificuldades, tenho um sentimento de gratidão para com o Japão. Permitiu-me crescer.
24 anos de Japão não me fez japonesa, pelo contrário, fez-me mais brasileira. Aflorou a brasilidade que não sabia que existia em mim, porém não só existe como lateja e mostrou-me o quanto as minhas raízes são brasileiras.

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