ENTREVISTA/WALTER IHOSHI: Em dois anos, Walter Ihoshi muda ‘cara’ da Jucesp e quer deixar legado da ‘Junta 100% Digital’

Ihoshi aceitou o desafio de não só modernizar como também transformar a Jucesp “100% Digital” (divulgação)

Em 2019, quando assumiu a presidência da Jucesp – Junta Comercial do Estado de São Paulo – a instituição era, então, alvo de muitas críticas e tinha sua imagem quase sempre associada à burocracia e a papeladas e carimbos. Nomeado pelo governador João Doria (PSDB) no dia 16 de fevereiro – tomou posse no dia 18, uma segunda-feira – Walter Ihoshi sempre deixou claro sua intenção de contribuir para a modernização da Jucesp, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, cuja pasta é comandada pela administradora Patrícia Ellen da Silva.
E não foram poucos os desafios. “Maior Junta Comercial da América Latina, a mais representativa, a mais importante e a maior em volume de negócios em todo o continente” – como frisou Doria na inauguração da nova sede, em julho de 2019 – a Jucesp é responsável por cerca de 40% de todo o movimento de abertura ou fechamento de todas as empresas no país. Uma das metas estabelecidas – alcançada em menos de um ano – era reduzir o tempo de abertura de novas empresas que, em média, demorava até 4 dias, para até 24h. As outras são a implementação do sistema Via Rápida Empresa REDESIM Integrador Estadual – onde o usuário realiza todas as etapas para constituir uma empresa, da viabilidade ao registro, tudo de forma online e segura – outro grande grande marco de sua gestão. “E dentre estes projetos de grande importância, além do VRE Digital para abertura e baixa, lançaremos, ainda neste mês de março, o VRE Digital para alterações contratuais. “Então, para este ano, esperamos fechar os serviços disponibilizados aos usuários com 80% deles digitalmente”, conta Walter Ihoshi.
Outro grande desafio enfrentado por Ihoshi nesses dois anos frente à Jucesp – bem como para todos os brasileiros, sejam eles empresários ou trabalhadores – foi o de continuar crescendo mesmo na pandemia. E também essa meta foi superada. Ao longo desse período, a Jucesp registrou recorde atrás de recordes em termos de aberturas de novas empresas até atingir, em outubro de 2020, sua melhor marca desde 1998.
A próxima meta é entregar a Junta 100% Digital. E depois? Depois Walter Ihoshi deverá retomar seu projeto político, que certamente inclui sua luta para a desburocratização e desoneração tributária do país e a defesa do microempreendedor.
Nesta entrevista concedida ao Jornal Nippak, Walter Ihoshi faz um balanço dos dois anos frente à Jucesp e fala sobre seu futuro. Confira:

Jornal Nippak: Dia 18 de fevereiro fez dois anos que o senhor assumiu a presidência da Jucesp. Até então a instituição era vista como um órgão inoperante e ultrapassado. O que o fez aceitar o convite do governador Doria?
Walter Ihoshi – O desafio que nós recebemos de fazer a modernização da Jucesp transformando-a em uma Junta 100% Digital e tornando a autarquia em uma instituição eficiente para facilitar a vida do empreendedor, nos motivou por ser este trabalho que exigiria nosso empenho e dedicação, além de que, será um legado que deixaremos como servidor público.

Aliás, muitas pessoas pessoas podem ter estranhado sua presença na JUCESP, mas essa é uma área que o senhor conhece bem, pois, além de empresário sempre teve também uma atuação destacada em defesa do empreendedorismo enquanto parlamentar, não é mesmo?
WI – Sim. Como empreendedor cheguei a utilizar os serviços da Jucesp no passado, porém, desconhecia sua realidade como usuário. Eu diria aqui que grande parte dos usuários da Jucesp são contadores e advogados, principais responsáveis por utilizarem os serviços da Junta Comercial; e eu já tinha contato com este mundo, com as entidades ligadas ao empreendedorismo, CRC, Sescon. Porém, agora, conhecendo a realidade da Jucesp, passamos a ter um conhecimento muito maior do que pode fazer a autarquia. E este nosso conhecimento prévio e de agora, com certeza, tem contribuído bastante para os resultados da Junta Comercial. Uma case recentemente implantado por nós, com base nesta troca de experiência usuário-gestor, foi o sistema do Balcão Único, mais um passo da Jucesp no processo de transformação para uma Junta 100% digital. É um projeto feito em parceria com os três governos: federal, estadual e municipal, e através dessa união de esforços foi possível integrar todos os sistemas para abertura e legalização de empresa, tornando o fluxo mais seguro, transparente, simples e ágil. Nele, é possível abrir empresas dos tipos jurídicos: Empresário Individual (EI), Empresário Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli) e Limitada (Ltda.) sem passar por etapas tradicionais e isento do pagamento de tarifa. Tudo feito de forma automática. Aqui em São Paulo, o sistema do Balcão Único passou a operar no dia 15 de janeiro. E de lá pra cá, tem nos apresentado resultados bastante satisfatórios. Um deles é o tempo médio para abertura de uma empresa licenciada: 20 minutos e 37 segundos. Porém, durante o processo o usuário pode optar por licenciar a empresa posteriormente. E nesta modalidade, o prazo foi ainda mais breve: 3 minutos e 50 segundos. Vale ressaltar que neste primeiro momento, o sistema opera apenas no município de São Paulo. Porém, vamos elaborar um plano para ramificar o sistema para atender as outras cidades do estado.

Qual o balanço que o senhor faz desses dois anos frente à Jucesp?
WI – O balanço que fazemos deste período em que estamos à frente da Jucesp é: a mudança da sede da Barra Funda para a Lapa; a celeridade na entrega de abertura de empresas, pois quando assumimos, o tempo médio era de 3,5 dias e conseguimos reduzir este prazo para até 24 horas; a implementação do sistema VRE REDESIM Integrador Estadual, onde o usuário realiza todas as etapas para constituir uma empresa, da viabilidade ao registro, tudo de forma online e segura, que foi um grande marco de nossa gestão. E dentre este projetos de grande importância, além do VRE Digital para abertura e baixa, lançaremos, ainda neste mês de março, o VRE Digital para alterações contratuais. Então, para este ano, esperamos fechar os serviços disponibilizados aos usuários com 80% deles digitalmente.

Em 2020, durante a pandemia, a Jucesp registrou recorde atrás de recorde em termos de abertura de novas empresas e em outubro alcançou a maior marca desde 1998. O senhor esperava esse crescimento?
W.I.: Quando a pandemia “chegou”, não imaginávamos enfrentar um desafio do tamanho que ela veio. Não tínhamos noção do que estava por vir. Na ocasião, tivemos que suspender o atendimento presencial, nos reinventar, criar novos protocolos de entrada de documentos para atender os usuários, como o drive thru e o delivery. Antes disso, atendíamos cerca de 3.000 pessoas por dia aqui na sede, e após implantarmos estes serviços, passamos a cerca de 1.800 usuários freqüentadores na sede da Jucesp. Atualmente, o número de processos é em torno do que já fazíamos antes da pandemia. Prova disso estão nos recordes de abertura de empresas que batemos seguidamente nos meses de agosto (22.825), setembro (23.205) e outubro (24.734) do ano passado. Realmente, não era esperado estes recordes diante do cenário qual estamos vivendo. Porém, fizemos um esforço muito grande para estimular os empreendedores a abrir seus negócios facilitando as constituições na agilidade do processo, mas, também, criando vários serviços digitais para que os usuários pudessem utilizar melhor os serviços da Junta. Foram medidas essências para a retomada econômica no Estado.

O presidente da Jucesp Walter Ihoshi durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes para falar sobre o crescimento da instituição (Facebook/Walter Ihoshi)

Durante a pandemia, o governador também anunciou a isenção de tarifas para a abertura de novas empresas como forma de estimular a retomada econômica. Quantas novas empresas foram abertas somente nesse período?
W.I.: Um dos pontos que também contribuiu para o fomento ao empreendedorismo neste tempo de pandemia foi a isenção da cobrança da tarifa de abertura de empresas de 25 de agosto a 23 de outubro. Neste período de 60 dias, 48.879 novas empresas foram abertas. Número bastante expressivo que confirma o incentivo de nossa parte para que São Paulo voltasse a trilhar o caminho do desenvolvimento econômico.

Qual foi o segmento que registrou o maior número de abertura de empresas desde que o senhor assumiu?
W.I.: A seção de Comércio; Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas, qual contempla os grupos de comércio atacadista e varejista, conforme classificação designada pelo IBGE é o que mais se destaca. Em média anual, corresponde por cerca de 26% de todas as empresas registradas na JUCESP. Somente neste mês de fevereiro passado, foram 26,43% de todos processos de constituições somente neste segmento.

E quanto ao número de fechamento de empresas nesses dois anos, também foi significativo?
W.I.: Quando falamos em números de empresas encerradas, tivemos números interessantes. Em 2020, registramos o fechamento de 104.119 empresas. Número este menor do que nos últimos dois anos. Porém, temos que nos atentar também para a quantidade de novos negócios que foram abertos para que tenhamos o saldo de constituições reais frente às baixas. Vale ressaltar também que, com a adversidade do cenário vivido em 2020 por conta da pandemia do Coronavírus, tivemos o melhor saldo líquido de empresas abertas em todo estado, desde 2014. Foi um número favorável de 120.034 novos empreendimentos.

Vale ressaltar que, apesar da pandemia, o senhor vem percorrendo o interior do Estado para ampliar e levar os serviços da Jucesp também a essas localidades não é mesmo?
W.I.: Para atender a todos os usuários em todo o estado, a JUCESP possui um sistema de atendimento descentralizado através dos 34 escritórios regionais que oferecem quase os mesmos serviços que são prestados aos usuários aqui na sede, na capital, para os processos realizados. Com este sistema, conseguimos atender na ponta a necessidade dos empreendedores. No passado, em função da pandemia, ficamos de certa forma, impossibilitados de estar presente nos municípios. Porém, através do sistema de parcerias que a Jucesp estabelece com as prefeituras, conseguimos atender os usuários. E neste ano, já iniciamos a visita a alguns municípios estratégicos para que firmar convênios e fazer com todos estejam integrados ao sistema do REDESIM. Atualmente, temos 464 municípios conveniados a Jucesp, alcançando a marca de 95% de todos os CNPJs do estado de SP.

Na inauguração da nova sede da Jucesp, em 2019, o governador Doria destacou o Programa SP sem Papel como forma de reduzir os custos e uso de espaços. De que forma a Jucesp aderiu a esse programa?
W.I.: O SP sem Papel foi aderido de forma integral na Jucesp, onde alguns setores estão integrados muito mais ao programa do que outros, mas por questões lógicas, pois, há lugares que a utilização de papeis é inevitável em função da própria legislação federal que instrui a utilização de papéis para determinados processos. Mas mesmo com essa ressalva, o SP sem Papel tem sido um programa efetivo e prático para o desenvolvimento de algumas atividades.

Como continuará a atuação da Jucesp caso a pandemia se prolongue por mais tempo?
W.I.: Nós aprendemos muito com a vivência qual ainda passamos, e enfrentamos de maneira inédita no passado. Tivemos que tomar decisões difíceis, onde parte dos nossos servidores tiveram, e ainda estão, trabalhando em home Office. Mas acreditamos que com a Jucesp 100% digital no ano que vem, a nossa meta é que grande parte dos serviços e dos sistemas sejam interligados de forma online. Ou seja, hoje se você tem documentos tramitando internamente, que estes documentos no futuro não precisem mais circular no papel. Sejam totalmente digitalizados. Temos com nossa gestão, o compromisso de entregar uma Junta 100% digital.

E, para finalizar, quais o seus projetos para o futuro? É cedo para falar em uma eventual candidatura a deputado federal?
W.I.: Pretendemos finalizar o trabalho na Jucesp entregando o legado da Junta 100% Digital, moderna, leve, disruptiva que é nosso objetivo. Porém, sempre pensando no usuário final. Aquele que usa o serviço, de fato, que nos permite aprimorar os sistemas através de sua experiência. E, sobretudo, facilitar o ambiente de negócios. E cumprido este papel, avaliaremos a possibilidade de retomarmos o projeto político.

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