ENFRENTAMENTO À COVID-19: Simpósio ‘Retomada de Eventos’ da Kenren apresenta ‘experiências reais’ e compartilha conhecimentos

Toshio Ichikawa com os participantes do debate e membros da equipe da Kenren (reprodução)

Realizado no dia 4 de dezembro em formato híbrido pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) e Consulado Geral do Japão em São Paulo, o Simpósio da Retomada de Eventos & Gestão da Prevenção à Covid-19 com o objetivo de guiar a retomada segura dos eventos de cultura japonesa em todo o Brasil, mostrou experiências reais vividas por lideranças, pesquisadores, médicos e autoridades durante a pandemia, além de abrir espaços para especialistas compartilharem seus conhecimentos técnicos e suas pesquisas diante do cenário atual, especialmente com o descoberta da nova variante, a Ômicron.
Com subsídios do governo japonês através do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, o Simpósio abordou aspectos como os cuidados de higienização e prevenção necessárias para a retomada. Na ocasião, o apresentador Kendi Yamai anunciou também a criação de um site que servirá como repositório onde ficarão armazenadas informações sobre a situação da Covid-19 no Brasil e no Japão, além do conteúdo do Simpósio.
A programação foi dividida em três blocos. No 1, o tema “Experiências vividas durante a pandemia”, trouxe depoimentos da presidente da Anisa – Associação Cultural Nipo-Brasileira de Salvador – Lika Kawano; do presidente da Associação Cultural Recreativa Akita Kenjin do Brasil, Alfredo Ohmachi; do mestrando em Epidemiologia da USP, Rodrigo Cesar Pedro; e do head de digital e diretor de criação da Smart Digital, Gilberto Sato;
O Bloco 2, sobre “Experiências vividas pelas organizações”, apresentou relatos do presidente do Japan Fest de Marilia, Keniti Mizuno; da nutricionista e coordenadora do GP São Paulo 2021 de F1, Paula Saito; e do neurocirurgião do Hospital Japonês Santa Cruz, Nishikuni Koshiro.
E, por último, o Bloco 3, reuniu, no estúdio montado no WTC Events Center, a Dra Elaine D´Amico, do Centro de Vigilância Sanitária do estado de São Paulo; o superintendente geral do Hospital Nipo-Brasileiro, Sergio Okamoto; e o Professor Doutor da Universidade Estadual de Campinas – Departamento de Infectologia – . Francisco Hideo Aoki; além da CEO da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, que participou remotamente.

Toshio Ichikawa (reprodução)

Fato promissor – Antes das falas dos convidados, o presidente do Kenren, Toshio Ichikawa, destacou que o objetivo do Simpósio é divulgar e explorar a gestão da prevenção com apresentações de diferentes temas pelos participantes e ao final, painel de debate sobre os cuidados na retomada de eventos em 2022.
Em sua mensagem, o cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana – que chegou ao Brasil em plena pandemia – lembrou que o Kenren, há mais de 20 anos, exerce o importante papel de realizar e organizar o Festival do Japão na cidade de São Paulo, reconhecido como um dos maiores eventos da cultura japonesa do mundo.

Cônsul Ryosuke Kuwana (reprodução)

O cônsul salientou que o Simpósio tem o intuito de propor maneiras inovadoras de realizar eventos em um novo formato para um mundo com o coronavírus. “Certamente o Simpósio inspirará os debates nesse campo e o modelo proposto será uma diretriz importante para o planejamento de eventos de muitas entidades”, afirmou, explicando que, por conta da pandemia, muitos eventos tiveram que ser cancelados ou alterados pára o formato online.
“Neste contexto, pudemos reconhecer a importância de eventos presenciais, mas também percebemos o grande potencial dos eventos online de alcançar um público mais amplo, superando as barreiras de distância e fronteiras”, disse o cônsul, acrescentando que, “felizmente, os impactos de coronavírus vem se abrandando, possibilitando o retorno de eventos presenciais”.
“Este é um fato promissor para a realização do Festival do Japão de 2022 em São Paulo”, destacou o cônsul, lembrando, no entanto, “que os dados globais mais recentes nos lembram que a pandemia ainda não chegou ao fim e que devemos estar atentos a novos surtos e variantes, como a Ômicron, mantendo as medidas de prevenção de contágio. Por isso. acredito que a edição do ano que vem será diferente, em formato híbrido, combinando o melhor dos eventos presenciais, seguindo as medidas de prevenção, com o uso da modalidade online. Desta forma estou otimista de que o Festival se realizará com sucesso neste novo formato”, finalizou Ryosuke Kuwana, que, como cônsul geral do Japão em São Paulo, reiterou o intuito de cooperar ativamente com os organizadores do Festival do Japão”.

Lika Kawano (reprodução)

Anisa – Coube a Lika Kawano comentar como a Anisa se “reinventou” durante a pandemia. Ela, que preside também a Federação Cultural Nippo-Brasileira da Bahia, disse que este cenário vivido pelas entidades mobilizou a Anisa a buscar novas soluções para manter o trabalho na entidade. “Com a orientação do isolamento social, a Anisa foi fechada e, aos poucos, com a certeza que não poderíamos ficar parados, tivermos que nos reinventar. Este movimento de reinventar os modelos de trabalho favoreceu não só a integração e a união entre as associações do Nordeste brasileiro como também construiu pontes com associações de todo o Brasil”, explicou Lika, lembrando que, durante a pandemia, a Anisa liderou projetos como lives e shows musicais entre outras iniciativas.
Segundo ela, “uma coisa é certa: a palavra inovação tecnológica não deve nos assustar”. “Devemos seguir em frente, embora muitas associações não estivessem preparadas para as transformações digitais, foi o momento de enfrentar uma árdua luta para acompanhar o ritmo de todas as mudanças para imersão no mundo online”, conta. “Tem sido um grande aprendizado para todos”, admitiu ela, que listou os eventos online realizados pela Anisa entre. 2020 e 2021, como a live Japão no Nordeste; o Tricotando Online; o 2º Encontro de Taiko no NE ; a Cerimônia dos Antepassados; o Bonenkai Especial e o Encontrão Seinen, entre outros.
“Realizamos muitos eventos online e a intenção é continuar, mesmo com a volta das atividades presenciais”, finalizou Lika, que acredita que o formato híbrido veio para ficar.

Protocolos – Médico veterinário pós-graduado em Vigilância Sanitária Alimentos pela Faculdade Pública da USP, Rodrigo Cesar Pedro lembrou que o setor de eventos foi o primeira a ter suas atividades paralisadas. “E estamos sendo o último a retornar com a forma completa, causando um grande impacto econômico”, disse o médico, que participou da elaboração do Manual de Medidas de Prevenção de Contágio de Covid 19 na Retomada de Eventos da Kenren.
Ao comentar sobre os protocolos adotados pelo setor, destacou que, “no pico principal da pandemia, tivemos a realização de alguns eventos que nós chamamos de eventos fechados”. “Aí os protocolos foram muito positivos porque realmente possibilitaram este retorno inicial às atividades”, explicou Rodrigo, que citou exemplos de ações bem sucedidas a higienização adequada dos ambientes, o controle de temperatura dos participantes, o controle de acesso e a testagem.
O médico destacou que o setor de eventos “sempre trabalhou” em consonância com as autoridades sanitárias municipais, estaduais e federais. “Agora, em novembro, tivemos, enfim, a liberação de eventos com 100% de público. Alguns eventos como jogos de futebol e o GP de F1 mostraram que é possível retomarmos em segurança, desde que os protocolos sejam respeitados, como a exigência do passaporte da vacina e também o uso de máscaras, que continua sendo obrigatório em eventos”.

Mídia digital – Participaram ainda deste bloco o presidente da Associação Akita, Alfredo Ohmachi, e o Head de Digital e Diretor de Criação – Smart Digital, Gilberto Sato, que falou sobre a vantagem do do marketing digital na divulgação de eventos e “de como a mídia offline está perdendo espaço para a mídia digital”.
Sobre os benefícios da mídia digital para os patrocinadores, ele ilustrou com o exemplo do Festival do Japão Live realizado em 2020 que, com um investimento de apenas 2 mil reais, conseguiu atingir mais de 800 mil pessoas.

Keniti Mizuno (reprodução)

Japan Fest – Abrindo o Bloco 2, sobre as Experiências vividas pelas organizações, o presidente do Japan Fest de Marília de 2021, Keniti Mizuno, contou que o evento foi cercado de expectativas por ser o primeiro de grande grande porte da comunidade após a retomada. O evento, realizado em novembro, serviu também como modelo para a retomada de eventos em Marília.
Mizuno, que também é médico, destacou alguns motivos que levaram o Nikkey Marília optar pela realização do evento. “Neste momento a pandemia está sob controle e muitos gostariam de sair de casa e voltar à vida normal, como era antes. Percebi também que nessa pandemia as crianças que ficaram em casa conectadas na internet, hoje não conseguem frequentar as escolas, não conseguem praticar esportes nem sociabilizar”, disse Mizuno, lembrando que o Japan Fest tem um projeto específico de captação de verba do ProAC e o recurso teria que ser usado este ano.
“No início, tivemos muitas dificuldades para montar a Comissão Organizadora porque muitos pertenciam ao grupo de risco e outros tinham medo. Trabalhamos com uma comissão de 400 voluntários, que são o nosso maior patrimônio, e fizemos algumas mudanças. Contratamos tendas com o pé direito mais alto e as laterais abertas para melhorar a ventilação. E cancelamos o parque de diversões por ser difícil o controle de higienização, e não também não usamos nosso espaço cultural por ser uma área fechada”, explicou Keniti Mizuno, acrescentando que este ano as atrações ficaram restritas às apresentações de palco e a praça de alimentação.
“Acredito que a pandemia existe e pode durar por vários anos por isso cada cidade terá seu próprio protocolo de funcionamento. Este evento foi muito gratificante para nós por rever os amigos e os artistas com saúde e alegria. Foram momentos de muita emoção. Em resumo, nós da Comissão do Japan Fest, achamos que é possível realizar grandes eventos respeitando os protocolos”, concluiu.

F1 – Já a nutricionista Paula Saito falou sobre os protocolos para a realização da F1. Segundo ela, a competição teve um diferencial este ano, que foi a descentralização do setor de alimentos da Covisa, que era um setor que fiscalizava muito os eventos. “Com esta descentralização, cada evento vai ter uma regional especifica de onde ela ocorre. Se você é um organizador de eventos, é importante buscar a informação de qual é a regional da Unidade de Vigilância de Saúde que vai fazer a inspeção em seu evento. Esse é o primeiro ponto” explicou Paula, afirmando que, “basicamente fomos fiscalizados em alguns protocolos de segurança como o uso da máscara, que a gente sabe que é fundamental na questão do contágio por ser uma barreira física muito importante que evita realmente que as gotículas de nariz e boca sejam lançadas ao ar”.

Para especialistas, uso de máscaras ainda é fundamental (reprodução)

Higienização das mãos – Outro protocolo importante, assinalou, é a higienização de mãos, “que já era muito usado na área de alimentos”. “Essa medida sanitária acabou se expandido e a gente teve lavatórios de mãos em maior quantidade, além do uso de álcool gel 70% quando você não tem o disponibilidade do uso de lavatório. Outro ponto importante é o controle de público. O uso da tecnologia permitiu a compra de ingressos antecipados e praticamente não houve bilheterias porque todos os ingressos foram esgotados com venda online”, disse Paula, lembrando que, “pelo decreto feito pelo governo do Estado a gente tinha que aceitar somente público vacinado ou com uma dose da vacina e com o comprovante do PCR”.

Área de alimentos – Segundo ela, na área de alimentos “não foi muito diferente do que a gente já estava acostumado”. “Lá a gente trabalha muito com o pré-preparo, a gente trabalha muito só com a finalização. Nós fazemos muitas visitas técnicas a fornecedores, conscientizando em relação à manipulação e de como fazer esse transporte. Ou seja, vai tudo meio que pronto para garantir a segurança desse público e ter o mínimo de manipulação no local porque a gente sabe que as áreas de eventos são áreas adaptadas, são áreas que, às vezes, não tem tanto controle como se fosse uma cozinha montada específica para alimentos. Então a gente precisa correr o menor risco possível ali dentro da manipulação”, explicou Paula, assegurando que, “basicamente foram esses protocolos: máscara, higienização de mãos, controle de alimentos, passaporte da vacina, uma boa comunicação visual e o uso da tecnologia para gente conseguir otimizar o acesso à entrada e à compra de alimentos, até para garantir a satisfação do público que não gosta de esperar também”, concluiu.

Cautela – Encerrando este bloco, o neurocirurgião do HJSC, Nishikuni Koshiro disse que “nenhum sistema econômico pode sobreviver sem uma saúde pública forte e adequada”. Segundo ele, para colaborar nesta prevenção, o HJSC tomou algumas medidas desde o início da pandemia, tais como criação de uma unidade de Pronto Atendimento para atender pacientes com quadro respiratório agudo totalmente separado das demais áreas e aquisição de ventiladores mecânicos artificiais doados pelo governo japonês nas unidade de terapia intensiva”.
Para Koshiro, “a situação atual no Brasil é bastante otimista”. “Porém, precisamos ter bastante cautela pois, vendo o cenário mundial, observamos um aumento expressivo no número de casos de covid-19 especialmente entre os não vacinados em alguns países da Europa, que começam a se preocupar com a sexta onda, em parte pela baixa adesão à vacina”.

Bloco 3 – No bloco 3, Kendi Yamai, comandou, do estúdio, um debate sobre o tema “Hoje e Visão de 2022”, com a Dra. Elaine D´Amico, do Centro de Vigilância Sanitária do estado de São Paulo; o Dr. Francisco Hideo Aoki, Professor Doutor da Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Infectologia; e com o superintendente geral do Hospital Nipo-Brasileiro, Sergio Okamoto. A CEO da Rede Blue Tree de Hotéis, Chieko Aoki participou de forma remota.
Respondendo uma questão levantada pelo presidente da Kenren, que quis saber sobre os cuidados na praça de alimentação de um grande evento, como é o Festival do Japão, os especialistas foram unânimes em afirmar que o uso de máscara ainda é essencial.
Para Francisco Aoki, a máscara é o mais importante instrumento para evitar a transmissão”. “Não é por estar em um local aberto que uma pessoa não vai passar ao lado lado da outra. Devemos ter bastante cuidado e, na hora de comer nestes locais, tentar manter o máximo de distanciamento possível”.
Sergio Okamoto é da mesma opinião. “Para mim, o uso de máscara simboliza o maior nível de respeito que você tem como o próximo”. Já Elaine D´Amico sugeriu ainda a venda de convites direcionados para que não haja aglomeração em determinados momentos. “São exemplos que podem ser avaliados, se cabe para este evento que está sendo proposto”, afirmou.
Para acompanhar o Simpósio completo, acesse: https://www.kenren.org.br/retomadadeeventos

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